A Festa da Literatura está de regresso à cidade de Chaves já na próxima semana, entre os dias 7 e 9 de novembro, com novas propostas para os leitores, mas também para os amantes das artes e da música.

Este ano a Festa da Literatura de Chaves (FLIC) irá abordar o Neorrealismo Português, que celebra oito décadas de existência no nosso país, e o centenário do nascimento da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, uma das mais importantes poetisas do século XX e também a primeira mulher portuguesa a ser galardoada com o Prémio Camões, em 1999.
O Rotary Club de Chaves voltará, pelo quarto ano consecutivo, a ser o epicentro deste grande certame cultural, concretizando assim o projeto do Clube dos Amigos do Livro que, em parceria com a Universidade Sénior de Rotary de Chaves, abre portas na próxima quinta-feira, dia 7, a partir das 15h45, com a atuação da CinquenTuna e com a inauguração da exposição de arte “Desvios (Con)Sentidos”. Neste dia, destaque ainda para a realização do jogo de imagens e palavras, no Acontece Arte 2019, e de uma mesa sobre “O movimento do neorrealismo nas artes plásticas”. À noite, às 20h30, é a vez do Grupo Júnior da Casa de Cultura Popular de Outeiro Seco subir a palco, assim como o Grupo de Poesia da Universidade Sénior de Rotary de Chaves embelezar ainda mais o sarau cultural. O dia termina com a mesa sobre “Sophia e o amor ao mar”, com moderação da professora Beatriz Martins.
O programa da FLIC foi pensado com o objetivo de alcançar o maior número de leitores e amantes das artes performativas e da música na região, mas foi também organizado a pensar nos mais pequenos e nas temáticas de ensino desenvolvidas nas escolas do concelho.
“Desde o início da FLIC que trabalhamos em parceria com várias escolas”, referiu a professora Manuela Rainho na segunda-feira, dia 28 de outubro, na apresentação da quarta edição da FLIC. Neste contexto, a festa da literatura será sobretudo direcionada para o 2º e 3º ciclos de ensino, onde é abordada a literatura de Sophia de Mello Breyner. Além das escolas, serão organizadas sessões no Regimento de Infantaria nº 19, na Escola Profissional de Chaves, no Centro de Formação Profissional de Chaves, sendo, no total, oito as mesas destinadas ao ensino. A iniciativa passará também pelo Estabelecimento Prisional da cidade.
Durante os três dias de certame, haverá apresentações de livros, danças, visionamento do filme “O direito à memória”, de Rúben Sevivas, tertúlias, visitas guiadas e vários debates.
Na arte, de acordo com Dulce Claro, coordenadora das artes na Universidade Sénior, serão privilegiados quatro artistas portugueses, Mário Lino, Carneiro Rodrigues, Orlando Pompeu e a própria Dulce Claro, que decidiu também apresentar ao público as suas obras, e ainda outros quatro artistas espanhóis: Cármen Touza, Chelo Rodriguez, Damián Contreras e Jose Garcia (Elohim).
“Queremos também sentir que as pessoas estão presentes e que sentem a arte e para isso teremos um placar para que pintores e escritores se manifestem nesse local com pinturas e textos. Entretanto, vamos tapando o que se vai fazendo para que a pessoa que vem a seguir não saiba o que está para trás e no final vamos ter uma obra de arte e um painel coletivo dos artistas que passaram pela FLIC”, referiu a coordenadora de artes da escola.
Presente na conferência de imprensa, João Vasco Reis Morais enalteceu a iniciativa e o orgulho que todos deveriam sentir pela organização deste evento “fora do normal” na cidade.
“Tem sido um desafio para mim e muito entusiasmante. O melhor disto tudo é que consegue abranger toda a cidade e espero que a comunidade aproveite”, afirmou João Vasco Reis Morais, coordenador pedagógico da Universidade.
O escritor José Leon Machado acredita que a FLIC é uma mais valia para a cidade e também para a literatura e que deve por isso continuar a acontecer durante muitos anos.
“Creio que é importante para a região e para a cidade, e para aqueles que escrevem nesta região. Em muitas das festas que há por aí vem sempre gente de fora, os escritores são quase sempre de fora e são sempre os mesmos. E não pode ser. Nós aqui não entramos nesse esquema e isso tem permitido apresentar novos autores da região e da Galiza”, destacou o escritor flaviense.
O ano passado a FLIC conseguiu atrair 1500 pessoas, um número que a organização espera alcançar, com maior divulgação, nomeadamente nas redes sociais, conforme lembrou Hélder Pereira, diretor executivo da Universidade Sénior.
A iniciativa é organizada pelo Clube dos Amigos do Livro de Chaves em parceria com a Universidade Sénior de Rotay de Chaves, no âmbito do Rotary Club de Chaves instituição promotora do evento.

Cátia Portela

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