Capitão da Selecção Nacional de Futsal e recentemente campeão europeu de clubes pelo Benfica, Arnaldo Pereira, transmontano, natural de Bragança, decidiu abrir em Chaves a Escolinha de Futsal Arnaldo Pereira nº6.

Aos 31 anos, o jogador profissional de futsal fala já no final da carreira, mas faz ainda um ponto da situação em relação ao futsal nacional, à formação e ao novo seleccionador.

Porque decidiu abrir uma escola de Futsal em Chaves?

A primeira a ser aberta foi em Bragança e agora vamos querer abranger o Nordeste transmontano todo. É esse o nosso grande objectivo. Abri em Chaves, porque tenho um grande conhecido aqui, o Calina, e porque sabemos que há uma lacuna muito grande, não só aqui, mas também no Porto e em Lisboa. Faltam as tais escolinhas que é para os miúdos terem a formação básica em futsal, as noções básicas.

A decisão de não ter competição é porque o objectivo é apenas formar?

Sim, esse é o grande objectivo. Quem sabe se um dia mais tarde, no segundo ou terceiro ano possamos ter competição. Agora no início queremos fazer essa formação que é para os miúdos não terem essa pressão e aprenderem com qualidade aquilo que lhes vamos ensinar.

Enquanto profissional de Futsal como vê o panorama da formação em Portugal?

Neste momento acho que há uma grande lacuna, as tais escolinhas de formação, e acho que quando os miúdos chegam aos iniciados não têm as noções básicas do que é o futsal. Têm a técnica, que é normal e já nasce com eles, mas essa formação básica não e depois é muito mais difícil adaptarem-se. Por exemplo, os jogadores brasileiros começam a jogar futsal com três e quatro anos.

Como capitão da Selecção Nacional de Futsal é também importante ter estas iniciativas?

Quando vamos tendo uma certa idade já vamos pensando no futuro e o futuro é esse. Demos alguma coisa como jogadores, depois também queremos dar alguma coisa ao futsal quando deixarmos de jogar. Podemos dar formação aos miúdos ou seguir outros projectos. O meu caminho é este.

Que balanço faz da sua carreira?

Quando somos miúdos temos o sonho de ser jogadores de futebol e gostamos de ganhar milhões. Eu tinha esse sonho, mas a minha carreira envergou por outro lado, pelo futsal, e dou graças a Deus por ter ido por este caminho porque gosto muito do futsal, também porque quando joguei futebol 11 não me identifiquei. A minha carreira tem acontecido ano a ano, e agora já está na parte descendente, penso eu. Tenho 31 anos e a minha carreira já está numa fase mais madura. Foi uma carreira brilhante e espero terminá-la em glória, sendo campeão europeu, de novo de clubes, e também pela selecção.

Como está a selecção com o novo seleccionador?

Acho que a selecção segue o mesmo caminho. Mudou uma pessoa, quem nos coordena, e acho que essa foi a única mudança porque o rumo e os objectivos continuam na mesma. O seleccionador [Orlando Duarte] e o treinador adjunto [Jorge Brás, actual seleccionador] eram muito unidos e por isso penso que mudou só a pessoa, o trabalho continua o mesmo.

A selecção está em renovação, como vê a chegada de novos elementos?

Chega a um ponto onde todas as selecções e equipas têm de fazer uma renovação e está a acontecer. Ele [seleccionador nacional]está a fazê-lo muito bem e graças a Deus eles fizeram um bom trabalho e têm agora jovens para fazer essa renovação, que está a correr muito bem.

Enquanto jogador de futsal sente-se realizado?

Realizado ao máximo não, porque gostava de ter sido campeão europeu na Hungria por selecções, e também campeão do mundo. Mas se calhar tenho um currículo invejável e não me deixa mágoas não ter conquistado estes títulos.

Estando no topo do futsal, como vê o facto de o futsal continuar a não ser tão mediático como o futebol?

Nós no Benfica não podemos dizer isso, porque vivemos um mediatismo completamente diferente das outras equipas. Quando vamos ao Centro Comercial somos reconhecidos. No Benfica somos praticamente uma equipa de futebol 11, mas em tamanho mais pequeno, também por causa dos ordenados [risos], mas em mediatismo temos o mesmo mediatismo que outras equipas de futebol têm.

Mas a televisão não transmite mais de um jogo por semana…

Sim, mas em Espanha passa-se essa situação igualmente. Bom é que dê um jogo por semana, mas sem serem sempre as mesmas equipas, como o Benfica, Sporting e Belenenses. Era bom que dessem também as outras equipas, mas eles querem o espectáculo e as audiências e utilizam mais os clubes grandes. É obvio que estes últimos anos têm sido bons, mesmo a nível de mediatismo, porque tem dado em canal aberto.

Vê o futsal a aproximar-se do futebol?

Acho que nas grandes cidades nunca vai chegar aos calcanhares do futebol. Agora nas cidades pequenas, penso que devia chegar e devia ser mais mediático que o futebol. É o meu ponto de vista e falo de Bragança, porque o futebol não dá mediatismo nenhum e se eles tivessem uma equipa de Bragança na primeira divisão de futsal davam jogos na televisão e encaixava-se melhor na cidade e no orçamento, que é sempre muito mais pequeno que numa equipa de futebol 11.

Diogo Caldas

In A Voz de Chaves

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1 comentário

  1. Há alguns dias deixei uma mensagem neste jornal electrónico comentando esta notícia de Arnaldo Pereira, que por um lado concordo mas por outro estou convicto que não é bem assim. Ouço muitas vezes as pessoas a queixarem-se de não haver ocupação desportiva de qualidade para as crianças e jovens nomeadamente nas regiões do interior.Relativamente à formação,gostaria que perguntassem, por exemplo em Montalegre, mais propriamente na Câmara Municipal, porque razão deixou de existir uma escola de formação em futsal para crianças e jovens. Se não obtiverem resposta, perguntem-me que a darei com agrado e na eventualidade de responderem, façam-me chegar essa informação. Já agora gostaria de saber ainda, onde podemos conseguir apoios para criar uma base sustentável de suporte às escolas de formação, é que uma coisa é eu ser o grande atleta do Benfica Arnaldo Pereira e outro ser o “Zé Pereira” cá da terra a querer trabalhar com tanta ou mais dignidade e profissionalismo. Obrigado. Devidamente identificado: Helder Tinoco – Professor/Formador e Sócio-fundador da Real Escola Futsal.

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