A Associação dos Pastores e Agricultores do Norte (APT) alerta para as dificuldades de escoamento que os produtores estão a enfrentar devido à crise provocada pela pandemia da covid-19 e exige que “se pague um preço justo pela produção”.

A APT considera que os agricultores “continuam a ser o parente pobre, apesar de toda a gente depender deles para se alimentar”, e dá exemplos das principais dificuldades que os produtores enfrentam: os apoios para a manutenção das explorações agrícolas em zonas desfavorecidas são cada vez menores. No início do quadro comunitário 2020 eram de cerca de 260€/ha, agora rondam os 220€/ha.

A APT diz ainda que os agricultores/pastores que queiram candidatar-se aos fundos comunitários para comprar gado autóctone não o conseguem fazer uma vez que a verba destinada a essa área já “foi toda gasta”. 

A associação que representa os agricultores e pastores do distrito de Vila Real reivindica mais apoios, mas quer sobretudo “que se pague um preço justo pela produção dos agricultores” que têm várias despesas com o animal, sublinha o diretor da Federação Nacional dos Baldios (BALADI), Daniel Serralheiro.

O grupo Sonae MC esteve em Chaves, no dia 24 de junho, onde reuniu com os produtores pecuários para formar parcerias para ajudar a escoar a produção.

O responsável considera que é uma boa iniciativa, mas que “não é a solução para o futuro”. 

“É preciso de uma vez por todas que se pague um preço justo pela produção. Um agricultor não pode vender 1kg de carne a 4,50€ e, depois, no talho/supermercado ser vendido a 10€/kg. O talho que só colocou a carne no frio e cortou ganha 5,50€/kg e o agricultor que criou o animal ganha apenas 4,50€, tendo despesas com a ração, veterinários, entre outras”, sustentou Daniel Serralheiro.

Ao nível da floresta, estão a decorrer as candidaturas ao PDR2020 para reflorestação, controlo de espécies invasoras e limpeza.

O diretor da BALADI explica que as candidaturas apresentadas para baldios, e inseridos em áreas protegidas, têm maior probabilidade de serem aprovadas, sendo que o financiamento ronda os 85%. Daniel Serralheiro lembra ainda que devido à pandemia as vistorias realizadas pelo IFAP “não estão a ser feitas” o que atrasa ainda mais a validação das candidaturas.

“Em condições normais a burocracia toda do sistema atrasa a análise e a validação das candidaturas, agora com a pandemia o atraso é ainda maior, trazendo duas consequências: o projeto é executado com demora a receber ou o projeto fica por fazer, o que pode levar a um maior risco de incêndio”, explica.

Recorde-se que a Federação Nacional dos Baldios assinou no ano passado, no dia 1 de fevereiro, um protocolo com o ICNF e com o Governo para a criação de dez agrupamentos de baldios a nível nacional, sendo que na região do Alto Tâmega foram criados três: o Agrupamento de Baldios Terras de Aguiar, em Vila Pouca de Aguiar, o Agrupamento Vale do Tâmega, destinado aos municípios de Chaves e Boticas, e o Agrupamento de Baldios do Gerês, em Montalegre.

Esta foi uma das conquistas da BALADI, assente na ideia de melhoria na gestão dos cerca de 400 mil hectares de baldios existentes em todo o território nacional, sendo que a maior parte desses baldios se concentra na região do Alto Tâmega.

Através destes agrupamentos será feito o levantamento dos limites dos baldios com recurso a GPS e será dado apoio na gestão dessas áreas. Em cada agrupamento do Alto Tâmega serão ainda criadas zonas com 100 ha para gestão de matos. O protocolo tem a duração de três anos.

Promover turisticamente estes territórios é outro dos objetivos da BALADI que pretende desenvolver dois percursos pedestres, recuperando casas florestais, e criar um “baloiço para o infinito”, semelhante ao baloiço gigante de madeira construído na serra da Lousã. 

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