Perto dos 100 dias à frente dos destinos da ACISAT, Vitor Pimentel, em entrevista, salienta as principais metas da associação. Entre elas a criação de uma incubadora de empresas, na antiga sede, e depender cada vez menos de fundos comunitários para dinamizar o tecido empresarial da região.

A Voz de Chaves: Completados os 80 dias à frente da ACISAT, quais são, agora, as principais metas da associação empresarial?
Vitor Pimentel – As nossas metas prioritárias, enquanto associação empresarial, é criar valor para a região e tornar a associação cada vez menos dependente fundos comunitários.
Quanto ao primeiro aspeto, queremos assumir, como é da nossa responsabilidade, o papel fundamental na qualificação e dinamização do tecido empresarial, na promoção do empreendedorismo, na inovação, no estabelecimento de sinergias entre os vários agentes económicos em busca de proveitos comuns.
Na verdade, o futuro da ACISAT passa por cooperar no desenvolvimento de gabinetes de inovação e de apoio à consultoria e informação a novos investidores, pela constituição de uma verdadeira rede regional de apoio ao empreendedorismo e também pelo apoio e capacitação das empresas mais tradicionais ao nível do marketing e comunicação e da estratégia.

Há já alguma medida em concreto?
Em concreto, posso avançar que iremos rentabilizar o espaço da ACISAT, a antiga sede, no centro da cidade de Chaves, com a criação de uma incubadora de empresas, destinada a todos os empreendedores e empresas, nacionais ou estrangeiras, que pretendam desenvolver novas ideias, empresas ou negócios no Alto Tâmega ou a partir do Alto Tâmega, sempre numa perspetiva de somar valências à região.
Porém, além dos projetos que venham a ser concretizados, não poderemos esquecer a nossa vocação primordial que é responder às necessidades concretas dos nossos associados.

Só dos associados?
Também, como é obvio, às necessidades de quem procura os serviços e apoio da ACISAT. Na verdade, na ACISAT, estando ao serviço de toda a região, englobam-se associados e não associados, sem qualquer discriminação. No entanto, parece-me justo ser necessário fazer uma distinção entre associados e não associados, por exemplo, no que diz respeito ao valor a cobrar na prestação de serviços da ACISAT.

Referiu que uma das prioridades é tornar a Associação menos dependente dos fundos comunitários…
A ACISAT, se quer prestar um serviço na promoção da região, necessita de recursos financeiros e, em grande medida, depende dos apoios comunitários. O que pretendemos é desenvolver e promover eventos e projetos independentemente de apoios comunitários. A verdade é que a ACISAT está numa situação financeira difícil, mas isso não impede de definir uma estratégia bem delineada que permita captar financiamento, além dos fundos comunitários, para colocar à disposição da promoção do tecido empresarial.

A Feira dos Santos é um desses eventos?
Até agora não, mas passará a ser.

Como assim?
Sendo a Feira dos Santos organizada pela ACISAT, em parceria com o Município de Chaves, com toda a responsabilidade na sua operacionalização, segundo o protocolo em vigor, com os lucos provenientes da Feira dos Santos, a ACISAT tinha a obrigatoriedade de financiar a iluminação de Natal, no valor de 20 mil euros. Após a apresentação do relatório de contas da edição deste ano, ficou estabelecido alterar o protocolo entre a ACISAT e o Município de Chaves, em que a ACISAT ficará desobrigada a investir na iluminação de Natal, a partir do próximo ano.

Qual foi o lucro decorrente da Feira dos Santos deste ano de 2018?
Os números não variaram muito em relação às edições anteriores. Tivemos 503 expositores, que geraram um valor de receita de cerca de 105 mil euros. A nível de despesas, o valor foi de cerca de 82.500 euros (em números aproximados, as despesas dividem-se por: Promoção da Feira, 4 mil euros; Animação, 11 mil euros; Vigilância, 7 mil euros; Trabalhos Especializados – limpeza, rede elétrica, aluguer de stands, painéis de vedação- cerca de 45 mil euros; Prémios do Concurso de Gado, 9 mil euros; Taxas e Licenças, 3 mil euros; Pessoal –organização e fiscalização; 4 mil euros). Tendo a ACISAT que financiar a iluminação de Natal, o que ficou na Associação foi cerca de 2.500 euros.

Não tendo que financiar a iluminação de Natal de 2019, o que se pretende fazer com os lucros que venham a surgir da edição da próxima Feira dos Santos?
Com esse valor, segundo a estratégia referida, pretendemos, em concreto, aplicar em eventos ou projetos para dinamização do comércio local, investindo em ações nas alturas em que o comércio vive momentos de paragem e precisa de atrair mais gente.

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