Com o início de 2011 há um novo impulso para a concretização de objectivos. Vila Pouca de Aguiar não pára e soubemos, através do autarca que comanda os destinos do município,Domingos Dias, o que o novo ano trará, apesar da tão propalada crise e contenção, aos aguiarenses.

Tem a inevitável a esta altura do ano é o Plano e Orçamento para 2011. Em Vila Pouca de Aguiar, quais vão ser áreas onde se notará maior contenção?

A contenção orçamental é geral. Os cortes que o Governo fez foram cortes cegos e cortou às entidades que menos deveria, que são as autarquias porque são o grande garante de desenvolvimento a nível local, regional e sem dinheiro para as autarquias não há apoio às pequenas e médias empresas, que impulsionam as actividades locais.

Estes cortes, o aumento do IVA, a diminuição dos salários, também de uma forma cega, levam a que hajam cortes nos investimentos das autarquias. O orçamento da câmara de Vila Pouca não fugiu a essa regra. Retardamos alguns investimentos, não pondo nenhum de lado, com a consciência de que vão ser menos activos na sua execução.

Por outro lado, acabam sempre por ser prejudicadas as associações culturais e desportivas, porque apesar de serem indispensáveis para o bem-estar geral, não fazem parte daquilo que são as actividades económicas produtivas. Acabamos por cortar nesta vertente, embora tenhamos muita pena de o fazer.

Há algum projecto de destaque que por causa disso fique na gaveta?

Não pomos nenhum projecto na gaveta, simplesmente o retardamos. Neste momento, a câmara municipal devia estar a desenvolver projectos como o parque de campismo, por exemplo, ou a requalificação de zonas centrais das freguesias, os saneamentos, que são obras de milhões de euros, mas que, por causa disso, não foram ainda aprovados.

Nota-se em Vila Pouca de Aguiar, recentemente, uma aposta mais acentuada no turismo? É verdade?

Sim, é uma aposta desde há nove anos, desde que estou na câmara municipal. Foi sempre apontada como uma das principais estratégias para o desenvolvimento do município, a par daquelas que foram as iniciativas no desenvolvimento do comércio e da indústria do granito. Hoje Vila Pouca de Aguiar como Capital do Granito é uma marca implementada a nível nacional e até internacional. Daí os benefícios no desenvolvimento e na criação de emprego, comercialização e finanças locais. Não é por acaso que temos um tão grande número de bancos aqui instalados. A estratégia foi plenamente conseguida.

Temos também o projecto Aquanattur, em Pedras Salgadas, que não tem ainda a expressão que nós gostaríamos que tivesse. Devia estar, neste momento, numa fase mais avançada, com todas as unidades hoteleiras a funcionar, com os parques e zona envolvente devidamente requalificados, quer em Pedras Salgadas, quer em Vidago.

Temos investido, assim, noutra oferta turística face ao que o concelho pede, temos estratégias a desenvolver no turismo de natureza, turismo ligado ao património religioso (fomos o primeiro concelho a aderir à TUREL), temos também alguns eventos de carácter turístico, como o Festival de Ouro Romano.

Por sua vez, em vez de hotéis, estamos a construir albergues, dando uso às antigas escolas, em vez de parque termal de referência, temos o Complexo de Tresminas. Estamos a apostar em outras iniciativas, até que o projecto Aquanattur esteja concluído.

Paralelamente, o município tem oferecido muitos eventos…

O poder local há muito tempo deu conta que era preciso agilizar os processos de eventos e iniciativas e por isso criámos a VitAguiar, que veio a ter esse papel, com pessoas qualificadas, planificam, orientam e têm objectivos a cumprir. Lidam directamente com a gestão, com as pessoas e com a sociedade. Com um maior rigor e uma melhor gestão de dinheiro público conseguimos, gastando pouco, planeando muito e executando bem, mais eventos.

Falando agora nas áreas da saúde e da segurança. Os aguiarenses já se habituaram às mudanças?

Não. Os aguiarenses queixam-se e continuam a queixar-se pelo posto da GNR de Pedras Salgadas não funcionar capazmente. Uma das razões que foi dada para que o posto estivesse na situação em que está, meramente administrativo, era que o posto de Vila Pouca de Aguiar fosse reforçado com agentes e não foi. Temos o mesmo número de efectivos em Vila Pouca como se estivessem os mesmos também em Pedras Salgadas. Continua a haver alguma carência ao nível da segurança.

Na área da saúde também não nos habituamos. Continuam a não funcionar as urgências, continuam a dar cabo das urgências e as pessoas continuam a ter enormes dificuldades no hospital de Vila Real. O atendimento nos casos mais banais, como um corte num dedo ou uma febre que não saibamos qual é o motivo, encaminha para o hospital de Vila Real, onde passam horas à espera. Ás vezes vêm doentes, mas é do que esperam e não do que têm.

Por vezes, preferem “ficar” e está por apurar quais são as consequências deste “ficar”, do não ir ao médico, porque não têm resposta adequada. Portanto, continuamos a não estar habituados ao encerramento das urgências, nem à diminuição de médicos. Achamos que a saúde devia ser de proximidade e devia apostar, sim, na proximidade. Admito que urgências médico-cirúrgicas sejam nos hospitais, mas nada invalida que hajam pessoas nas urgências, porque urgentemente precisam de um médico, que lhe diga o que deve fazer imediatamente, para que a pessoa possa ficar sossegada, sem ser necessário ir para o hospital longe, por um caso simples.

