Uma mulher morreu no passado fim-de-semana, na cidade flaviense. Com sintomas de ataque cardíaco, o caso gerou polémica porque demorou duas horas a ter uma resposta adequada e foi tarde demais.

No passado sábado, cerca das 19 horas, Maria de Lurdes, mais conhecida por D. Quinhas, de 79 anos sentiu-se mal numa rua do centro histórico da cidade flaviense, onde residia. Com sintomas de um ataque cardíaco, foi inicialmente referenciada para o Hospital de Chaves, que alegadamente terá recusado a emergência por não dispor de serviço de cardiologia, encerrado no passado mês de Janeiro.

Ao que conseguimos apurar, o INEM terá ido buscar a senhora, depois o médico ligou para o INEM e disseram para ir para Vila Real, porque Chaves não tinha cardiologia. O INEM terá ligado para Vila Real, mas a resposta ao socorro da vítima terá sido que não poderiam aceitar a doente por falta de vagas.

A vítima terá sido então transportada para o Hospital de Chaves, onde foi observada por um médico e ficou claro que se tratava de um enfarte e teria de ser transportada com urgência para Vila Real.

Só nessa altura foi chamado o INEM e veio o helicóptero, mas a senhora já teria falecido. Tinham decorrido quase duas horas desde o primeiro alerta para o Instituto Nacional de Emergência Médica.

O Hospital de Chaves integra o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, que tem a denominada Via Verde Coronária. A administração do Centro Hospitalar já fez saber que foi aberto um inquérito de averiguação, escusando-se a prestar mais esclarecimentos.

Autarca flaviense aponta responsabilidades

O presidente da Câmara Municipal de Chaves, João Batista, considera que devem ser assacadas responsabilidades a quem optou pelo encerramento do serviço de cardiologia no Hospital da cidade.

O autarca alega que os responsáveis “foram alertados” e “é evidente que quando se toma uma decisão se deve precaver as consequências possíveis dessa decisão. Infelizmente, verificámos a razão dos protestos e das posições que foram tomadas no sentido de que a unidade de Chaves possa responder em situações desta natureza e desta urgência”.

CM

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11 comentários

  1. Manuel Bandeirinha on

    Enquanto os políticos se entretêm em conferências de imprensa para sairem na fotografia e mostrarem que ainda “andam por aí”, parece-me que chegou a altura de os flavienses se aperceberem da verdadeira gravidade da situação e se revoltarem a sério. Aceito e acredito na sinceridade das palavras do presidente da Câmara, mas…Isto tem que levar uma volta de 180 graus, e vai ter que ser o povo flaviense a revoltar-se. Sim, escrevo com um estado de espírito em revolta. Nos últimos (recentes) anos, perdi amigos e familiares em situações que me deixaram muitas interrogações…Agora, foi esta senhora, que eu conheci por ter sido, durantre muitos anos, a companheira do meu grande amigo António Ribeiro (que infelizmente já faleceu há alguns anos). É também em memória desse meu amigo (e grande sindicalista da área da Hotelaria), que eu deixo este desabafo, e que espero que sirva de alerta. Entretanto, gostava de ver:; 1 – Os representantes flavienses de todos os partidos a manifestarem-se em conjunto contra esta situação INSUSTENTÁVEL. 2 – Os profissionais do Hospital de Chaves (todos eles) a dizerem e esclarecerem a população sobre a verdadeira realidade daquele hospital. Sei que são competentes, daí que lhes peça que o sejam, também e sem medos. no esclarecimento à população que eu sei que servem com o maior profissionalismo – embora eu também saiba que “sem ovos não se fazem omeletes” (para nossa infelicidade, há muitas vidas que se perdem pelo “caminho”).

  2. Infelizmente o interior está fadado para este tipo de coisas.
    Ser do interior é acima de tudo assistir na primeira fila ao encerramento de infra-estruturas ou mais valias publicas em detrimento do litoral, é ver em posição privilegiada o desinvestimento e esquecimento a que nos vota o poder central, é sofrer na pele as consequencias do desemprego e resignar-se ao envelhecimento da população e ao continuo empobrecimento das nossas gentes. Tudo isto é um circulo vicioso. E o pior disto tudo, é que penso que no futuro proximo as coisas poderão agravar-se ainda mais… Revolta-me tudo isto. Penso que deveria revoltar muito mais gente e deveria haver uma acção coordenada de protesto para defendermos os nossos direitos, porque as obrigações, essas nc deixamos de as cumprir.

  3. pedromagalhaes on

    A POPULAÇÂO DE CHAVES:

    A doente não faleceu por falta de atendimento. A VMER trasnportou a doente para o Hospital de Chaves, após ter activado a Va verde coronária do Hospital de Vila Real, por identicar que a doente apresentava um Enfarte cardíco muito grave, com inestabilidade hemdinamica, era mandatório fazer Cateterismo de urgência. Perante o argumento de “não haver vagas”em Vila Real, transportaram a doente para o Hospital de Chaves. A doente deu entrada na SE as 19:00 por EAM grave, em CHoque cardiogénico. Foi contactado o Serviço de Cardiologia de Vila Real, que aceitou a transferencia da doente e activado o CODU para transporte urgente por helicoptero. A doente nunca deixou de ser assitida, aos 15 minutos de entrar no Hospital de Chaves e mesmo com as medidas de suporte adequadas, sofreu uma paragem cardica e a equipa esteve 45 minutos em suporte avançado de vida, sem sucesso pela gravidade do enfarte. O CODU não podia transportar de imediato uma doente que precissava de medidas se resucitação. Assim que este comentário de que não foi atendida em Chaves e mentira e pretende ser usado pelos políticos da cidade para entreter a população com falsas promessas. O Hospital de Chaves atedende quase o mesmo número de doentes que o SU do Hospital de Vila Real, com media duzia de médicos, que trabalham como escravos e ainda devem aguantar criticas da população e dos politicos. Por qué fecharam o Hospital de Valpaços. Por qué os Centros Saude não prestan 12 horas do SU aos doentes, como acontece em outras cidades e tudo vem parar ao Hospital de Chaves. Os politicos pediram uma ULS em 2010 e foi aprovada em Abril de 2011, desde então nunca mais se falou no assunto. Entretanto o Hospital continuou a perder valencias, a prevenção da Cardiologia, o Serviço de Urologia e fechou a Cirurgia 1. Qúe fizeram : nada. Ainda a coisa tem mais delito, se temos em conta que o Governo actualmente no poder e da mesma cor poltica que os dos quatro conselhos aos quais presta atendimento.

