O flaviense André Veras terminou recentemente o ciclo de duas temporadas no SC Braga, como team manager dos sub-23. O antigo diretor desportivo do Montalegre, de 33 anos, procura agora um novo desafio. À Voz de Chaves aborda os anos enquanto dirigente, uma possível chegada ao Desportivo de Chaves na sua nova fase da carreira e o estado do futebol em Portugal.

A Voz de Chaves: Porque se deveu a saída do SC Braga?
André Veras: A saída do SC Braga é uma decisão ponderada da minha parte, falada com a estrutura. Propuseram-me para continuar mas achei que era o momento de voltar aquilo que me fascina no mundo do dirigismo, que é ser diretor desportivo. Estava a ponderar essa decisão e acabei por toma-la, aguardando agora novos projetos.

Não houve proposta para assumir essa função?
A minha função no SC Braga era de team manager, quando saio do Montalegre para o SC Braga é nessa função. Achava que me fazia falta e me ia fazer crescer e assim foi. Foram dois anos em que me valorizei muito, em muitos campos, e agora sinto-me ainda mais capaz de voltar a abraçar outros projetos e abraçar as ligas profissionais que é o que me fascina. Quero encontrar o melhor projeto para dar continuidade.

Há alguma novidade para o futuro?
Neste momento estou disponível. Sai por opção, como disse. Com o intuito de abraçar um novo projeto. Vamos aguardar.

Regressar a Chaves e ao GD Chaves é uma hipótese?
Não posso negar. Sou transmontano, sou flaviense, nascido em criado. Sou do tempo de crescer no Estádio Municipal, naquele campo, naquelas bancadas, que agora estão diferentes. O clube está a crescer e a evoluir fruto do investimento que uma SAD e uma família estão a fazer. Sinto-me capaz de poder abraçar um projeto que possa ser proposto pelo Chaves ou outro clube, como é óbvio.

Houve alguns comentários nas redes sociais a surgir o nome de André Veras para o clube…
Sei desde os tempos de jogador que santos da casa não fazem milagres. Essa velha máxima mantém-se no mundo do futebol. As pessoas têm que ver que esta pandemia tem de abrir o olhos às empresas. Chaves tem muitos flavienses espalhados pelo mundo fora por falta de aposta. É bom ver o nosso nome reconhecido e falado, mesmo que seja por adeptos. Não há convite nenhum por parte do Chaves, há abordagens de outros clube, um até do estrangeiro mas estou a ponderar tudo.

O conhecimento do campeonato sub-23 no SC Braga e do CP no Montalegre podia ser uma mais-valia?
Os dois anos de CP deram-me muito conhecimento de jogadores, fruto da oferta de empresários, pois o Montalegre não tinha condições para recrutamento, mas as informações iam chegando. Conseguimos chegar a grandes clubes, com cinco atletas emprestados, sem custos para o clube, fruto de muito trabalho, dedicação e empenho. O exemplo máximo disso é o lançamento do Bruno Morais e Bruno Lourenço, que jogaram sub-23 e hoje são titulares da primeira equipa do Aves, na I Liga.

Com a pandemia o futebol está a mudar, qual o caminho para os clubes da cá?
A nova realidade é o que já debati há muito tempo e falei com elementos da FPF. O CP tem de ser visto com outros olhos, é o maior campeonato de Portugal, com mais clubes, e os atletas têm de ser vistos de outra forma. Houve atletas com muitos meses de ordenados em atraso, e daí os movimentos de solidariedade, pois não tinham contratos. Devia haver acordo com uma seguradora e segurança social para os atletas terem um contrato profissional e haver limite de jogadores amadores neste escalão. Os clubes têm de se reorganizar e não podem viver no amadorismo pois não ajuda o panorama do futebol português.

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