A visão em conjunto dos seis municípios do Alto Tâmega permitiu um investimento de 400 mil euros, suportado exclusivamente pelas autarquias, para construir e dar vida ao novo Posto de Turismo do Alto Tâmega. Obra está sediada em Chaves e será a “porta de entrada” para os visitantes da região.

A obra foi inaugurada na quinta-feira e contou com a presença da secretária de Estado da Valorização do Interior e do presidente do Turismo do Porto e do Norte, Luís Pedro Martins.

Para o atual presidente da CIM do Alto Tâmega, Orlando Alves, o posto de turismo inaugurado na quinta-feira é “um bom exemplo” de que quando os autarcas conseguem esquecer “políticas paroquiais e circunscritas ao concelho” trabalham em “desígnios e projetos estruturantes”.

“Estamos a construir uma centralidade na ‘descentralidade’. Chaves é historicamente a capital desta sub-região, está uma cidade bonita, que disputa um mercado populacional fantástico que é o galego e tem sabido atrair, tendo tudo para se afirmar como uma das cidades médias do futuro em Portugal”, frisou o também presidente da Câmara de Montalegre.

Orlando Alves desafiou ainda os restantes autarcas da CIM do Alto Tâmega a incluírem o nome ‘Barroso’ na designação, defendendo ser uma marca “forte e identitária” para atrair mais turismo.

“O Barroso junta os municípios de Montalegre e Boticas, é considerado Património Agrícola Mundial, tem um terço do Parque Nacional da Peneda-Gerês e o Alto Tâmega não se pode esquecer disso”, realçou.

Ramiro Gonçalves, primeiro secretário executivo da CIM Alto Tâmega: “Este é um projeto único a nível nacional, emblemático, a nível de uma região que se une. Este é um projeto que representa uma identidade e só foi possível porque os seis presidentes decidiram financiar. É uma prova de resiliência de um projeto difícil de concretizar com muitos problemas pelo meio. Será a porta de entrada para os seus municípios e junta tudo o que a região tem de melhor”.

Fernando Queiroga, presidente da CM Boticas: “A secretária de Estado tinha de estar presente neste momento, por tanto que tem feito pelo território. Não é fácil haver sintonia e concordância de seis autarcas para se instalar um posto de turismo afeto aos seis concelhos. Sabemos onde podemos alavancar e a porta de entrada é Chaves e vamos agora promover este território”.

Nuno Vaz, presidente da CM Chaves: “A CIMAT é um elemento agregador do compromisso solidário de todos os municípios. Nota-se aqui uma visão estratégica conjunta e de solidariedade que deve ser destacada. É um dia feliz, sinto-me orgulhoso pois há aqui compromisso coletivo de seis autarcas que querem afirmar este território. O caminho é longo para percorrer”.

Orlando Alves, presidente da CM Montalegre: “Destaco a capacidade de entendimento que tivemos. Temos agora o nosso santuário de difusão e divulgação das nossas atividades dos nossos concelhos. Cumprimos o nosso dever e vamos continuar a exponenciar atitudes como estas. Antigamente a região era chamada de Alto Tâmega e Barroso e não tínhamos nada a perder em acrescentar ‘Barroso’ ao nome”.

João Noronha, presidente da CM Ribeira Pena: “O Alto Tâmega com esta demonstração fez ver a força e união que faz com que possamos ser olhados de uma forma diferente. Esta é uma porta para o turismo da região e esperamos que tenha alguma visibilidade para a riqueza patrimonial que temos e que possamos atrair os turistas para que estejam cá a percorrer o território durante mais dias”.

Jorge Pires, vereador da CM Valpaços: “Este projeto representa a resiliência e ambição dos autarcas do Alto Tâmega. É um projeto diferente que reúne os seis municípios. Nunca a palavra coesão fez tanto sentido mas também a valorização do território. Esperamos trazer pessoas ao território e que seja uma oportunidade de investimento e emprego na vasta área que é o turismo”.

Ana Rita Dias, vice-presidente da CM de Vila Pouca de Aguiar: “É um grande projeto que temos aqui, sabemos que projetos conjuntos de coesão são grandes projetos. Certamente que será promissor e fará mostrar que o reino maravilhoso do Alto Tâmega tem muito para descobrir. No posto vão ter a primeira viagem e consulta do nosso território e ficarão maravilhados e com desejo de voltar”.

Valorização do interior é ultrapassável com contributo de todos

A secretária de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira, considerou a valorização destes territórios um “desafio muito complexo”, mas possível de ultrapassar com o contributo, além do Governo, das autarquias, empresas e instituições locais.

“A valorização do interior é um desafio muito complexo, mas é possível de ultrapassar todos os dias se todos os atores relevantes contribuírem para essa valorização, e não é só o Governo central, como [também] os municípios, empresas, produtores ou instituições do ensino superior”, destacou após a inauguração do Posto de Turismo do Alto Tâmega.

Para a secretária de Estado, a valorização do interior começa nos próprios territórios, destacando o exemplo da CIM do Alto Tâmega que está “muito unida à volta de uma marca única e distintiva”.

“Esta união já deu origem a quatro postos de trabalho diretos e, certamente, a sua atividade atrairá muitos mais postos de trabalho e isso é o mais importante, projetos que criem emprego”, sustentou.

A governante considerou ainda que o exemplo do posto de turismo do Alto Tâmega deve ser seguido noutras zonas do país, pelo investimento ter sido totalmente suportado pelos municípios de Chaves, Boticas, Montalegre, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena.

Alto Tâmega pediu mais atenção para a região

Os presidentes das câmaras de Boticas e Chaves pediram mais atenção por parte do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), com esta entidade a destacar o “trabalho nunca antes feito” como agora nestes territórios.

O presidente do município de Boticas, Fernando Queiroga, considerou que as entidades locais estão a fazer “o seu caminho” na divulgação turística, mas precisam de mais.

“Estamos a fazer o nosso caminho e o Turismo do Porto e Norte tem a responsabilidade de nos ajudar a alavancar este território”, disse Fernando Queiroga.

Por seu lado, o presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, pediu uma “atenção distinta” por parte do TPNP como a que tem demonstrado para com as regiões do Douro e do Minho.

“Esperamos muito de vocês [TPNP] e ainda nos foi dado muito pouco”, reforçou Nuno Vaz.
Em resposta à “chamada de atenção” por parte destes autarcas, o presidente do TPNP, Luís Pedro Martins, afirmou que ao longo deste ano fez-se um trabalho como até aqui nunca se tinha feito nestes territórios, nomeadamente no Alto Tâmega.

“Sabemos que é um trabalho importante para se fazer, uma vez que havia um grande desequilíbrio no número de turistas do Porto para o resto da região Norte”, referiu.

A título de exemplo, o também presidente da Associação de Turismo do Porto, eleito na quinta-feira para o cargo, assinalou que, após o confinamento, a entidade fez uma ação de promoção com jornalistas e ‘bloggers’ nesta região.

Este trabalho de divulgação fez com que o Norte do país tivesse números “muito bons” em termos de taxas de ocupação hoteleira, que rondaram os 90%, contrastando com os 15 a 25% da cidade do Porto, ressalvou.

“Julgo, portanto, que algo funcionou bem, que a mensagem passou bem para que muitos turistas tenham vindo cá”, acrescentou o presidente do TPNP.

Diogo Caldas

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