Acho que esta situação tem gastos para o país que ainda não foram avaliados. Gastos desnecessários com deslocações, com tempo perdido, com salários que são pagos, enfim há realmente um caos na saúde, ao qual ainda não nos conformámos.

O centro de saúde era uma referência e continuamos a lutar para que seja reaberto em plenitude. Continuaremos a ser teimosos, porque às vezes a teimosia também é necessária para conseguir um objectivo.

Vila Pouca de Aguiar é o município mais afectado com a Cascata do Alto Tâmega. Como vê o desenrolar deste projecto?

A cascata do Alto Tâmega, quando foi anunciada no Plano Nacional de Barragens, foi considerada pelos municípios como uma óptima oportunidade de desenvolvimento. Analisados os projectos apresentados pela Ibredrola, que ganhou o concurso, todos os municípios chegaram à conclusão que era um desastre. Tivemos que pôr em cima da balança a construção das barragens com as vantagens e desvantagens que elas iriam trazer para a região e para o país. Depois de tudo avaliado, chegámos à conclusão que ou havia uma forte aposta em termos de desenvolvimento da região, que viesse contrapor os impactos negativos, ou então seria melhor não termos as barragens. Temos a noção que temos de ser solidários com o país e temos de disponibilizar os nossos recursos naturais, mas também temos noção que o país também tem de ser solidário connosco e, portanto, temos de manter e se possível melhorar a nossa qualidade de vida.

O processo neste momento está na fase de avaliar até que ponto a Iberdrola e o Governo estão dispostos a ir para compensar as populações locais pelos prejuízos que a construção das barragens irá trazer.

Está um plano de acção em cima da mesa que os municípios apresentaram com base no estudo de impacto ambiental e se forem aprovados, temos a certeza de que irá trazer desenvolvimento à região. Ainda que hajam impactos negativos grandes, temos que admitir que irão trazer desenvolvimento turístico, económico e melhoria social das populações, quer a nível das acessibilidades, quer a nível de infra-estruturas sociais.

Está também em cima da mesa um acordo entre a Associação Nacional de Municípios e o Governo no sentido de serem atribuídas rendas aos municípios onde sejam instaladas as barragens e também uma renda fixa anual, que diminuirão os prejuízos.

Recentemente a Iberdrola já punha em causa se faria ou não as barragens, mas a verdade é que se for para fazer como estava previsto inicialmente, sem contrapartidas para os municípios e para as populações locais, é melhor não ter as barragens.

Um outro projecto que está a ser desenvolvido no município a esse nível é o Parque Eólico da Padrela…

É um outro projecto com as duas situações. É o município mais beneficiado e mais prejudicado. Tem todos os impactos negativos que as eólicas causam, tem a ocupação do espaço e os inconvenientes para as populações, mas também uma fonte de receita para o município e para as populações locais, que é muito importante. Assim fosse no caso das barragens. Temos casos de países desenvolvidos no norte da Europa e não só, em que estas situações se verificam, mas as populações têm os seus benefícios como uma parte dos lucros da empresa que explora. Não é por acaso que esses países estão no topo do mundo.

É um caso semelhante a questão levantada recentemente entre os municípios do Alto Tâmega e as Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro?

Todos os municípios ficam prejudicados com a constatação de desigualdade de que estamos a ser vitimas. A ATMAD está a explorar a nossa água, porque se situa no nosso território, e depois está a levá-la aos consumidores, que a pagam a um preço exorbitante. Nenhum dos consumidores tem culpa que alguém se lembrasse de fazer uma barragem em Montalegre para trazer a água para Chaves e depois pôr os consumidores a pagarem a tubagem de Montalegre até Chaves. Isto não cabe na cabeça de um ser humano normal, só na cabeça de alguns. Portanto, os municípios começaram a aperceber-se que não podiam estar a sujeitar as nossas populações a este tipo de custos. Não se pode pagar a água em Trás-os-Montes a 0,62€ e pagar nas zonas do litoral, nomeadamente em Lisboa, a 0,32€. Portanto, o país é todo um. Nós também pagamos a electricidade ao preço que pagam os habitantes de Lisboa e a electricidade vai daqui para lá. Não pode ser e não estamos dispostos a fazer reflectir nas facturas dos munícipes o custo da água a este preço e os municípios também não podem estar a disponibilizar as receitas que têm para pagar a água a esse preço. Levá-los ia à falência, provavelmente. Aquilo que há a fazer é as águas cobrarem aquilo que é a tarifa normal.

Em 2011, o que se pode esperar de novo em Vila Pouca de Aguiar?

Teremos obras de iniciativa local e a nível central, não conto com grandes obras. Os saneamentos são sempre a nossa aposta, assim como a qualidade do ambiente, com a limpeza dos rios, entre outras actividades. A melhoria da qualidade de vida das populações é a nossa prioridade. O concelho ainda tem uma rede de cobertura de saneamentos aquém do que eu esperava ter e portanto queremos lançar este ano essas obras.

Espero também que este ano seja definitivamente o do arranque do projecto Aquanattur em termos de hotel e casa de chá, e pelo menos que esta possa estar já disponível no Verão, assim como animação, sendo um pólo de atracção.

Apostaremos também em marketing de imagem e muito no turismo, bem como, como não poderia deixar de ser em época de crise, na área social.

Cátia Mata

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