O Bloco de Esquerda (BE) defende a necessidade de existir uma avaliação ambiental estratégica para perceber “todos os impactos” da exploração mineira em Portugal e irá solicitar um esclarecimento à Comissão Europeia, anunciou a deputada Maria Rola.

“Existe uma diretiva europeia que define essa necessidade de avaliação ambiental e que pelos vistos não está a ser cumprida. Através das nossas representações a nível do Parlamento Europeu iremos solicitar um esclarecimento à Comissão Europeia do cumprimento dessa diretiva”, destacou.
Maria Manuel Rola falava após a visita às populações afetadas pela prospeção de lítio nas localidades de Covas do Barroso e Morgade, nos concelhos de Boticas e Montalegre, que decorreu no sábado.
O BE é favorável a que exista a avaliação ambiental estratégica para “perceber todos os impactos” da exploração mineira em Portugal.

Governo está a “começar ao contrário”

“Se o Governo tem na estratégia nacional para o lítio a ‘pedra de toque’, como tem vindo a reivindicar, para a economia nacional, pois então estão a começar ao contrário, sem qualquer garantia para a população de prevenção nas intervenções da possível exploração de lítio”, defendeu a deputada do BE na Assembleia da República, Maria Manuel Rola.
Para Maria Manuel Rola, as pessoas estão “bastante assustadas e com muita pouca informação” e este é um “processo que começou mal e continua mal”.
Segundo o BE, se a exploração de lítio é “tão determinante para a economia nacional faria todo o sentido que fosse um desígnio nacional”.
“Deveria ser levado por entidades públicas que garantissem toda a consistência do processo e que não vinha aqui prejudicar as pessoas e vinha trazer um impacto positivo a estes locais”, defendeu.
Para a deputada, “neste momento isso não está a acontecer” pois a nova legislação que irá sair sobre a exploração mineira no país “já não será aplicável nestas zonas”.
“Isso é um erro tremendo, o que está a ser feito aqui não deve avançar e qualquer iniciativa daqui para o futuro deve ter por base a nova legislação”, atirou.
Presente na reunião com a população da freguesia de Morgade, o responsável da associação Montalegre Com Vida, Armando Pinto, explicou que tem procurado “esclarecer o maior número de pessoas” sobre os pedidos de prospeção e exploração de lítio, não só no concelho de Montalegre, mas em toda a região.
“Muitas pessoas não tinham noção e tem surgido cada vez mais gente nas sessões de esclarecimento que temos vindo a promover. Vai crescendo o número de pessoas a tentar perceber o que está a acontecer”, contou.
Armando Pinto lembra ainda que há outras zonas do Alto Tâmega, além de Montalegre e Boticas, como Chaves, Vila Pouca de Aguiar ou Ribeira de Pena, que poderão vir a ser afetadas.
Na sede da Junta de Freguesia de Morgade marcaram presença perto de duas dezenas de populares, para o encontro com a deputada do BE, numa troca de preocupações e informações sobre a exploração de lítio na região.
Nuno Afonso, de 39 anos, residente na aldeia de Rebordelo, da freguesia de Morgade, esteve presente pois defende que a exploração de lítio na sua zona de residência irá obrigá-lo a abandonar a terra onde decidiu viver.
“Sou professor e escolhi viver na minha terra, mas estou apreensivo pois não sei se poderei continuar a viver aqui se isto avançar”, explicou.

Diogo Caldas

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