A edição de 2020 da Feira dos Santos de Chaves, considerada “a maior feira de rua do país”, foi cancelada por “bom senso” e para proteger a população devido à pandemia de covid-19, anunciou a organização na segunda-feira. 

“Esta foi uma decisão do bom senso e da responsabilidade. Até sob pena de ferir a reputação da feira para anos vindouros e por em risco a saúde pública da população”, explicou o presidente da Associação Empresarial do Alto Tâmega (ACISAT), Vítor Pimentel, durante uma conferência de imprensa promovida na Câmara de Chaves, também parceira na organização.
O certame decorre anualmente entre o final do mês de outubro e o início de novembro e atrai milhares de visitantes à região, juntando centenas de tradicionais ‘stands’ ao longo das principais ruas da cidade, com venda de artesanato, roupa, calçado, velharias ou produtos alimentares, entre outros.
Além do “grande impacto económico para a região” que o cancelamento causa, Vítor Pimentel lembrou ainda que, devido à pandemia, o “’handicap’ económico” tem sido grande durante todo o ano para todos os setores do comércio.
O dirigente da ACISAT explicou que o investimento costuma rondar os 100 mil euros e gerar receita de 12 mil. Desde 2018 que o valor é aplicado na dinamização do comércio local.
Vítor Pimentel acrescentou que ao longo do processo os comerciantes foram alertados para a possibilidade e que “a maioria” concorda com a decisão.
Acrescentou ainda que não havia “plano B possível para uma feira de rua que é familiar e que se estende por quatro quilómetros”.
Também presente na conferência, o delegado de saúde da Unidade de Saúde Pública (USP) do Alto Tâmega e Barroso, Gustavo Martins-Coelho, explicou que, após o parecer emitido com “as alterações necessárias” para a realização da Feira dos Santos, a organização “entendeu que era inviável”.
“Um plano B podia existir sempre, mas a questão era a viabilidade para a marca que a feira tem e se compensava o risco de ter uma situação de crise relacionada com o evento”, frisou.
O autarca de Chaves, Nuno Vaz, adiantou que aconteceram três momentos de reflexão com a ACISAT para “perceber a evolução da pandemia e os reflexos que teria na feira”, mas que foi determinado “por unanimidade” pelas entidades envolvidas optar pelo cancelamento.
“Lamentamos os efeitos económicos e sociais de um evento de agregação, união e junção de famílias, mas as razões de saúde pública e de proteção das pessoas são mais importantes. A próxima edição será mais forte e mais capaz, e teremos tempo para a preparar”, realçou.
Nuno Vaz frisou que a vontade seria sempre de realizar o evento, até pela relevância que tem para Portugal e Galiza, em Espanha, mas que de “forma consciente” e com sentido de “prática preventiva” surgiu a decisão do cancelamento. 

Diogo Caldas

Não é possível prever fim das restrições no país

Face à situação de pandemia declarada pela Organização Mundial da Saúde e em linha com as recentes medidas adotadas pelo Governo de Portugal no sentido de mitigar os efeitos decorrentes da covid-19, a Câmara de Chaves, a ACISAT – Associação Empresarial do Alto Tâmega, a Unidade de Saúde Pública do Alto Tâmega e a Polícia de Segurança Pública decidiram cancelar a edição de 2020 da Feira dos Santos.
A decisão, assumida por unanimidade, assenta na análise cuidada da evolução nacional, regional e local da COVID-19, que já conduziu, designadamente, ao decreto do estado de contingência nacional e que, neste momento, não permite antever a data em que serão minimizadas as restrições atualmente vigentes em matéria de organização de eventos públicos, suscetíveis de concentrar um número elevado de participantes.
Nesse sentido, as entidades organizadoras consideram que a segurança das populações deve ser a máxima prioridade e entenderam que, pelas razões aduzidas, não se encontram reunidas as condições sanitárias para, de forma responsável, manter a programação da edição de 2020 da Feira dos Santos.

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