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No passado fim de semana, entre os dias 7 e 9, realizou-se a XIX edição da Feira do Folar de Valpaços. O Pavilhão Multiusos fez-se pequeno para as centenas de milhares de pessoas que estiveram presentes naquela que é uma das maiores feiras gastronómicas do nosso país.

Valpaços foi local de peregrinação durante o passado fim de semana. Foram três dias nos quais esta cidade da Terra Quente recebeu centenas de milhares de pessoas que foram degustar o que de melhor a gastronomia valpacense tem para oferecer. Para além do folar, os 104 stands que estiveram dispostos no Pavilhão Multiusos venderam o vinho, o mel, os frutos secos, o bolo podre, fumeiro, e ainda doces feitos com produtos típicos da região, como, por exemplo, o pastel de castanha.

Na sessão de abertura da 19ª edição da Feira, que se realizou no auditório do Pavilhão Multiusos, e que contou com a presença dos representantes dos seis concelhos do Alto Tâmega e de outros concelhos transmontanos, entidades militares, religiosas e civis, o ponto mais abordado foi o centralismo do poder em Lisboa e as dificuldades das regiões do interior, que muitas vezes parecem estar esquecidas pelo poder central. “Queremos fazer as coisas mas não nos deixam. Somos tão capazes quanto os de Lisboa, os do Porto ou de outro sítio qualquer. Onde eles estudaram nós também estudámos. Têm a mesma formação académica que nós. Não sabem mais do que nós. Mas têm outras condições, têm outras oportunidades para fazer mais e melhor. E a nós, pura e simplesmente, aqui no nosso cantinho vão nos dando umas migalhinhas para que não nos possamos esquecer de ir votar quando há eleições legislativas ou presidenciais”, realçou Amílcar Almeida, presidente da Câmara Municipal de Valpaços, num discurso muito aplaudido pelo público que enchia o auditório.

Quem também fez questão de marcar presença no dia de abertura da Feira foi Eduardo Cabrita, Ministro-Adjunto, que não se mostrou indiferente às dificuldades que as regiões do interior atravessam: “O interior não é uma fatalidade. O interior não deve ser visto como os coitados que precisam de subsídios ou de assistência. Não. O interior tem potencial económico único. Tem qualidade, tem capacidade para atrair quadros vindos de outras regiões do país. Vindos até do estrangeiro. Precisa de fixar as populações. É esse o desafio dos próximos tempos”.

Logo após a sessão de abertura, deu-se a habitual ronda pelos vários stands que se encontravam no recinto. Tendo já marcado presença na abertura da Feira do Fumeiro de Montalegre, o Ministro-Adjunto tem aproveitado para provar o que de melhor a gastronomia transmontana tem para oferecer, e explicou que esta pode ser uma grande alavanca para o desenvolvimento económico de uma região: “A gastronomia é um valor de qualidade. Mas, sobretudo, deve ser usada para promover os valores tradicionais, para promover a certificação de produtos tradicionais, para garantir a elevação da cadeia de valor, a exportação, e, sobretudo, para ser a base de promoção do potencial económico desta região. Temos de olhar para estes produtos como base para a criação de emprego, para a criação de riqueza, para a fixação de jovens qualificados, sobretudo a olhar para o futuro. É essa forma diferente de olhar o interior que temos agora de consolidar”. Neste evento a estrela era o Folar de Valpaços e Eduardo Cabrita mostrou-se rendido a esta iguaria: “O folar é magnífico!”

A animação musical foi uma constante ao longo dos três dias da Feira. Na noite de sexta-feira, dia 7, depois de um espetáculo de fados durante o jantar, a animação ficou a cargo do grupo musical Função Públika. No sábado, a noite valpacense começou por ser animada pelo grupo local Amigos do Vitó, e, logo a seguir, foi a vez de o cantor José Malhoa subir ao palco e por toda a gente a dançar. No domingo, terceiro e último dia da Feira, a animação foi feita pela TVI, com o programa Somos Portugal, que esteve durante toda a tarde a emitir televisivamente este certame em direto para todo o mundo. Durante os três dias houve ainda atuações de concertinas e das várias associações do concelho.

Também as tasquinhas com os melhores produtos da Terra fizeram, uma vez mais, parte deste certame.
Algo que tem também vindo a ser hábito ao longo das últimas edições desta Feira é a presença de técnicos do IPB – Instituto Politécnico de Bragança. Estes técnicos realizaram o controlo da qualidade dos produtos que estiveram expostos para venda.

O Folar de Valpaços tem vindo, ano após ano, a afirmar-se cada vez mais como um produto de excelência. Prova disso foi a certificação IGP (Indicação Geográfica Protegida) atribuída no passado mês de fevereiro: “IGP é, acima de tudo, selo de garantia. É um prémio justo a quem ao longo de tantos anos procurou transmitir e dar qualidade a um produto inigualável. E eu tenho dito que quando se fala em Valpaços, além do azeite, do vinho, de todos os produtos de excelente qualidade, as pessoas associam logo ao folar. Porque há 19 anos que fazemos esta feira e agora vimos premiado esse esforço e as pessoas vão, através deste momento, ter mais oportunidades para poder afirmar este produto. O nosso folar vai chegar cada vez mais longe de Valpaços. É esse o nosso objetivo. Fazer deste produto um produto excelente”, sublinhou Amílcar Almeida.

O atual espaço da Feira tem-se tornado exíguo, tanto para os produtores, que a cada ano cresce o número de interessados em participar nesta feira, como para os visitantes. Desta forma, irá proceder-se, em 2018, à construção de um novo pavilhão: “No próximo ano, com a construção do novo pavilhão, vamos poder dar mais conforto a quem nos visita para que as pessoas também possam ter outro conforto no sentido de apresentar o que de melhor têm”, afirmou o autarca valpacense. Esperava-se que visitassem a feira cerca de 100 mil pessoas, previsões que foram largamente ultrapassadas, com pessoas a chegar ao recinto vindas de vários pontos do nosso país, e até do estrangeiro. “Quem vem a Valpaços vem à procura do que é bom. E estamos naturalmente a falar dos produtos da terra. Não só o folar em si, que é a maravilha e que as pessoas vêm cá propositadamente, porque o folar cai muito bem nesta época do ano, mas também, sobretudo, por aquilo que de melhor tem o concelho. Os vinhos, os azeites, o nosso mel, a nossa pastelaria, doçaria, e também a nossa gastronomia”, referiu Amílcar Almeida, acrescentando que “tive a oportunidade de ver do palco da TVI uma moldura humana que eu nunca tinha visto aqui em Valpaços. É bom sinal. É sinal que oferecemos qualidade, que os nossos produtos são bons, continuam a ser muito procurados. Mas também tivemos a felicidade de ter um dia primaveril em que as pessoas tiveram mais um motivo para sair de casa”.

As expetativas foram, portanto, superadas. Amílcar Almeida demonstrou-se muito orgulhoso com a realização daquela que foi a maior Feira do Folar de sempre em Valpaços. “Fizemos desta feira a maior feira gastronómica de toda a região norte, e queremos continuar a elevar o nome de Valpaços e os produtos de Valpaços aos quatro cantos do mundo”, concluiu.
A autarquia encetou já os preparativos para a realização do próximo evento: a OliValpaços – Feira Nacional de Olivicultura, que decorrerá nos dias 5, 6 e 7 de maio, e que contará com a presença do Presidente da República.

Maura Teixeira

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