O flaviense Vasco Queiroga ficou em terceiro lugar na X Copa Ibéria de Cetraria, que decorreu no âmbito da Feira Da Caça em Macedo de Cavaleiros nos dias 28 e 29 de Janeiro.

A competir na modalidade de pequenas aves com a Niké, uma peneireira americana (falco sparverius) juvenil, o flavienses ficou surpreendido com o pódio. “Não estava à espera do pódio, uma vez que a competição de pequenas aves é a mais desequilibrada, uma vez que nesta vertente da prova convivem diferentes espécies de aves, variando o seu tamanho e o seu potencial. Estava à espera de uma boa prestação da minha ave, que, apesar de ser uma espécie de pequenas dimensões, tem um espírito muito grande, muito ágil e veloz e não desiste facilmente da sua presa”, contou.

Para Vasco Queiroga, o pódio deve-se à sua ave e ao seu mentor. “Sou apenas um novato que teve a sorte de ter uma ave bastante especial e um mentor extremamente dedicado, a quem dedico muito desta “vitória”, ao Pedro Regadas que reside e estuda actualmente na cidade de Bragança.

Participaram neste X Copa Ibérica inúmeros falcoeiros Portugueses e Espanhóis voando um total de 67 aves de presa: 17 falcões em alto-voo, 26 búteos em baixo-voo, 13 açores em baixo-voo e 11 pequenas aves em presa de baixo-voo.

O flaviense, ainda recente nesta modalidade, tem como objetivo “caçar pelo menos um exemplar de cada espécie cinegética”. “É um objetivo praticamente impossível de alcançar, uma vez que as aves de rapina têm taxas de sucesso muito baixas na caça, ao contrario do que muita gente pensa. A má situação que atravessam algumas espécies cinegéticas em Portugal, o difícil acesso às zonas de caça, e outros motivos irão, certamente, dificultar muito a concretização deste objetivo, alertou”.

O que é a falcoaria?

A falcoaria (ou cetraria) é a parceria entre homem e ave de presa estabelecida com o intuito de caçar presas selvagens no seu meio natural. É uma das formas de caça mais antigas no planeta e hoje é praticada um pouco por todo o mundo. A Falcoaria Portuguesa foi, no passado dia 1 de Dezembro, considera Património Cultural e Imatrial da UNESCO demonstrando a grande importância cultural para o país.

Nesta prática existem, genericamente, dois tipos de lance: altanaria e o baixo-voo. Na altanaria o falcão é solto antes da peça de caça levantar voo, ascendendo sobre o terreno de caça, até se colocar a centenas de metros de altura, onde espera, voando em círculos ou “tornos”. Depois de levantada a peça de caça, o falcão mergulha num voo picado a velocidades que podem atingir os 300km/h onde a captura ocorre geralmente no ar. Por outro lado, e como o nome indica, no baixo voo, a ave de presa sai do punho do falcoeiro (ou cetreiro), ou de um poleiro proeminente, na perseguição da peça de caça. Podem caçar-se aves e mamíferos.

“A falcoaria não pode ser praticada apenas de forma ocasional, é uma arte exigente e, podemos ir até mais longe, é um estilo de vida de total dedicação às aves de presa. É exigente e algo dispendiosa: é necessário adquirir bibliografia, adquirir material adequado a cada ave, adquirir a ave, telemetria (que é usada para localizar uma ave perdida), adquirir alimento, tirar a carta de caçador, despesas relacionadas com a caça em si, entre outras”, explicou Vasco Queiroga.

Diogo Caldas

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