Chegou com a época a meio ao Chaves Futsal, viu o clube estar próximo da subida, mas assistiu também à perda de pontos na secretaria. Calina, director desportivo, fala do seu trabalho no emblema da II divisão, identifica os problemas e abre já horizontes para o futuro do clube flaviense. Explicando que encontrou uma casa “desorganizada”, aborda ainda os problemas financeiros e elogia o trajecto feito pelos jogadores.

A Voz de Chaves: Desde que chegou ao Chaves Futsal até agora que balanço pode fazer?

Calina:O balanço possível. Estou algo surpreendido pela negativa devido à falta de organização que o clube tinha e pelo passado recente. Alterámos algumas coisas com a minha chegada mas não na totalidade e existiram alguns casos onde não fui entendido ou não me fiz entender.

 

Mas faltou comunicação com a direcção?

Faltou acima de tudo organização directiva. A organização melhorou, mas não da forma como desejei e ficou aquém das minhas expectativas. O mal desta direcção e deste clube é que as tarefas não estavam entregues aos diversos sectores. Toda a gente mandava mas ninguém mandava. No entanto melhoramos o aspecto desportivo, que ficou melhor organizado, mas mesmo assim falhamos em alguns aspectos.

 

Como é possível um clube candidato à subida ao escalão máximo perder pontos na secretaria?

Esse é o reflexo da falta de organização dos directores. Os problemas financeiros existentes não podem ser razão para tudo e não querendo acusar ninguém também ninguém pode ficar isento de culpa. Desde o presidente até ao colaborador toda a gente tem de ter responsabilidade. O erro que levou à perda dos seis pontos aconteceu numa altura em que ainda não estava no clube, mas já comigo no Chaves Futsal aconteceu uma falha grave [utilização de um juvenil de forma irregular]. Um clube destes não pode ser tão amador e nesta segunda falha existiu uma falta de comunicação entre vários elementos. Eu assumo a minha responsabilidade.

 

Tal como o treinador defende, a qualidade dos jogadores não foi acompanhada pela direcção e directores?

Partilho dessa opinião porque desde que cheguei defendo este grupo de jogadores e se não faço mais é porque não é possível. Admito que não estivemos à altura deles e temos que repensar seriamente o futuro do clube. É preciso realçar o trabalho desenvolvido pelos jogadores que chegaram até ao fim pois tiveram uma atitude digna, tal como a equipa técnica que desempenhou um bom trabalho.

 

Como deve o Chaves Futsal olhar para o futuro?

Para já é urgente resolver os problemas financeiros que estão pendentes. Depois é preciso repensar o projecto e trabalhar mais em equipa.

 

Quantos meses deve o clube aos atletas?

Existem dois meses de salários em atraso mais alguns acertos que têm de ser feitos com alguns jogadores. É preciso resolver essa situação rapidamente pois a crise é mundial e todos os clubes passam por estas dificuldades. Mas tenho uma certeza! O clube vai cumprir!

 

Mas chegaram a existir situações complicadas?

O que aconteceu no Chaves Futsal acontece a nível nacional e praticamente todos os clubes devem dois a três meses. A diferença aqui é que a direcção não foi solidária em momentos cruciais e sei que uma verdade cai sempre bem dentro do grupo de trabalho.

 

Imaginava antes de entrar no clube encontrar o que encontrou?

Pelo que acompanhava no exterior tinha a noção que o clube vivia um défice de algumas coisas. Mas o que mais me entristeceu foi pessoas ligadas ao passado recente do clube terem sido obstáculos, situação que não se justifica porque o clube é público. Estas coisas não me surpreendem, mas desiludem-me.

 

Que pessoas foram essas?

Esse papel de divulgar essas pessoas cabe ao presidente do clube. Se ele o entender é que pode abordar essa questão.

 

Se soubesse o que sabe hoje entraria no projecto do Chaves Futsal?

Não sou uma pessoa de arrependimentos. Sou de ideias fixas e de princípios. Entrei com o objectivo de valorizar os outros e a instituição, mas é verdade que em determinados momentos me senti só, sabendo no entanto que as pessoas ligadas à direcção estavam lá a tentar ajudar. Tenho que deixar um agradecimento especial ao Sílvio Lopes, pelo grande apoio que tem dado ao clube e também aos associados que estiveram sempre presentes ao longo da época.

 

Sobre o plantel do clube, se tivesse estado desde o início teria escolhido os mesmos jogadores?

Tenho a certeza que não teria feito as mesmas escolhas mas também tenho que dizer que quem escolhe arrisca-se a errar. Agora, algumas das contratações em cima do joelho não teriam sido feitas e esta situação gerou alguns problemas que tive que ir resolvendo.

