Uma delas, a viatura de combate a incêndios, foi adquirida através de verbas angariadas pela comunidade transmontana residente em Nova Iorque. Cerimónia de aniversário foi presidida pelo secretário de Estado da Proteção Civil.

O antigo quartel dos Bombeiros Voluntários Flavienses (BVF), espaço que atualmente alberga a Biblioteca Municipal, voltou a ser, no domingo de manhã, dia 3, o “teatro de operações” da corporação. Desta vez, foi para inaugurar uma exposição, com várias fotografias, da autoria de Albano Nascimento, e outros documentos daquela companhia, e para dar a conhecer o percurso dos BVF ao longo destes 130 anos, através do historiador Nuno Pizarro Dias. A exposição estará patente ao público até 11 de fevereiro.

As celebrações do centésimo trigésimo aniversário dos bombeiros continuaram no exterior do edifício na presença do secretário de Estado da Proteção Civil e outras entidades civis e militares do concelho e da região e de várias dezenas de flavienses.

Comandante José Lima pede mais “respeito” e “apoios” para os bombeiros voluntários

Fundada a 3 de fevereiro de 1889, Aníbal Barros foi o primeiro comandante responsável por liderar a corporação dos BVF, a segunda associação humanitária de bombeiros mais antiga do distrito. Foi com a alusão a este ilustre flaviense que o atual comandante da corporação, José Lima, iniciou o seu discurso agradecendo a todos os seus antecessores pelo serviço prestado à comunidade. José Lima deixou ainda uma palavra de agradecimento aos seus homens e mulheres pelo trabalho e empenho diários no cumprimento das suas missões e elogiou também o trabalho desenvolvido pela direção, sempre “capaz de fornecer os meios necessários”, e pela autarquia. Por fim, José Lima dirigiu várias críticas ao Governo sobre a nova legislação da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC).

Para o comandante dos bombeiros, a criação destas estruturas, no âmbito da nova lei orgânica da ANPC, servirá “apenas para criar alguns cargos para os amigos” e “nenhum problema resolverão aos bombeiros ou às associações”.

No mesmo sentido, o responsável disse estranhar a falta de preocupação da Liga dos Bombeiros Portugueses pelo facto do projeto de alteração legislativa não contemplar “sérios benefícios para os bombeiros” para cativar mais pessoas para os corpos de bombeiros, nem contemplar a atribuição de mais verbas para as associações para a aquisição de meios.

O comandante dos BVF afirmou que era chegada a hora “destas mulheres e homens, bem como as associações verem os seus esforços respeitados e reconhecidos pelo Governo”.

Flavienses em Nova Iorque angariaram 50 mil euros para a compra da nova viatura de combate a incêndios

Em dia de aniversário, os BVF apresentaram as quatro novas viaturas que irão ajudar a servir ainda melhor a população. Um desses veículos foi adquirido graças ao contributo solidário da comunidade transmontana que reside em Nova Iorque.

“Para mim foi um prazer fazer parte desta organização”, disse Joaquim Pereira, residente nos Estados Unidos da América há 38 anos. Além da sua generosidade, consigo trouxe ainda um abraço “dos nossos emigrantes” e deixou a garantia de continuar a apoiar os bombeiros.

Este veículo de combate a incêndios, de acordo com o presidente da direção dos bombeiros, vem reforçar e melhorar a capacidade operacional da corporação.

Para além desta viatura, ao “parque automóvel” dos bombeiros flavienses juntaram-se duas novas ambulâncias de transporte de doentes, que contaram com o contributo de Francisco Carvalho, sócio benemérito da associação. As duas ambulâncias de transporte de doentes foram apadrinhadas pelas suas netas Maria e Lorena Carvalho Santos. Já Gisela Lopes apadrinhou a mota de água, que contou com o apoio do flaviense José Lopes.

Visivelmente satisfeito, Nuno Coelho Chaves, lembrou os desafios constantes das associações e disse que o planeamento e o rigor têm sido a chave para a concretização desses desafios.

A corporação é constituída por cerca de uma centena de bombeiros. A área de atuação destes soldados da paz abrange 21 freguesias, cobrindo 53% da área geográfica do concelho. Em 2018, os BVF efetuaram 6603 serviços, percorreram mais de 750 mil quilómetros e totalizaram mais de 25 mil horas de intervenção e mais de 40 mil horas de voluntariado.

Em Chaves, o secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, elogiou a solidariedade dos cidadãos que em conjunto com a administração local e central permitiam formar a estrutura da proteção civil em todo o território nacional.

De acordo com o governante, o Estado atribuiu, desde 2016, cerca de 42 milhões de euros às corporações de bombeiros, sendo 31 milhões para a reabilitação de quarteis e 11 milhões para a aquisição de viaturas de combate a incêndios rurais.

O secretário de Estado da Proteção Civil destacou ainda a importância do voluntariado e disse que este tinha de ser “continuamente valorizado”. Neste contexto, o responsável lembrou o aumento de cinco euros na gratificação diária atribuída aos voluntários no combate aos incêndios, assim como a sua isenção a nível de impostos.

“A valorização do voluntariado vai continuar. Nós pretendemos aprovar, até ao final do mês, um diploma de apoio ao voluntariado em termos fiscais”, garantiu José Artur Neves, adiantando que o Governo tem ainda “outro conjunto de medidas”, de natureza social, que visam apoiar os bombeiros e que espera que sejam aprovados também em breve.

A cerimónia terminou com o desfile das forças em parada, dirigido pelo segundo comandante dos BVF, Artur Nogueira, a que se seguiu o almoço comemorativo do 130º aniversário.

Cátia Portela

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