A Igreja de Nossa Senhora da Azinheira é a protagonista do mais recente livro do professor e historiador Júlio Brás, que presta assim homenagem à população de Outeiro Seco, Chaves.

“A Deusa Azinheira – As pedras também emigram” é uma obra com pouco mais de uma centena de páginas, e com várias ilustrações pelo meio, que dá a conhecer a Igreja de Nossa Senhora da Azinheira, localizada na freguesia de Outeiro Seco. A Senhora da Azinheira é uma santa que ocupa um lugar muito especial no coração dos cristãos devido às características que lhe são atribuídas, nomeadamente educadora, protetora, perseverante, acolhedora e fiel, sendo, por isso, um modelo para todos.
No livro, o autor escolheu uma cegonha, símbolo de bons agouros e de contemplação, a que lhe deu o nome de Laguna, para contar a história deste espaço classificado já como de interesse nacional.
Estes dois princípios “aliados à imaginação e à criatividade de um autor como o Júlio Brás” são, de acordo com Joaquim Costa, os ingredientes necessários para o aparecimento de uma obra de excelência como é esta Deusa Azinheira.
Neste contexto, o autor descreve no seu livro “tudo aquilo que a ermida tem para ser apreciada” e as adversidades pelas quais tem passado ao longo dos séculos, nomeadamente ao nível da “incúria e desleixo” das entidades competentes. Para contar a história deste monumento flaviense Júlio Brás utiliza “uma linguagem simples e muito sugestiva”, sendo percecionada por “miúdos e graúdos”.
“Educar e sensibilizar para a conservação do nosso património cultural, valorizando a nossa identidade” é o objetivo maior deste livro, referiu o professor Joaquim Costa, na sexta-feira passada, dia 6, na apresentação da obra, na Biblioteca de Chaves.
“O Júlio Brás é um campeão”. Foram estas as palavras de João Batista para caracterizar o autor desta história. O professor e ex-autarca flaviense falou primeiro da apetência natural de Júlio Brás para o golfe, desporto que praticou durante anos e onde conquistou vários troféus, depois destacou a sua atividade profissional como professor de Língua Portuguesa e de História Universal e por fim realçou a sua “competência em escrever para todos”, aliando a fantasia à realidade.
“O Júlio Brás é uma marca na nossa região, que engrandece a nossa terra de uma forma muito singular”, disse João Batista.
Na opinião do responsável, o criador d’ “A Deusa Azinheira” demonstra, por diversas vezes, a sua inquietação em “fazer da história uma realidade de todo o tempo; do passado para que se reconheça a importância desse tempo, do presente para que se recuperem os valores, os princípios e essa identidade que nos faz precaver para um futuro, que é sempre uma incógnita, mas que será mais seguro se tivermos essa capacidade de olhar para o passado e de viver o presente com qualidade”.


A sessão foi aberta por Carlos França, responsável pela Divisão de Desenvolvimento Social e Cultural da Câmara de Chaves, que manifestou o seu entusiasmo pela escolha do tema do livro que certamente será, na sua opinião, um pretexto para mais uma visita a Outeiro Seco, a sua “terra por empréstimo”.
A acompanhar o escritor flaviense esteve ainda Eduardo Brás que lembrou a vasta obra publicada pelo irmão, nove livros, e o pouco reconhecimento que é dado aos “escritores e artistas do interior”.
No final do encontro, Júlio Brás agradeceu a presença de todos e as palavras proferidas sobre a sua última publicação, assim como à sua pessoa que lhe dão força para continuar “nestes escritos”. Durante a sua intervenção o autor fez ainda questão de salientar a diferença entre o património romano e o património românico, para contextualizar historicamente a sua obra.
A vasta plateia presente na Biblioteca de Chaves foi constituída por vários familiares e amigos do autor e por vários outeiro secanos.

Cátia Portela

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