Cristiana Pires Alves Neurofisiologia

Cristiana Pires Alves
Neurofisiologia

Há algumas semanas, trouxe aos leitores o tema do olho biónico, apesar de não ter conseguido descrevê-lo, pois a descrição da via visual ocupou o espaço da rúbrica. Esta semana irei dedicar este artigo ao dispositivo referido: o olho biónico.
O olho biónico é um dispositivo bioelectrónico que tem como objectivo a substituição de uma parte ou de todo o sistema visual. Actualmente não existem dispositivos que susbtituam inteiramente o sistema visual, no entanto já existem alguns dispositivos que permitem substituir parte da via visual: alguns corrigem os défices na região anterior do globo ocular (próteses de córnea ou cristalino); outros corrigem os défices na região posterior (na retina).
Os dispositivos para melhorar a visão de patologias que afectam a retina são complexos, mas é aqui que entra o verdadeiro conceito de olho biónico. Este olho biónico corrige o défice visual que ocorre na mácula (ponto de maior definição visual na retina).
O olho biónico é constituído por componentes bioelectrónicos externos e internos. Os componentes bioelectrónicos externos são a câmara digital, a unidade de processamento de vídeo e o rádio-transmissor, enquanto os componentes internos são constituídos por o rádio-receptor e o implante retinal.
A câmara digital está incorporada nuns óculos, que regista as imagens que estão no seu alcance. A imagem segue depois para a unidade de processamento de vídeo e, posteriormente, segue para o rádio-receptor através do rádio-transmissor. Do rádio-receptor segue para o implante retinal. O implante retinal contém eléctrodos que estimulam a retina e, a partir deste ponto, a informação segue a via visual fisiológica até ao córtex visual, no cérebro. Actualmente a resolução visual deste dispositivo não é perfeita: a informação é processada como pontos de luz que definem a forma dos objectos.
Apesar de não se tratar da imagem ideal, com o treino, é possível identificar e localizar objectos e o seu movimento, reconhecer letras grandes, permitindo ler palavras e frases, e também auxiliar noutras actividades do dia-a-dia. Mesmo não sendo uma imagem perfeita, permite dar visão a pessoas que a perderam devido a patologias que afectam a mácula.
O dispositivo descrito é já comercializado nos Estados Unidos da América e em alguns países da União Europeia, mas espera-se que ocorram ainda melhorias significativas, quer em tamanho do aparelho, quer em resolução da imagem.
Há outras tecnologias em estudo: substituição dos foto-receptores por eléctrodos de micro-escala; retina artificial de silicone; unidade múltipla de retina artificial; prótese subretinal foto-voltaica; tecnologia holográfica.
De uma forma geral, para além de uma melhoria e implementação efectiva das tecnologias actuais, espera-se também que novas tecnologias surjam, podendo até serem implementados eléctrodos para estimulação cortical.
No próximo artigo irei abordar uma técnica que foi referida diversas vezes num debate televisivo da semana passada: o neurofeedback.
Qualquer dúvida, questão ou esclarecimento, por favor, contacte-nos através de saude.nao.mente@gmail.com.

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