A flaviense Daniela Ferreira teve mais uma época de sucesso no andebol em França. Ao serviço do US Ivry Handball, voltou a alcançar o título e a subida de divisão, atingindo o Nacional 2. Desde que chegou ao clube há cinco anos, já alcançou três subidas e passou dos regionais até ao segundo escalão, tendo conquistado também em 2017/18 a Taça da Liga. Conciliando o trabalho, como educadora na área do desporto, com a modalidade de sempre da sua vida, a transmontana de 25 anos contou À Voz de Chaves como correu a temporada e quais os seus objetivos num futuro próximo.

Foto: Bertrand Delhomme

A Voz de Chaves: Como correu a temporada, que culminou com o título?
Daniela Ferreira: Tivemos um inicio de temporada difícil, com duas derrotas de dez golos nos três primeiros jogos. Começamos a pensar que o objetivo que era a subida de divisão ia ser complicado. Mas com o trabalho esforço e dedicação conseguimos esquecer esses dois jogos e ficamos focadas no objetivo da época. O trabalho deu frutos porque não perdemos mais nenhum jogo até ao fim da fase de grupos. Passámos aos playoff’s com apenas duas derrotas em 14 jogos.

E a fase final?
O início dos playoff’s também não foi fácil. Tivemos pelos menos cinco lesionadas em 12 jogadoras (quatro delas pertenciam ao ‘7 inicial’). Eu fiz parte da lista, estive dois meses sem jogar com uma rotura de ligamentos do tornozelo. Mesmo assim fomos à guerra com a intenção de sairmos vitoriosas sabendo que ia ser complicado. Acabamos os playoff’s com uma derrota em oito jogos e fomos campeãs na última jornada em casa no jogo decisivo para o título (vitória 21-20 nos últimos minutos) num ambiente fantástico.

Começou mal mas acabou bem…
Foi uma época com altos e baixos mas que resultou na conquista do troféu. Sem esquecer que de setembro a março jogamos todos os fins de semana ‘non stop’. Jogos do campeonato e Taça da França (onde fomos eliminadas nos oitavos de final).

Era o objetivo o título?
Todos os anos no início da época fazemos uma reunião de equipa para discutir os objetivos. E todos estivemos de acordo que o objetivo era sermos campeãs mesmo sabendo que iria ser complicado.

E pessoalmente como correu a época?
Fiz um início de época medíocre. Após as duas derrotas toda a equipa se questionou do objetivo mas estava fora de questão de baixar os braços. Trabalhamos muito e levantamos a cabeça e a partir daí o trabalho deu frutos. Acabei a fase de grupos com uma média de cinco golos por jogo. Infelizmente ao momento onde me sentia mais em forma (a uma semana do início dos playoff’s) lesionei-me. Foi complicado para mim. Estive dois meses sem jogar mas nunca abandonei. Estive presente a todos os treinos, mesmo de muletas, e jogos. Desde que pude pus-me ao trabalho e consegui recuperar para os últimos dois jogos da época onde fiz um 10/12 golos e 4/6 no último.

Como se explicam duas épocas com duas conquistas?
São duas épocas seguidas de bons resultados graças a um espírito de equipa incrível. Dentro de campo somos todas amigas mesmo se fora às vezes nem nos falamos. Nunca abandonámos e estivemos sempre focadas no nosso objetivo. Trememos mas não caímos.

Até onde pode ir esta equipa?
O nosso objetivo é subir passo a passo. O único problema é que o clube não vai conseguir acompanhar-nos financeiramente. O US Ivry Handball tem uma equipa masculina na 1ª Divisão e um centro de formação masculino e eles são a prioridade. No que depende de nós vamos provar ao clube que também merecemos um reconhecimento. Infelizmente o andebol feminino não dá a ganhar tanto como o masculino e sofremos as consequências.

E qual é o objetivo para a próxima época?
O nosso primeiro objetivo de equipa vai ser a manutenção em N2. Neste campeonato há uma grande mudança de ritmo de jogo em relação à N3. O nível de jogo é mais elevado, mais rápido. Vai ser preciso trabalhar muito mas estamos conscientes disso. No mês de agosto vamos fazer um estágio de preparação e integração das novas jogadoras. E depois os dados serão lançados e iremos fazer o melhor de nós.

Qual é o teu objetivo na carreira?
O meu objetivo já está alcançado. Desde a minha chegada a este clube já vivi três subidas de divisão… Neste nível (N2) ainda é possível conciliar trabalho e andebol o que é ideal para mim. Não vejo a minha vida sem o andebol mas infelizmente não posso deixar de trabalhar, a este nível só alguns clubes pagam e não é o caso do meu. Desde que comecei o andebol em Chaves sempre tive o sonho de ser profissional e penso que se um dia tiver essa sorte eu não vou recusar.

Como viu a tua família mais uma época de sucesso?
A minha família ficou orgulhosa sem duvida mas para eles o andebol é só um passatempo. Tenho pena que a minha família não possa estar presente para viver estes momentos comigo. Mas agradeço-lhes por nunca me terem proibido de fazer aquilo que gosto e estarem sempre a meu lado nas derrotas e nas vitórias.

Diogo Caldas

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