Respeitando as regras de distanciamento, o Chaves Running Team já voltou ao ativo, com os treinos ao longo da semana. Receio devido à pandemia de covid-19 faz com que adesão ainda seja pequena. ‘Família’ flaviense retoma aos poucos os treinos.

A Voz de Chaves foi acompanhar o arranque de um treino da equipa de atletismo flaviense em tempos de covid-19. Com o desconfinamento, volta a ser possível a retoma de algumas atividades desportivas e as corridas ao ar livre são uma delas. Os receios fazem com que o grupo ainda não esteja todo reunido, mas são já muitos os que não perderam tempo em voltar a treinar com os companheiros de corrida. Sem provas ainda à vista, com os eventos a serem cancelados, a reunião é para já suficiente após quase dois meses separados.

Logo à partida, o regresso aos treinos é diferente do habitual. Não há cumprimentos, apenas saudações à distância, mas a ‘família’ do Chaves Running Team consegue conviver e, acima de tudo, treinar junta.

“Nunca mantemos grupo acima de dez elementos, sempre grupos pequenos e o pessoal está a aderir. Mantemos as distâncias logo a começar e aos poucos as pessoas estão a voltar”, conta João Oliveira.

A paragem dos treinos e das provas devido à pandemia leva o ultramaratonista flaviense a dizer: “foi a época mais difícil das nossas vidas”.

E explica: “para quem treina praticamente todos os dias, com provas ao fim-de-semana, e praticamente todo o grupo fazia isso, fez muita diferença. O stress de estar em casa, não por estar fechados, mas por faltar alguma coisa, foi difícil”.

Habituado a corridas de longa distância, muitas vezes sozinho, João Oliveira confessa que continuou a treinar mas que era tudo diferente.

Também a organização das provas a cargo do Chaves Running Team foi afetada, como o Trail de Chaves, a S. Silvestre ou o Raid dos Castelos.

“Não sabemos se será possível, mas esperamos ainda por ordens para saber se poderão realizar ainda este ano”, realça.

O receio é ainda um entrave para que todo o grupo se junte

João Oliveira explica que por norma os treinos era compostos por 20 elementos, por vezes mais, mas que o regresso está a ser feito aos poucos.

“Já tínhamos treinos organizados, percursos diferentes para ritmos diferentes de cada pessoa”, realça o flaviense, que garante ter também isso organizado caso aumento a participação nos treinos.

Mas por agora “para o pessoal se organizar aqui ainda há receio, conseguíamos ter mais de 20 elementos por treino e até agora ainda não temos esse número”.

Como treina o Chaves Running Team

O ponto de encontro é sempre junto à Junta da Freguesia da Madalena/Samaiões. Devido às restrições, os grupos de corrida são compostos até dez pessoas, com distância entre eles de dois metros em paralelo e de quatro metros do que está à frente para o que está atrás.

Voz aos atletas

Marilene Faria
“É sempre bom o regresso pois é um incentivo e quando há mais elementos é um incentivo maior. Não é o mesmo incentivo, correr sem o grupo, é uma amizade que se cria na corrida, companheirismo e sentimos falta de isso tudo. Vamos aos pontos tentando regressar à normalidade e ver se vai para a frente”.

Céu Costa
“Tentei sempre fazer os treinos sozinha ou com o máximo de um colega. Estamos a tentar retomar a rotina, mantendo a distância aconselhável e tentarmos ter o maior cuidado possível para voltar rápido à normalidade. É uma terapia muito boa, chegar ao final do dia, juntar com o grupo de amigos e fazer treino é muito gratificante. Vamos continuar com muitas precauções e cuidados para que as coisas voltem rapidamente ao normal. Temos saudades dos treinos e das provas”.

Tiago Oliveira
“Sou o elemento mais novo do grupo, entrei no inicio do ano, mais pelo convívio e menos pelas provas. Foi pela prática desportiva. O que nos une mais é a prática desportiva em grupo. Com as regras de confinamento tínhamos de treinar separados, agora vamos treinando, claro que sem grupos grandes, mas vamos cumprido as regras e olhando uns pelos outros. Praticar desporto é bom mas em segurança é ainda melhor. Sabe sempre bem treinar em grupo e já é um incentivo maior do que sozinho”.

José Carreira
“Tenho treinado sempre, das poucas coisas que tenho feito nesta situação, além de trabalhar. Não tem sido fácil este confinamento, pois custa muito quebrar as rotinas. Para além de um grupo de corridas é uma família, convívio diário, ao fim-de-semana para as provas. É um convívio bastante grande e com o tempo criam-se laços. Sentíamos falta como tudo, de lidar com a família ou ir ao café, ou o simples cumprimentar. Agora podemos treinar até dez pessoas, mas as pessoas ainda têm medo”.

 

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