A fase mais crítica dos incêndios arrancou na quarta-feira, dia 1 de julho, e este ano os bombeiros terão o desafio acrescido de conciliar a pandemia da covid-19 e o combate aos fogos.

Está no terreno, até 30 de setembro, a quarta fase do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais – DECIR, considerada a fase mais crítica de combate aos incêndios e por isso aquela com mais meios envolvidos. O distrito de Vila Real conta com 25 corporações de bombeiros, equipas da GNR e sapadores florestais.

O DECIR conta com dois meios aéreos ligeiros, um deles encontra-se no aeródromo de Vila Real e o outro em Ribeira de Pena, com um helicóptero ligeiro em Vidago e um helicóptero pesado em Vila Real. Durante a quarta fase é proibido o uso de fogo nos espaços florestais e agrícolas.

No concelho de Chaves, a corporação dos Bombeiros Voluntários de Vidago (BVV) tem duas equipas disponíveis 24 horas por dia para o combate aos incêndios, contando ainda com a Equipa de Intervenção Permanente (EIP), durante o dia, outra equipa que assegura o serviço à noite e uma Equipa Logística de Apoio ao Combate (ELAC).

Bruno Henriques, comandante da corporação vidaguense, confessa que o início da fase mais crítica de incêndios é sempre uma altura “calma” para os seus bombeiros. Porém, com o avançar do verão, a partir de meados de agosto, o trabalho dos seus operacionais tende a aumentar bastante.

“Tivemos um inverno com bastante humidade o que fez com que o combustível fino aparecesse com alguma abundância. Quando tudo começar a ficar mais seco, a velocidade de propagação dos incêndios é maior, o que poderá vir a dificultar o nosso trabalho”, referiu o responsável.

Este ano por causa da Covid-19 as preocupações aumentam: “Há um acréscimo de preocupações e até o investimento teve de ser maior porque temos de desinfetar e higienizar constantemente todas as instalações do quartel e todos os veículos”, salienta Bruno Henriques. Os operacionais de Vidago têm tido formação no combate aos incêndios.

Já o comandante dos Bombeiros Voluntários Flavienses (BVF) lembra que a pandemia é uma situação que veio para ficar e que “teremos que nos habituar a viver com ela”.

“Temos de tomar alguns cuidados, mas é certo que esses cuidados podem não resultar a 100% porque vai haver sempre muita gente nos teatros de operações, vai haver se calhar muito esquecimento quer no uso das máscaras quer no de manter o distanciamento social. A nível operacional também não será possível cumprir as normas na íntegra. Mas o objetivo é tentar precaver dentro do possível, sendo certo que poderá sempre haver falhas”, refere José Lima.

O responsável pelos BVF pede às pessoas para que respeitem as indicações das autoridades, não utilizando o fogo em meios florestais ou agrícolas, proibido nesta fase, e desejou a maior sorte para todos aqueles que combatem o flagelo dos fogos florestais. Este ano, os BVF contam com uma nova viatura de combate a incêndios, um investimento que foi realizado pela Associação Humanitária dos BVF e que será uma mais-valia na defesa das populações e bens.

Nesta fase do DECIR, os Bombeiros Voluntários Flavienses contam com quatro Equipas permanentes de combate a incêndios e uma ELAC.

O dispositivo de combate a incêndios rurais foi também reforçado na corporação de Bombeiros Voluntários de Salvação Pública (BVSP). De acordo com o comandante José Carlos Silva, e em tempos de pandemia, a utilização das máscaras de proteção é obrigatória dentro do veículo sendo substituída por outro equipamento de proteção apropriado para o combate aos incêndios.

Até ao momento a ação dos bombeiros de Salvação Pública tem sido sobretudo no apoio a outras corporações no combate a incêndios, mas José Carlos Silva acredita que o cenário tenderá a piorar ao longo do verão, com condições meteorológicas propícias para o aumento das ignições na sua área de atuação. O quartel dos BVSP tem uma Equipa de Combate a Incêndios em permanência, para além das equipas de apoio.

Na segunda-feira a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) colocou nove distritos em alerta especial laranja durante 72 horas devido ao risco de incêndio rural muito elevado ou máximo. Até quinta-feira, os distritos de Beja, Bragança, Castelo Branco, Évora, Faro, Guarda, Portalegre, Santarém e Vila Real estão em estado de alerta especial laranja, com previsão de tempo quente e seco. Os restantes distritos do país mantêm-se em estado de alerta especial amarelo.

Cátia Portela

 

 

 

 

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