A CDU analisou as seis moções apresentadas pelo PSD de Chaves na última Assembleia Municipal, considerando “caso único” e afirmando que para “além das políticas do governo serem gravíssimas para as regiões do interior”, o PSD local tem já “em perspectiva as eleições autárquicas de 2013”.

Em conferência de imprensa realizada na passada segunda-feira, dia 26 de Dezembro, Manuel Cunha, deputado flaviense da Coligação Democrática Unitária, Partido Comunista Português e Partido Ecologista “Os Verdes”, mostrou-se surpreendido com as seis moções apresentadas pelo PSD de Chaves na Assembleia Municipal do passado dia 21 de Dezembro.

“Pensamos ser caso único na democracia portuguesa, e se não for gostávamos de conhecer, que após seis meses de um governo do PSD, haja uma autarquia do PSD que tenha necessidade de colocar seis moções a protestar contra as políticas de um governo que é do seu próprio partido”, atirou Manuel Cunha.

Considerando normal “haver uma ou outra moção pontual”, o comunista flaviense fez uma leitura da situação considerando que “os próprios autarcas do partido do governo se vêm forçados a protestar contra as medidas do governo, apresentando neste caso seis moções na área da justiça, educação, saúde, economia, acessibilidades e reforma administrativa”.

“O PSD local faz isto porque as medidas do governo são gravíssimas para as regiões do interior e porque já se apercebeu que, tendo em vista as eleições de 2013, precisa de se começar a demarcar e a sacudir a água do capote do governo do PSD porque tem medo de ser fortemente castigado do ponto de vista eleitoral”, comentou, considerando que “não é possível o PSD de Chaves querer demarcar-se completamente de toda a política da governação. Sempre dissemos que o nosso ponto de honra nacional é o facto de não haver divergências entre as várias Comissões Concelhias da CDU”.

 

Comunistas de Chaves analisaram as moções

Na conferência de imprensa, o médico de 44 anos abordou e analisou as moções discutidas e votadas na Assembleia Municipal. Sobre a justiça, Manuel Cunha abordou a possível despromoção do Tribunal de Chaves, considerando-a “um problema sério e com efeitos económicos e de acesso à justiça”. Já em relação à educação, contra a “ameaça de encerramento do Pólo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em Chaves”, refere que, a acontecer, “implica um retrocesso na área do ensino superior e economicamente representa o afastamento de cerca de 400 estudantes”.

A saúde também foi alvo de uma moção, “contra o esvaziamento funcional do Hospital de Chaves e ameaça de despromoção do serviço de urgência e um protesto contra a não criação da Unidade Local de Saúde do Alto Tâmega ao contrário da recomendação unânime da Assembleia da República”, mas a própria CDU apresentou uma moção na mesma assembleia sobre o transporte de doentes não urgentes e a falta de uma resolução para o problema. “Tem sido dado destaque ao facto das corporações de bombeiros não terem capacidade nem recursos para fazerem o transporte, mas para a CDU, muito mais grave do que isso, são os próprios doentes”, atirou, lembrando que “a primeira posição pública a nível nacional foi tomada pelo PCP e pela CDU, em Vila Real, em Janeiro de 2011”.

“O fim dos benefícios fiscais em sede de IRC para as empresas que exercem a sua actividade económica nas regiões do interior numa altura de crise e a implementação de portagens é a machadada final para as poucas empresas que ainda resistem e isto vai ter consequências”, afirmou Manuel Cunha, referindo-se a mais uma moção apresentada. “Estas medidas pressagiam mais desemprego, mais encerramento de empresas e de comércios”, alertou.

A reforma administrativa que se avizinha em Portugal também foi alvo de protesto, mas “a moção apresentada pelo PSD de Chaves não contou com os votos favoráveis nem da CDU nem do PS, tendo sido aprovada pela maioria do PSD”. “Na mesma área, a CDU apresentou uma moção, que tinha ficado muito bem ao PSD ter sido ele a apresentar, pois para quem apresentou seis moções faltava a sétima, mas não se antecipou à CDU, faltou coragem política para se antecipar”, afirmou Manuel Cunha, explicando a moção apresentada: “a CDU apresentou uma moção muito mais específica, afirmando que não deve ser realizada a reforma administrativa das freguesias no nosso concelho. Esperamos que a Câmara e as Juntas, com a força dada pela assembleia, não avancem para a extinção de freguesias, enquanto se mantiver o actual quadro legal”.

 

Desafio para que o Alto Tâmega se junte em protesto

“Desafiámos o PSD a ir além daquilo que tem dito, pois decidiu-se em assembleia municipal, com o acordo de todas as forças políticas, criar uma comissão, onde estamos à espera de sermos chamados para a primeira reunião, onde serão criadas formas de luta que irão para além da simples tomada de posição em assembleia municipal, onde já por duas vezes tinha sido apresentada uma moção de censura. Não chega pronunciar-se a terceira vez se não houver um projecto e um plano de acção que permita elevar os níveis de contestação”, referiu Manuel Cunha sobre as moções apresentadas contra a implementação de portagens.

De resto, o deputado flaviense da CDU lembra “movimentos fortes anteriores” para defender a região. “Quer os autarcas do Alto Tâmega, os partidos políticos, as forças vivas da região, os sindicatos, têm de se unir para tentar fazer uma barreira a um conjunto de políticas do governo”, referiu.

“Fica o desafio para a comissão criada contra as portagens, que saia do âmbito de Chaves e alargue ao Alto Tâmega, aos autarcas, às assembleias municipais, às juntas e assembleias de freguesias e às outras forças vivas, pois ou há um unir de forças forte ou daqui a seis meses em vez de seis moções haverá 12 ou 15 e daqui a uns anos estaremos simbolicamente a encerrar a região do Alto Tâmega por inviabilidade económica e social”, concluiu Manuel Cunha.

Diogo Caldas

 

 

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