  4. Manuel Bandeirinha on

    É tempo de os representantes locais dos partidos políticos se darem conta que esta situação os ultrapassa. De nada vale andar cada um (desses partidos) a pregar para seu lado, lançando ao vento argumentos que se esfumam mesmo antes de sairem das suas próprias sedes. A realidade supera-os a todos. E como quero acreditar que todos desejam o melhor para a nossa terra (ainda mais numa área tão sensível como a da saúde), o que eu gostava era de os ver, todos juntos, a reclamarem aquilo que nos é devido. E até seria desejável que o fizessem com a camisola do Hospital de Chaves vestida.
    Não conheço o senhor Pedro Magalhães, mas entendo que qualquer pessoa responsável deve meditar sobre aquilo que escreve.E quanto mais não terá deixado por dizer…Parabéns!

  5. Flavienses é tempo de mobizacao;todos o partidos politicos esqueçam os vossos interesses partidarios e pssoais e mobilizem pois estamos en guerra
    para todos termos acesso a saude com as melhores condiçoes
    Pedimos respeito paraos transmontanos

  6. Boa Noite.

    O proposito deste comentário é dar os sentimentos á familia da Sª Quinhas lamentando a sua perca, ignoro os demais comentários dando destaque a um deles pela positiva e credibilidade da explicação.

  7. Muita treta, muita treta mas nada de realismo. Até este Jorge Galvão ignora os outros comentários vejam bem…deve ser superior aos outros! Quem de facto está ligado ás profissões da saúde sabe muito bem que o nosso Hospital está cada vez pior e que as pessoas não morrem sem razão nenhuma. Um EAM é uma situação de extrema urgência onde devem ser canalizados todos os meios médicos para reverter e estabilizar a situação, mas infelizmente tanto os meios humanos (cardiologistas) como meios materiais foram retirados deste Hospital. O que os profissionais fizeram a esta senhora é aquilo que se faz nos países do terceiro mundo, que foi tentar mante-la estável até que pudesse usufruir de cuidados mais diferenciados e posteriormente depois de entrar em paragem tentaram reanima-la. E os meios e profissionais vocacionados para a cardiologia onde estavam??? Resposta: Vila Real….pois é…os portugueses de primeira tem direito a profissionais especializados, a cateterismos, a serviço de pacing, a hemodinâmica e por aí fora…enquanto os atrasados de Chaves, do terceiro mundo, ficam-se por umas massagenzitas cardíacas feitas por um enfermeiro e já vão com sorte!!!
    Mas em Chaves desde que haja umas moeditas de euro, para ir beber umas cervejolas para as caldas é que importa! Agora se morre a dona Maria por falta de assistência, ou o senhor Manel ou a Joaquina ou o Ambrósio pouco importa! Quando nos toca pela pele é que já muda de figura….mas já vamos tarde. Os políticos ja sabemos que não fazem nada, mas a população poderia fazer muito, pois o poder ainda está no povo, haja vontade! Tanto se lutou nesta cidade pelo futebol e pelo nosso Hospital que é um bem de primeira necessidade ninguém quer fazer nada!!! Temos o que merecemos e cada vez teremos menos! É uma vergonha que assim seja mas o comodismo da população e dos políticos está a levar a nossa cidade para uma situação digna dos países do terceiro mundo! Vergonhoso!

  8. Tiveste um enfarte do miocárdio? De onde és?

    Sou de lisboa! Então esperas 5 minutos…
    Sou de Coimbra! Então esperas 6 minutos..
    Sou do Porto! Então esperas 7 minutos…
    Sou de Chaves! Então esperas 2 HORAS!!! Deve ser o suficiente até morreres…

  9. António Cunha on

    Não gosto de omnisciências do estilo do senhor Jorge, que pretendem, duma assentada, obscurecer as opiniões de quem sofre diariamente as desventuras de acompanhar um ente querido nesses autênticos “templos de sofrimento” que são os hospitais. Se por acaso é um homem do ofício, aconselho-o a abrir mais os olhos e os ouvidos.
    Não gosto de fazer humor com coisas sérias, mas parece-me que, na sequência do último parágrafo do comentário do senhor Pedro Sousa, é tempo de pensarmos em montar umas tendas de campanha em Vidago, Pedras, Vila Pouca, etc. Isto antes de chegarmos ao local onde todos os problemas se resolvem. Para o bem e para o resto…

  10. Na verdade, já lá vai o tempo em que havia homens e mulheres… (Lembro por exemplo de quando ameaçámos ir jogar no campeonato espanhol), agora revolta-mo-nos por dentro e não “desabafamos” para fora, daí os problemas de saúde. Vivemos o tempo do “deixa andar, quem quiser que se revolte” e ficamos à espera sentados…

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