O Centro de Recursos de Atividades Laboratoriais Móveis foi inaugurado na quarta-feira, dia 30 de outubro, na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, e vai permitir por os alunos a pensar, através da aplicação do conhecimento científico às questões do dia a dia.

O centro de recursos começou a ser pensado no ano de 2006, ainda o professor de física e química Jorge Teixeira lecionava na Escola Secundária Fernão de Magalhães, através das atividades desenvolvidas com os alunos no Clube do Ensino Experimental das Ciências, sendo impulsionado, mais tarde, com a conquista do prémio Global Teacher Prize, que valeu ao professor flaviense a distinção de melhor professor de Portugal em 2018 e a entrada na lista dos 50 melhores docentes em todo o mundo.
Neste espaço, que no passado foi uma sala de arrumos da escola, o professor pretende “aproximar a ciência e a tecnologia da comunidade e ultrapassar as barreiras da sala de aula, os conteúdos programáticos das disciplinas e a importância dos testes de avaliação”, desenvolvendo, desta forma, um programa mais flexível, trabalhando “com os programas e não para os programas”.
Para Jorge Teixeira a escola deve fornecer uma boa formação de base e por os alunos a pensar e a refletir sobre os assuntos do dia a dia, para que consigam intervir ao máximo na sociedade, ou seja, “uma escola que estimule o conhecimento e as competências” dos mais jovens.
“Este projeto nasceu para atenuar a baixa literacia científica da região, promovendo o voluntariado científico e aproximar a escola da comunidade”, sublinhou o responsável, adiantando, tendo como base as conclusões do relatório Pisa de 2015, que o Alto Tâmega é a segunda região do país com a pior literacia científica ao nível dos estudantes.
O centro é assim “um local onde os alunos podem desenvolver projetos com os professores, pegar nesses projetos e levá-los para as escolas da periferia”.
Em material, o Centro de Recursos de Atividades Laboratoriais Móveis tem já investidos 18 mil euros, valor que foi sendo adquirido pelo professor através de patrocínios locais, nacionais e até internacionais, e não tendo por isso qualquer custo para a escola.
Neste novo espaço de aprendizagem experimental é utilizado material de eletricidade e eletrónica, sensores e máquinas gráficas, material de astronomia, como telúrio, três telescópios, binóculos, entre outros, sendo, de acordo com o flaviense, uma das poucas escolas do “Mondego para cima” e do interior com este tipo de instrumentos. O centro tem ainda cerca de 70 kits, com um custo, em projetos, que ronda o valor de um cêntimo por aluno por hora. Neste momento, o centro de recursos conta já com uma equipa de 22 elementos, desde o pré-escolar passando pelo ensino especial e pelas bibliotecas escolares. No próximo ano letivo, Jorge Teixeira pretende desenvolver experiências que abordem a área da robótica.
O projeto do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins foi apadrinhado pela Câmara de Chaves. Na cerimónia de inauguração, Nuno Vaz elogiou a iniciativa que, na sua opinião, será uma mais-valia para formar pessoas, desenvolvendo nelas um espírito cívico crítico, inserindo-se na estratégia do Alto Tâmega de capacitação da população.
O professor Jorge Teixeira e o presidente da Câmara de Chaves foram, durante a sessão, agraciados com a medalha comemorativa do centenário da Escola Dr. Júlio Martins, como “reconhecimento do trabalho e esforço”.
Para o diretor do agrupamento, Joaquim Tomaz, esta é mais uma proposta de atração e de incentivo para os alunos. Satisfeito com a nova sala, o responsável vê com bons olhos o trabalho desenvolvido pelo docente e denota que a comunidade estudantil tem demonstrado melhores resultados desde que a componente prática foi implementada com maior regularidade no agrupamento. O diretor adianta que Jorge Teixeira tem sido exemplo para outros professores dentro do agrupamento que têm revelado maior dinâmica na construção de atividades mais interativas para os alunos.
Em dia de inauguração, foi dada a conhecer a sala que alberga o centro de recursos e algumas das experimentações que são realizadas com os alunos.
Pelo Clube do Ensino Experimental das Ciências já passaram 500 alunos.

Cátia Portela

 

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