Quatro ovelhas foram mortas e outras quatro ficaram gravemente feridas depois do ataque de cães vadios, sábado, dia 6, num terreno agrícola de Santa Cruz/Trindade, em Chaves.

O dono do rebanho revela que nos últimos anos os ataques de cães abandonados têm sido mais frequentes e que já perdeu perto de duas dezenas de animais.

“Uma vez contei onze cães abandonados. Na altura mataram-me dois cordeiros”, sublinha José Domingos, que apresentou queixa na PSP.

“Não é pelo prejuízo, eu só queria que esta situação fosse resolvida. Que alguém tomasse conta dos cães”, disse.

O flaviense assegura que tem conhecimento de que “há pessoas com medo de passar na zona do Forte de São Neutel onde costumam andar esses cães vadios e que inclusive já atacaram algumas pessoas”.

José Domingos conta que para si a pastorícia é um passatempo e que o faz por gosto, não por profissão. Contudo, considera, “devido às perdas que tenho tido, estou seriamente a pensar em abandonar a atividade”.

Canil Municipal poderá ver a luz do dia em 2020

Questionado sobre a situação, o presidente da Câmara de Chaves reconhece que há um problema no que diz respeito ao acolhimento dos animais de companhia abandonados e também “alguma falta de responsabilidade por parte das pessoas”.

“É verdade que existem comportamentos socialmente incorretos e é verdade também que depois incumbe às entidades públicas, em particular aos municípios, encontrar soluções. Estranhamente, decorre o ano 2019 e o concelho de Chaves não tem ainda uma resposta no que diz respeito ao acolhimento dos animais abandonados”, disse o autarca flaviense.

A construção de um canil municipal já há muito tempo que é debatida. Em 2016, e no âmbito do Orçamento Participativo, foi proposto, pela Associação dos Amigos dos Animais de Chaves, a criação dessa estrutura. Na altura, o projeto conseguiu perto de 1050 votos, mais 550 do que a proposta que ficou em segundo lugar, mas o plano nunca saiu do papel.

Em declarações ao jornal A Voz de Chaves, Nuno Vaz adiantou que o início da construção do canil está previsto para o último trimestre deste ano e que neste momento estão a ser “ultimados os projetos de especialidade”.

“O projeto que existia na Câmara Municipal pressupunha que a iniciativa de construção do canil era privada, ou seja, o projeto cumpria as regras de licenciamento de obras particulares. Como o projeto tem de ser concretizado pelo município tem de cumprir outros requisitos técnicos para se poder lançar a empreitada”, explicou o autarca.

Neste contexto, o dirigente flaviense espera que o município tenha um canil em 2020.
“Esta é uma necessidade que temos de suprir, mas isso não exime os cidadãos de cumprir as suas obrigações”, frisou.

Refira-se que o município tem ajudado financeiramente a associação que atualmente recolhe e trata os animais abandonados e tem apoiado em ações de esterilização.

Cátia Portela

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