Com a comédia social “O atelier do Papá”, o Grupo Cénico da Universidade Sénior do Rotary de Chaves encheu quase por completo o cineteatro Bento Martins no passado fim-de-semana. Para a encenadora Manuela Rainho, o teatro é uma “terapia” que vai conquistando cada vez mais “pacientes”.

 

Retratando de forma leve e fresca problemas laborais actuais, como o risco de desemprego, os interesses da entidade patronal ou o imparável avanço da modernidade sobre o tradicional, a peça “O Atelier do Papá”, da dramaturga francesa Laurette Gerussi, atraiu e divertiu muito público na semana passada. Esteve em cena no Cineteatro Bento Martins, de terça-feira a sábado, e os actores foram os alunos do Grupo Cénico da Universidade Sénior do Rotary de Chaves, que estrearam uma peça pela quinta vez.

 

Aos poucos, o teatro vai conquistando cada vez mais actores e espectadores flavienses. Na universidade sénior, “é quase uma terapia para as pessoas porque é uma forma de se libertarem de tensões, problemas… Sinto-me quase como uma psicóloga!”, ri-se Manuela Rainho, encenadora do grupo cénico. E hoje a sala de espectáculo já não fica às moscas. “O público é muito nosso amigo” e alguns actores já são reconhecidos pelos flavienses, garante Manuela Rainho, que foi professora de encenação e teatro na Escola Secundária Dr. António Granjo durante vários anos. “Neste momento, as pessoas já têm hábito de ir ao teatro, que é uma forma muito boa de as pessoas se cultivarem”, acrescenta a encenadora, que também destaca o “trabalho fantástico do Teatro Experimental Flaviense (TEF)”.

 

Este fim-de-semana, Grupo Cénico apresenta peça “A Criada Zerlina”

 

Com os ensaios a decorrerem desde Dezembro, a peça “O Atelier do Papá” foi traduzida e adaptada por Manuela Rainho, nos comandos do grupo cénico desde 2008, que revela que a receita do sucesso é o empenho e o trabalho em equipa. “Sou muito exigente com eles porque ao habituar-se o público a uma determinada qualidade, não se pode baixar a fasquia”, nota Manuela Rainho, que considera que o grupo amador de 13 actores, muitos com experiência prévia no teatro, já apresenta boa qualidade.

 

Uma das principais dificuldades é encontrar textos adequados ao grupo, embora as comédias sejam as preferidas “porque são as que o público gosta”, com a condicionante de ter de optar por um teatro menos físico. A composição dos cenários, luz, música e roupa é outra dificuldade, que ainda por cima tem um custo. Mas o esforço compensa. “A criação de uma personagem tem muito a ver com a nossa memória emotiva e ajuda ao equilíbrio das pessoas”, explica Manuela Rainho, que tirou uma pós-graduação em Expressão Dramática e Artes do Espectáculo no Instituto Piaget e quer agora especializar-se em iluminação cénica para melhorar a qualidade das peças da Universidade Sénior.

 

Esta sexta-feira, pelas 21 horas, e no domingo, às 15h30, sobe ao palco do Bento Martins a peça “A Criada Zerlina”, de Hermann Broch, precedida de poesia. Em jeito de monólogo, “é a história de uma velha que aproveita os ouvidos de uma hóspede para despejar as suas frustrações”, revela a encenadora. Para as próximas peças, Manuela Rainho promete escolher clássicos portugueses, como “O Auto da Índia”, de Gil Vicente, “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett, e “D. João e a Máscara”, de António Patrício.

 

Sandra Pereira

 

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