Os associados e amigos da Lumbudus tornaram perto o longe ao partir à descoberta das aldeias e tradições dos concelhos de Laza, Verín e Monterrei, tão semelhantes às que dão vida às paisagens do Alto Tâmega. Um encontro de amantes da blogosfera e da fotografia que terminou ao som do 27º Encontro Internacional de Gaiteiros.

 

Ver onde nasce o rio Tâmega, provar o típico doce galego “Bica de Laza” e o tradicional licor de ervas “Xastré”, encontrar peregrinos do Caminho de Santiago, conhecer as tradições do “Entroido” e ouvir os sons dos Gaiteiros num cenário com tanto de principesco e ancestral como de sagrado e idílico – o Castelo de Monterrei – foram alguns “instantâneos” que marcaram o XVII Encontro de Blogues e Fotógrafos da Associação de Fotografia e Gravura Lumbudus. No passado sábado 16 de Junho, cerca de 70 associados e amigos da cultura e do convívio rumaram à vizinha Galiza descobrir as terras que circundam a vila de Verín.

 

“Os Lumbudus não são caminheiros. Comem muito bem e fotografam ainda melhor!”. Assim começava o passeio fotográfico nas palavras de Pablo Serrano, o guia turístico galego deste encontro e também presidente da Cruz Vermelha de Verín. Pelo caminho, a chuva ameaçava a romagem até à nascente do rio Tâmega, mesmo ao lado das nascentes dos rios Lima e Arnoya, mas lá chegados, os mais aventureiros conseguiram atravessar os campos alagados em água. Seguiu-se uma visita a Albergaria, pequena aldeia do concelho de Laza pouco povoada onde predomina a pedra e neva todo o Inverno, e ao albergue de Rincón, visitado anualmente por cerca de 5000 peregrinos, a maioria de nacionalidade portuguesa. À mesa do albergue, os “Lumbudus” colocaram, lado a lado, a iguaria típica do concelho flaviense – o “Pastel de carne” – e de Laza – a açucarada “Bica”.

 

Autarca de Laza recebeu associados da Lumbudus

Antes do alcaide de Laza, popularmente tratado como “Moncho Ramón”, receber os visitantes na “Casa do Concello”, o grupo passou por Tamicelas e algumas das 23 aldeias que compõem o concelho, surpreendentemente muito parecidas às do lado transmontano. Contudo, a aldeia escolhida para almoçar foi Souteliño, onde o Moncho Ramón não se cansou de falar do ancestral “Entroido” de Laza, participado todos os anos por milhares de pessoas, e do “Peliqueiro”, que “mais do que um traje, é uma alma”. Para que todos a pudessem sentir e fossem tentados a comparecer na próxima festa, o alcaide, que admitiu estar satisfeito por receber a visita de um grupo com “componente de qualidade “ diferente das excursões turísticas, ofereceu o livro de poesia “Berce de Peliqueiros”, de Cármen Rivero Gallego.

 

Lumbudus ainda espera por sede para realizar exposições e workshops

 

Saídos de Laza, o grupo foi recebido na Casa do Escudo de Verín pelo Tenente Alcaide (vice-presidente) da vila, rumando de seguida, pelo Caminho Real, até ao último ponto do encontro: o imponente Castelo de Monterrei. Além da visita guiada ao Castelo e à Igreja de Santa Maria Gracia, os participantes deixaram-se envolver pelas sonoridades da “XXVII Xuntanza Internacional de Gaiteiros”, polvilhada de incursões dos “cigarróns” de Verín. A despedida decorreu à volta de “empanadas” galegas no antigo hospital de peregrinos do Castelo, hoje albergue do Caminho de Santiago da Via da Prata.

 

No final, Fernando Ribeiro, presidente da Lumbudus, destacou que o encontro registou o dobro de participações, motivadas pela “curiosidade de conhecer o rio Tâmega”. Surpreendente foi também a forma como foram recebidos pelos alcaides “que participam mais do que apoiam”, fazendo questão de “conviver” com os visitantes, notou Fernando Ribeiro. No futuro, a associação, que “sobrevive” com quotas “nem sempre pagas” de associados, continua a lutar por uma sede, já prometida há quase 3 anos pela autarquia, de modo a ter um espaço permanente de exposições e poder organizar formações no âmbito da fotografia. Para já, continuam a expor no pólo da Universidade de Trás-os-Montes Alto Douro/Escola Superior de Enfermagem e na galeria de arte Tamagani.

 

Além dos municípios visitados, o encontro contou com o apoio do plano turístico Puertas de Galícia Verín-Viana e do Centro de Desenvolvimento Rural Portas Abertas, com sede em Vilardevós, onde decorreu o 1º encontro da Lumbudus em terras galegas. Para Cármen Serrano, colaboradora da “Portas Abertas”, os apoios surgiram devido à “divulgação que a fotografia e os blogues dão da nossa zona”. De resto, “os resultados práticos desta parceria é conhecer mais as administrações e os recursos de Chaves. Facilita-nos o conhecimento das pessoas, mas também da forma de pensar e actuar, pois não podemos viver de costas voltadas”, concluiu a responsável. Marcado o encontro de Inverno para as frias terras do Barroso, o próximo de Verão deverá regressar à Galiza, a convite do Alcaide de A Mezquita, concelho da comarca de Verín limítrofe ao de Vinhais, que também participou neste encontro.

 

Sandra Pereira

 

 

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