Para assinalar o meio milénio de vida, a Santa Casa da Misericórdia de Chaves apresentou na sexta-feira passada, dia 14, um conjunto de medalhas e azulejos alusivos à efeméride e deu ainda a conhecer o livro de Maria Isabel Viçoso que retrata toda a história da instituição.

Este ano a Santa Casa da Misericórdia de Chaves (SCMC) completa 500 anos de existência e para celebrar esse facto tem realizado diversas iniciativas no sentido de dar a conhecer a sua história e evolução bem como o papel preponderante que teve e continua a ter na sociedade flaviense. Desta forma, por diversas vezes as portas da provedoria da instituição foram abertas para dar a conhecer ao público algum do seu acervo, os utentes organizaram várias atividades no exterior, como o desfile de moda, e foram ainda expostos vários trabalhos dos utentes realizados ao longo dos anos.
Neste meio milénio de vida a SCMC acolheu milhões de pessoas carenciadas, ouviu e solucionou problemas, apoiou, incentivou e acarinhou quem mais precisava.
Na sessão de lançamento das medalhas e dos azulejos comemorativos, que reuniu na Biblioteca Municipal de Chaves várias personalidades de diversas áreas da sociedade flaviense, o provedor da SCMC destacou as dificuldades financeiras que a instituição de solidariedade, que gere há quase dois anos, atravessa e falou sobre a capacidade que a SCMC teve em se adaptar aos tempos de hoje.
“A Santa Casa tem-se vindo a adaptar aos tempos, também por força da evolução da sociedade, e atualmente tem inúmeras valências, com adaptações específicas, nomeadamente no que diz respeito aos jovens e às crianças em risco”, frisou.
Para João Rua a misericórdia tem sido capaz de dar resposta “a todas essas situações” que surgem na sua maioria através da Segurança Social, mas muitos deles acontecem também por iniciativa da própria instituição.
A SCMC foi uma das primeiras instituições de solidariedade a ser criadas no país, logo a seguir à criação da Misericórdia de Lisboa, pelas mãos da rainha D. Leonor. Este facto é lembrado pelo autarca flaviense pois é demonstrativo de que já no século XVI Chaves apresentava uma sociedade bastante dinâmica.
Devemos “refletir sobre a qualidade da nossa sociedade de então: Chaves tinha de ter uma dinâmica forte, não só ao nível social, como económico e cultural, para que fosse uma das poucas cidades a receber de imediato uma santa casa da misericórdia, logo depois da criação da misericórdia de Lisboa”, disse.
Os 500 anos da SCMC vêm assim, na opinião de António Cabeleira, comprovar a “importância que a comunidade flaviense tinha junto de Lisboa e da corte”
Para além da apresentação ao público das medalhas e dos azulejos comemorativos, foi também dado a conhecer o livro “História da Misericórdia de Chaves – 500 anos de vida” da autoria da presidente do Grupo Cultural Aquae Flaviae, com cerca de 650 páginas. Todos estes artigos estão expostos e disponíveis para compra na provedoria da SCMC até ao final deste mês.
De acordo com as pesquisas de Maria Isabel Viçoso, a SCMC começou a dar os seus primeiros passos em 1498, quando surgiu a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O Compromisso da Santa Casa, onde estão descritos os estatutos, viria a ser assinado em 1516.
No livro, Maria Isabel Viçoso compilou toda a história da SCMC, pesquisando documentos, contextualizando-a e analisando o vasto património.
A presidente da associação cultural conta que em 1498 D. Leonor decidiu criar uma instituição de solidariedade que apoiasse todas as pessoas, sem distinguir género, classe ou “maleita”.
“Até aí havia apenas um hospício para pobres, um pequeno sítio onde os doentes eram despejados, um orfanato, mas todos estes espaços não tinham qualquer ligação. Assim, D. Leonor decidiu pegar nas 14 obras de misericórdia, sete espirituais e sete corporais, e criar um estatuto, denominado Compromisso de 1516, onde estabeleceu que cada irmão deveria cumprir as 14 obras de misericórdia”, explicou.
Anos volvidos, a SCMC “cresceu, foi-se adaptando aos ventos da história, encaixando-se nas variáveis financeiras, nos problemas sociais e nos políticos”, nunca descurando as suas responsabilidades: “alimentar os que têm fome, através das refeições que distribuiu, acolher os idosos e os doentes crónicos e acolher e preparar para o futuro as crianças e jovens”, concluiu.
As celebrações relativas ao aniversário da SCMC irão continuar até ao próximo dia 15 de novembro, data oficial da criação da instituição, e onde se prevê a realização de mais uma iniciativa.

Cátia Portela

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