O município de Chaves associou-se mais uma vez às Jornadas Europeias do Património. Com o tema “Património e Paisagem Urbana” o Museu da Região Flaviense recebeu na passada sexta-feira, dia de Setembro, uma conferência sobre o centro histórico da cidade de Chaves e no dia seguinte, sábado, uma caminhada urbana.

“O objectivo desta iniciativa, que se realiza a nível europeu, é realçar a importância que tem a salvaguarda do património de cada país e cidade”, explicou Jorge Leite, director do Museu da Região Flaviense. “É no centro histórico de Chaves que se preserva e simboliza o passado”, atirou. Além da conferência, no dia seguinte, sábado, realizou-se uma caminhada urbana pelo património escondido da cidade flaviense.

Presente no evento esteve o presidente da Câmara Municipal de Chaves, João Batista, que realçou que é “dignificando o passado que se pode sustentar o futuro”, considerando ainda que é “dever de todos motivar para o conhecimento e preservação do património”.

A primeira intervenção teve lugar por parte do arquitecto António Malheiro, que explicou aos presentes na sala Nadir Afonso do Museu da Região Flaviense a “evolução do centro histórico de Chaves desde a idade Média até aos dias de hoje”, tendo mostrado dados de como seria a cidade desde o século XIV até aos inícios do século XX.

A cidade de Chaves, constituída por muralhas bem visíveis, algumas partes delas ainda nos dias de hoje, foi sofrendo, em diversas fases, o declínio das muralhas. Com a guerra da restauração no século XVII a cidade flaviense voltou a sofrer um forte reforço da fortificação, mas conforme explicou António Malheiro, chefe da divisão territorial e urbanística da autarquia flaviense, “os tempos de paz eram épocas onde não seria feita a manutenção das muralhas”, levando assim ao seu declínio. A partir do séc. XIX, além da progressiva ruína, passou a haver mesmo um desmantelamento das fortificações.

Preservação do centro histórico passa também por reabilitá-lo

“A intervenção no centro histórico já acontece desde os anos 90, com intervenções para lhe conferir melhores características, como o aumento do espaço para os peões ou o condicionamento do tráfego”, explicou Rui Geraldes, engenheiro da Câmara Municipal de Chaves, ligado ao Progama POLIS desde o seu início.

Admitindo que ainda ficou algo por fazer, Rui Geraldes garante que “o que foi feito foi bom, tendo em conta a opinião das pessoas”. “O objectivo passa sempre garantidamente por reabilitar edifícios degradados e criar equipamentos do interesse dos cidadãos, quer sejam culturais, de mobilidade ou de cariz social”, explicou.

Atrair população para o centro histórico da cidade é também uma das metas, pois “não pode viver só de dia”. Para o engenheiro da autarquia flaviense, estará sempre qualquer coisa por fazer pela cidade e incentiva à crítica e ao diálogo por parte dos cidadãos, para “juntos melhorar a cidade”.

Para o director do Museu da Região Flaviense, “as cidades estão cada vez mais descaracterizadas, pois por vezes não há receio de deitar o que é velho para construir novo”, mas Jorge Leite realça que muitas cidades europeias têm “centros históricos reais, desde a idade Média, não construídos de raiz”.

No caso da cidade flaviense, esta “ainda possui características próprias e princípios que se mantêm ao longo dos anos”. “É preciso manter a autenticidade do centro histórico”, defendeu, acrescentando que a ideia deve passar também pela revitalização cultural do centro histórico, “tornando-o atractivo”.

Diogo Caldas

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