A flaviense Catarina Pinheiro, joga futsal em Itália, no Lazio Calcio a 5, há duas épocas consecutivas, num total de quatro temporadas. Em isolamento voluntário, apesar de não ter qualquer sintoma do Covid-19, a jogadora de 31 anos, que já representou clubes como o Sporting, Novasemente, Diogo Cão ou Restauradores Avintenses, e que em Chaves representou o Hóquei Flaviense e AD Flaviense contou À Voz de Chaves a recente aventura em Itália e deixou conselhos para toda a sociedade.

A Voz de Chaves: Antes de mais, explica-nos, está tudo bem contigo, apenas em isolamento voluntário?
Catarina Pinheiro : Sim, tudo bem comigo, estou em casa, sozinha por opção própria de forma a salvaguardar os meus. Não estive com ninguém positivo ao Covid-19, não estive em zonas de muito risco, não tenho nenhum sintoma, mas fiz por prevenção e consciência! Quando cheguei entrei em contacto com a linha saúde24, não me pediram o isolamento, apenas para evitar multidões e evitar sair de casa como aconselham a qualquer pessoa, mas achei por bem optar por este isolamento.

Porque decidiste entrar em isolamento?
Foi uma decisão que tomei ainda antes de voltar, em Itália estávamos já na fase que estamos mais ao menos nós aqui, pediam às pessoas para não sair e já há bastante tempo que evitava as saídas. Dado o números de infetados (felizmente na zona onde eu vivia não era uma zona com muitos casos), penso que viajar de um país naquelas condições, andar em Aeroportos, etc, te expõe ainda mais e por isso, vim com a consciência dos riscos e optando por este isolamento de forma a salvaguardar todos. Os meus pais saíram de casa temporariamente de forma a ficar isolada, trazem-me naturalmente tudo o que preciso, mas desde que cheguei não tive contacto com ninguém e vai ser assim até ao final dos 14 dias.

Foi fácil a saída de Itália, pensaste em ficar por lá nesta altura?
No início pensávamos que seria algo passageiro, quando começou a tomar proporções grandes, foi a própria direção do clube que falou connosco e pediu para todos os estrangeiros regressassem a casa de forma a salvaguardarmo-nos o máximo possível e no espaço de 1/2 dias todos fizemos as malas e regressámos ao respectivo país.

Como está a ser vivida a situação em Itália e no teu clube em particular?
Em Itália começou na zona norte e durante talvez a primeira semana ninguém tinha a noção do que se passava, no início cancelaram apenas os jogos nas áreas muito afectadas, depois cancelaram uma semana de jogos e colocaram algumas medidas de prevenção aplicadas aos treinos, como a não utilização de balneários. Até ali, estávamos minimamente tranquilos, no fim-de-semana de 7/8 a situação precipitou-se em Itália e a direção reuniu e imediatamente nos dias seguintes voltamos todos a casa.

Houve muitos casos na zona onde resides ou clube?
Felizmente não, na zona onde morava não tenho conhecimento de nenhum caso, na própria região Lazio não há muitos casos e felizmente poucas mortes em comparação com as zonas mais afectadas do Norte.

Quando pensas voltar ou pensas que esta situação se resolva?
É difícil fazer algum tipo de previsão neste momento, nenhum de nós imaginava este cenário no início. Não querendo ser pessimista penso que será muito longa esta situação e só com a ajuda e consciencialização de todos podemos minimizar os danos e sair deste período negro!

Como está a correr esta aventura em Itália?
Estava a correr bastante bem, já tínhamos conquistado matematicamente os Play-off’s há algumas jornadas, estávamos em 4º lugar (os 4 primeiros são cabeça de serie), estávamos apuradas para a Finale 8 da Coppa Italia (igual à Taça de Portugal).

A ideia é continuares ou voltares a Portugal no futuro?
É sempre um decisão muito difícil, ainda nem pensei, não esperava interromper a época nesta fase e portanto, agora só espero que se possa voltar à normalidade e depois pensar daqui para a frente!

Em termos de seleção, a ideia é voltar a ser chamada?
Nunca fui à selecção A, só a Universitária. No entanto, já disse várias vezes que aos 31 anos, não espero essa chamada e penso que Portugal tem mesmo que pensar nas mais jovens e investir no futuro.

Que mensagem queres deixar?
Quero só deixar uma palavra a todos, principalmente aos flavienses, este não é um problema de Itália ou da China, não é de Felgueiras ou Lousada que têm muitos casos, é um problema de todos, chegará à todo o lado e quando menos esperamos pode tocar a um de nós, por isso por favor fiquem em casa, evitem sair, qualquer um de nós é um potencial portador da doença! Vimos em Itália as situações médicas mais cruéis, escolhiam as pessoas que iam ser salvas e quem se deixava morrer. Por favor fiquem em casa, só assim podemos travar isto!

Diogo Caldas

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