Dulce Claro inaugurou no passado dia 25 de Julho uma Exposição de Cerâmica e Pintura, na Galeria do Forte de S. Francisco, que vai estar patente ao público até 31 de Agosto. No dia da Abertura, uma tarde de verão luminosa e brilhante, tal como a sua arte, o Jornal A Voz de Chaves esteve presente e falou com a artista.

Meia centena de pessoas teve a oportunidade de apreciar a arte de Dulce Claro e de ouvir a pintora que atenciosamente se dividia pelos grupos que contemplavam e saboreavam as obras expostas. Segundo Carneiro Rodrigues, telas que reflectem a menina-artista que se esconde atrás de uma pintura naïf, plena de simplicidade mas também imbuída de uma simbologia ligada à Natureza, ao Outono e ao Sonho.
Uma Exposição a não perder quer pela sua diversidade, quer pela pureza fresca que serena a alma nestes tempos de convulsão que atravessam o mundo.

V.C. Por que razão este nome Mulheres de Setembro?
D.C. Sem dúvida esta é uma exposição no feminino, dedicada às mulheres em geral mas em especial às que nasceram em Setembro como eu. Para mim o mês de Setembro encerra em si mesmo um simbolismo próprio, é tempo de colher os últimos frutos para depois a natureza se recolher e preparar para um novo ciclo. Foi neste mês que nasci, em que renasci e é sempre o mês em que me renovo e me reinvento. Assim, foi neste mês que decidi regressar ao mundo das exposições, sendo desde então, um dos objectivos a concretizar em 2020.

V.C. Há uma dominância de azuis na sua pintura. Alguma razão, simbologia? Ou é aleatório?
D.C. Assim como todas as obras de arte expostas, estão cheias de simbolismo, o azul das mesmas também tem uma razão para estar plasmado em todos estes trabalhos O azul é uma cor fresca e tranquilizante, é como um sedativo sobre a mente que me permite conectar com o meu eu criativo e com a minha intuição tornando mais claras as ideias que surgem.

V.C. De que forma explica o seu processo criativo na pintura?
D.C. O meu processo criativo nasce de uma ideia que vou trabalhando e visualizando até ao momento em que a esboço na tela; a este esboço vou acrescentando outros elementos que vão surgindo à medida que completo a ideia inicial, depois introduzo as cores que definem melhor as formas, que lhes dão vida e harmonia.

V.C. A cerâmica e azulejaria são outras formas de se expressar artisticamente. Como distingue essas várias formas de expressão?
D.C. Realmente a cerâmica é sem dúvida a minha arte de eleição; é estimulante transformar matéria-prima “argila” no seu estado mais rudimentar e puro, em objectos tridimensionais com forma cor e que falam connosco, pois sempre têm uma mensagem quer através da forma quer da pintura vítrea na sua superfície. A azulejaria consiste numa ou mais placas cerâmicas, de superfície plana que recebem como uma tela a ideia, a criatividade que lhe queremos dar. A diferença é que estamos a pintar sobre superfícies porosas com tintas de alto fogo por este motivo a técnica de pintura é diferente pois todos os trabalhos têm duas cozeduras em fornos específicos e com temperaturas que vão dos 850º aos 1250º graus centígrados.

V.C. Explicite em que aspectos, essas várias manifestações se complementam.
D.C. São duas formas de arte diferentes na essência e nas técnicas utilizadas, complementam-se apenas nos esquemas mentais e cognitivos necessários à concepção da obra de arte.

V.C. Proponho estas citações: Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente jamais será arte. Picasso; A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade. Picasso; O essencial na arte é exprimir; o que se exprime não tem importância. Fernando Pessoa. Enquanto artista plástica, com qual delas se identifica mais e por que razões.
D.C. Das três propostas, escolho a primeira de Pablo Picasso. Filosoficamente falando se obra de Arte não é concebida num determinado momento do presente, nunca terá hipótese de ter futuro e tão pouco um passado, porque simplesmente não existe no mundo da Arte.
A criação de uma obra de Arte é o momento em que ela se cria, para o artista as suas obras serão sempre grandes obras de arte. Para o mundo ela só será OBRA DE ARTE depois de submetida e aceite por quem a aprecia.

V.C. Explicite a mensagem que pretende partilhar com a sua arte.
D.C. A arte é a contemplação do belo, que cada um descubra com prazer e sentimento a essência e a alma de cada obra.

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