 

A suspensão de três jogadores significa que nem tudo estava bem no plantel?

Indica que de facto se passava ali alguma indisciplina. A situação desses jogadores [Sousa, Passarinho e Ney], ao contrário do que muita gente pensa, não surgiu para poupar dinheiro mas apenas por conduta imprópria. Indisciplina para com o grupo, para com a instituição e para com um dos funcionários. Foram três suspensões com três casos diferentes.

 

A cidade acaba por ficar com uma má imagem do clube?

A má imagem do clube surge devido aos críticos de sempre. As pessoas que gostam mesmo da modalidade e que vão ver os jogos percebem que não é bem assim. Houve coisas positivas e negativas, mas o mais importante é que quem está à frente esteja de consciência tranquila. A melhor resposta que posso ter desde que entrei no clube é a amizade que criei com o grupo de trabalho e isso não está ao alcança de qualquer um.

 

Já pensa no futuro?

A direcção já está a pensar e a trabalhar no futuro a nível de projectos, juntamente com a Flavicer. A relação com esta e com outras empresas da cidade é importante para a sobrevivência do clube e espero que outras empresas nos ouçam pois temos coisas boas para dar e receber. Para mim o Chaves Futsal tem de ser um clube da cidade e não de amigos.

 

Parecem haver já projectos pensados…

Há projectos que até já estão oficializados, mas a seu tempo serão anunciados.

 

Fala em abrir o clube à cidade… O Chaves Futsal tem que ser mais que um clube que compete num campeonato?

Este clube tem por obrigação criar todos os anos um triangular e quadrangular de elite, por exemplo. O meu papel no clube passa por abrir ao clube os meus conhecimentos na modalidade. Recentemente tenho trazido o melhor do futsal à cidade e assim é mais fácil criar os eventos. Um exemplo do que foi feito comigo no clube foi a presença da Escolinha Arnaldo Pereira nos jogos. Além de entrarem com as equipas, os miúdos e depois também os pais deram um outro colorido aos jogos, apoiando a equipa.

 

 

Faz então um balanço positivo do seu trabalho?

Tenho trabalhado com seriedade e ainda tive tempo de aproximar do clube responsáveis do município e empresários. Foi importante para que eles vissem que nem tudo o que se diz é verdade. As pessoas têm de perceber de uma vez por todas que as pessoas passam mas os clubes ficam.

 

Que mais-valias trouxe ao clube dentro de campo?

Desde que cheguei ao clube trouxe ar fresco. Toda a gente me conhecia, alguns pessoalmente e todos ficaram a saber como trabalho. Isso ficou demonstrado em vários pavilhões do país, pois é também importante o clube ser reconhecido e respeitado. Tráz confiança à equipa e segurança à equipa técnica. Como em tudo na vida se formos reconhecidos somos respeitados e sei que com a minha chegada passamos a ter uma forma de tratamento diferente por parte dos clubes adversários.

 

Como vê o futsal não sendo esta a sua área de eleição?

Tenho uma ideia convicta que o futsal tem muito para melhorar a nível nacional, em termos de imagem e condições. Mas também tenho a certeza que o futebol será sempre o desporto rei. Para mim, o futebol é a minha praia. Isso não quer dizer que o futsal não possa chegar ao nível que tem em Espanha pois é um espectáculo que tem normalmente muitos golos e eu estou disponível para ajudar.

Diogo Caldas

 

 

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5 comentários

  1. o sr calina é assim tao imporatante que tem poder para retirar os comentarios que se escrevem aqui? repito é uma vergonha, estes senhores vao levar o clube á extinção e atiram culpas uns para os outros, e para a cidades como para os flavienses, quem aqui está isento de culpas sao os jogadores e os treinadores, pois o dinheiro da camara e de outros sitios para pagar o que devem nunca vai chegar, é só mentiras e depois de ler esta entrevista só me convenço mais que sao uns fala barato todos os da direçao.

  2. esta esntrevista é pra aqueles que tem duvidas , e quero esclarecer que tudo que foi dito é a mais pura verdade…sou um jogador que nao tenho medo de falar, e assino embaixo , por mais que tenham pessoas de fora a tentar minar, espero que quem esteja lendo essa mensagem aprenda a viver o que se passa primeiro pra depois falar o que pensa…

  3. pouca vergonha… paguem o q devem…. o maior culpado é o sr to o presidente do chaves. que especie de homem o sr. é? o que estao a fazer com os jogadores poca vergonha bando de caloteiros… a direcçao é uma vergonha…

  4. devem axar que vao algum lado com este homem… que o que quer é protagonismo… deve ter medo de cair no esquecimento dado as suas grandes prestaçoes… so msm o chaves pa kerer isto…um fim anunciado…

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