A cidade de Chaves encheu-se de gente em mais uma edição daquela que é considerada a maior feira de rua do país: a Feira dos Santos.

Os divertimentos, situados junto à Ponte de São Roque, na margem da freguesia de Santa Maria Maior, entraram em funcionamento no dia 5 de outubro, mas a feira com as habituais tendas espalhadas pelas várias artérias da cidade decorreu nos dias 30 e 31 de outubro e 1 de novembro.

Na terça-feira, dia 30, o dia dedicado à “Feira da Lã” começou às 10h com uma arruada pelo Grupo de Fantoches e Cabeçudos do Teatro Experimental Flaviense (TEF) que marcaram presença nos restantes dias da Feira, bem como o Grupo de Concertinas do Monumento. Ainda neste dia decorreu, pelas 19h, a abertura oficial na Biblioteca Municipal de Chaves, na qual esteve presente o Secretário de Estado da Valorização do Interior, João Catarino. Foi também no dia 30 que teve início a primeira de três noites da atividade “Santos da Noite 2018”, com a participação de alguns estabelecimentos de diversão noturna da cidade flaviense.

O dia 31 tem por costume ser o dia da “Feira do Gado” e também do “Festival Gastronómico do Polvo” que todos os anos reúne centenas de pessoas que a esta iguaria juntam o pão e o vinho tinto. Também neste dia, no Forte de São Neutel, decorreu o 16º Concurso Nacional Pecuário das raças Barrosã, Mirandesa e Maronesa, o 6º Concurso Concelhio de Cão de Gado Transmontano, o 5º Concurso Concelhio de Suínos da Raça Bísara e o 3º Concurso Concelhio de Ovinos de Raça Churra Galega Bragançana. À noite a animação musical esteve a cargo de Augusto Canário e Amigos.

No terceiro e último dia, Dia de Todos os Santos, destaque para o Festival de Folclore no qual participaram o Rancho Folclórico do Grupo Cultural da Serra do Brunheiro, do Grupo de Danças e Cantares Regionais de Santo Estêvão, do Rancho Folclórico Associação Desportiva e Cultural dos Amigos de Vilas Boas e do Rancho Folclórico dos Ases da Madalena.

Durante os três dias, como tem sido apanágio nas últimas edições, realizou-se a iniciativa “Stock Out – O comércio sai à rua”, a mostra de automóveis usados, no Largo do Pelourinho, e ainda a de automóveis novos e máquinas agrícolas, no Largo da Lapa.

Cerca de 150 mil pessoas visitaram a Feira dos Santos

A Feira dos Santos 2018 foi o primeiro grande evento organizado pela nova direção da ACISAT – Associação Empresarial do Alto Tâmega liderada por Vitor Pimentel que, em declarações prestadas ao jornal A Voz de Chaves no passado dia 6 de novembro, referiu que as expetativas relativamente à Feira dos Santos ficaram dentro daquilo que era previsto: “O dia 30 não foi um dia fácil, até pelas condições climatéricas, e também por ser uma terça-feira, não estando colada a nenhum dos fins de semana. Esse dia ficou um pouco aquém. Mas os dias 31 de outubro e o dia 1 de novembro superaram amplamente no que diz respeito à gente que havia na rua. O feedback dos participantes da Feira foi muito bom. As pessoas do comércio tradicional e também os feirantes disseram que havia muita gente na rua, seguramente mais de 150 mil pessoas estiveram neste certame. Contudo, o dinheiro para gastar era pouco. Mas isso é um mal global, é a crise que obriga a isso”.

 

O dirigente disse ainda não ter números concretos relativamente à hotelaria, mas afirmou que muito provavelmente a taxa de ocupação foi muito elevada.

Uma das grandes preocupações de quem organiza a Feira dos Santos são os comerciantes da cidade flaviense, e Vitor Pimentel fez questão de realçar esse ponto: “É necessário reorganizar a Feira dos Santos, planeá-la e adaptá-la à realidade. Também é importante que nós consigamos chamar mais os nossos comerciantes à Feira, fazê-los sentirem-se parte integrante da mesma. E isso só se consegue se nós ouvirmos também aquilo que eles têm para dizer. Isso resulta num trabalho que não era possível fazer num mês, mas que é perfeitamente possível fazer num ano. E existe essa vontade, tanto por parte da Associação, como por parte da autarquia. Não queremos que ninguém se sinta prejudicado pela Feira. Queremos que as pessoas percebam que a Feira dos Santos tem de ser uma forma de as pessoas voltarem a Chaves e aos outros municípios do Alto Tâmega quando não há feira. E, portanto, também vamos tirar ganhos indiretos deste evento”.

Municípios do Alto Tâmega unidos na promoção de uma marca única

Uma das novidades deste ano foi a presença, no Largo General Silveira, de stands dos seis municípios do Alto Tâmega – Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar – nos quais foi promovido o que de melhor cada concelho tem para oferecer.

“Se temos uma feira que sabemos que tem grande história e que traz muita gente, mas cada vez com menos dinheiro, se calhar temos de reorganizá-la e readaptá-la, fazer dela uma montra da região, e tenho batido muito neste ponto. Foi isso que tentámos fazer no Largo General Silveira, e acho que foi muito bem conseguido”, referiu o presidente da ACISAT, e acrescentou que esta mostra “demonstra uma união, demonstra que se trabalha a região como um todo, e aí dou o mérito a cada um dos líderes dos seis municípios e ao secretário da Comunidade Intermunicipal (Ramiro Gonçalves), que é a ligação entre todos, por estarem a consegui-lo. Nota-se perfeitamente que estão alinhados numa marca única, que é a marca do Alto Tâmega. É aí que nós também nos queremos alinhar”.

O presidente da ACISAT anunciou que ainda este mês de novembro a comunicação social será convocada pela ACISAT para ser feita uma prestação de contas: “As pessoas têm o direito de saber os custos e os ganhos da Feira dos Santos e em que é aplicado esse dinheiro”.
A Feira dos Santos 2018 teve a organização conjunta da ACISAT e da Câmara Municipal de Chaves.

Maura Teixeira

 

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