A Santa Casa da Misericórdia de Boticas é das mais novas do país, tendo surgido em 2004, pela separação da Santa Casa da Misericórdia de Chaves. Em entrevista, o provedor, Fernando Campos, aborda algumas temáticas da instituição: Respostas sociais a 380 utentes; Brevemente, irá inaugurar um Hotel Sénior; As situações de “Demência” e um novo paradigma do Serviço de Apoio Domiciliário são os dois grandes desafios.

A Voz de Chaves: Quais as respostas sociais que a Misericórdia de Boticas proporciona no concelho?

Fernando Campos: A Santa Casa da Misericórdia de Boticas, criada em 2004, pela separação da Misericórdia de Chaves, o que faz com que seja uma das mais novas do país, tem um conjunto significativo de valências, prestando serviço a 380 utentes: Creche; Jardim de Infância; Centro de Atividades de Tempo Livres (CATL); Centro de Apoio a Deficientes do Alto Tâmega (CADAT), a funcionar com duas valências distintas, Lar Residencial e Centro de Atividades Ocupacionais (CAO); Residência Autónoma; Centro Dia; três lares; Unidade de Cuidados Continuados (UCC) com 24 camas com acordo com o Governo, e seis camas sem acordo que funcionam como quartos particulares e uma rede de Serviços de Apoio Domiciliário que acolhe todo o concelho.
Durante este mês julho iremos abrir um Hotel Sénior, Santa Bárbara, devidamente licenciado, com respostas adequadas e de qualidade, com 30 camas, mas sem qualquer acordo com a Segurança Social.

E não é possível fazer o acordo?

Não, pelo facto de o concelho de Boticas, em termos de percentagem de respostas às necessidades da população, ultrapassar a média nacional e, nestes casos, não são concedidos apoios do Estado.

 

Quantos colaboradores tem, neste momento, a Misericórdia de Boticas?

A Misericórdia tem ao seu dispor 190 colaboradores, dos quais cerca de meia centena de técnicos superiores. A tarefa é imensa e para termos uma ideia mais concreta desta dimensão, em 2017 foram servidas mais 360 mil refeições e as viaturas da instituição, para cobrir o concelho, no total, andaram mais de 180 mil km.

Ao nível das respostas sociais, ainda que o concelho de Boticas esteja acima da média, como referiu, há alguma dimensão que poderia ser melhorada?

Ao nível do Serviço de Apoio Domiciliário (SAD), estamos a estudar outro tipo de respostas. Além daquelas que estão a ser dadas, tais como levar a comida, cuidados de higiene, entre outras, porque não podermos disponibilizar cuidados de enfermagem, serviços de psicologia, permitindo assim uma maior permanência com as pessoas, de forma a minimizar a eventual solidão a que as pessoas estão sujeitas.
Este apoio é tão importante como levar a comida… Mas custa dinheiro. Aqui, em Portugal, para o SAD é disponibilizado o valor de 300,00 euros por pessoa/mês, enquanto na vizinha Espanha ultrapassa os dois mil. Temos pois que alterar este paradigma em Portugal.

 

Se tal paradigma fosse possível, seria espectável que a entrada das pessoas idosas nas instituições seria retardada?

Não há dúvidas que a melhor resposta social ao utente é o mais próximo possível de casa, das suas lembranças. Esse é o grande objetivo. Nós sentimos que as pessoas querem ficar em casa. Muitas vezes, os familiares estão ausentes e, para eles, o melhor é que o seu familiar se encontre numa instituição do que estar sozinho em casa. Não há dúvida, e todos os estudos indicam, que as pessoas no seu meio são assim mais felizes.
Ao criarmos, pois, respostas sociais de forma a permitir o máximo de condições para que as pessoas permaneçam no seu meio, no seu local de origem, consequentemente, seria retardada a entrada no Lar.

 

Neste momento, quais são os grandes desafios que se colocam à Misericórdia de Boticas?

Neste momento, além das formas de financiamento das misericórdias, o grande desafio que temos pela frente é o modelo do cuidado e das respostas adequadas às pessoas com demência. Não só aqui em Portugal, mas por toda a Europa. Vão existindo modelos em vários países europeus, mas precisamos de um modelo que sirva o nosso país. Este trabalho ultrapassa cada Misericórdia em particular, pelo que estão a ser desenvolvidos ao nível da União das Misericórdias de Portugal, modelos para que se aperfeiçoe este tipo de respostas.

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