No passado dia 6 de setembro o auditório municipal de Boticas acolheu o seminário “Viver na Ruralidade – Ajustamento e Diversificação”. Iniciativa foi organizada pela Cooperativa Agrícola de Boticas (CAPOLIB), com o apoio do município de Boticas.

Este seminário teve como temáticas o mundo rural e os setores agropecuário e florestal e contou com a participação de cerca de centena e meia de agricultores e criadores de gado e de responsáveis de conselhos diretos dos baldios do concelho botiquense.
De acordo com o site da autarquia de Boticas, neste colóquio foi apresentado o programa das “cabras sapadoras da pastorícia na defesa da floresta contra incêndios” e destacada ainda a constituição e dinamização dos Agrupamentos de Baldios, nomeadamente deste concelho. A Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega teve também um papel ativo neste colóquio.
Durante a manhã foram ainda assinados protocolos de cooperação de defesa e preservação da floresta do Barroso entre a CAPOLIB e quatro entidades: a Forestis – Associação Florestal de Portugal, o Município de Boticas, os Gestores de Baldios do concelho de Boticas e os Produtores Pecuários de Pequenos Ruminantes.
Estiveram também presentes nesta sessão Fernando Queiroga, presidente da Câmara Municipal de Boticas, e Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, a quem coube o encerramento do seminário. O autarca botiquense destacou o facto de ser necessário fazer mais por Boticas e pelo único território português distinguido como Património Agrícola Mundial, a região do Barroso, mas acrescentou que a assinatura deste protocolo foi um passo importante na valorização daquele território.
“O projeto do concelho de Boticas é o de criar emprego, é isto que segura um território. Atrair gente e criar a dinâmica económica. E o que é que temos de maior valor? Os nossos produtos agrícolas, a nossa paisagem, temos a tal água de que tanto se fala e que começa a escassear. Temos isso de bom e não queremos nem deixamos que ninguém o venha destruir. Este é o projeto do concelho de Boticas. Se quisermos retirar algum destes elementos, o concelho de Boticas em vez de demorar 50 ou 60 anos demora 15 anos a morrer, e isso, enquanto eu cá estiver como responsável político, não deixarei acontecer no meu concelho”, concluiu.
O secretário de Estado foi o último a usar da palavra. Miguel Freitas referiu as várias medidas tomadas pelo atual Governo no que diz respeito à defesa da floresta, mas defendeu que “o muito que fizemos foi muito pouco para aquilo que é preciso. Nós temos, acima de tudo, de ser muito exigentes com o futuro. Temos de dizer com clareza que temos um país dividido ao meio. Não temos um país coeso. Temos um país em que o Interior foi deixado para trás. Das duas, uma: ou o país reconhece isto e no próximo quadro comunitário de apoio tem o Interior como prioridade, ou de facto é muito difícil fazermos aquilo que é preciso. O Interior deve ser a grande prioridade do país no próximo programa comunitário”.

Agrupamento de Baldios em Boticas permite gerir 15 mil hectares de área florestal

De acordo com Albano Álvares, presidente da CAPOLIB, o protocolo assinado na sexta-feira foi um “efetivar da cooperação. Envolvemos o Estado, os municípios, os compartes, os pastores. Queremos envolver a sociedade neste grande desígnio. Temos de deixar apenas de pensar e passar a ter ações concretas. O caminho é muito longo, mas nós queremos lá chegar”.
Para o responsável pela Cooperativa de Boticas, a criação do Agrupamento de Baldios, que tem 20 projetos-piloto em todo o país, permite mudar a “gestão técnica” das florestas sem que o Estado perca competências. Este protocolo permite também que só no concelho de Boticas sejam geridos 15 mil hectares.
Para este engenheiro, o facto de a região do Barroso ter sido classificada como Património Agrícola Mundial faz com que haja a necessidade de serem implementadas medidas que, para além de protegerem o ambiente e as florestas, possam gerar riqueza para os agricultores: “As regiões de montanha têm uma importância enorme. Temos de começar a ter dinheiro, e o dinheiro vem de investimentos. O próximo quadro comunitário de apoio tem de ter uma atenção enorme a estes territórios. Se não dermos dinheiro às pessoas para elas ficarem, elas vão-se embora. Temos de dar condições para as pessoas viverem na nossa região”.

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