O presidente do BTT Clube de Chaves, Pedro Monteiro, e o vice-presidente, Luís Monteiro, fizeram o balanço da prova que continua a ser uma referência na modalidade. Desde a vontade em promover a cidade e região através do desporto, até ao impacto que o evento tem, os responsáveis explicaram como se desenrolou a 13ª edição.

Luís Monteiro e Pedro Monteiro, do BTT Clube Chaves

Mais uma edição, como correu?
Pedro Monteiro: Esta foi a 13ª, este ano foi a contar para o Campeonato de Maratonas XCM da Associação de Ciclismo de Vila Real, e foi etapa única, onde se decidiu o campeão. Viemos de dois anos a organizar a Taça Nacional de Maratonas, mas este ano, como a Federação de Ciclismo decidiu dar a oportunidade a outros locais de organizarem as provas, organizamos apenas a prova distrital. Em termos de balanço, este é extremamente positivo, pois continuamos a manter o nível da qualidade que se exige neste tipo de provas, o feedback que nos foi chegando continua a ser extremamente positivo, pois continuamos a ter uma organização em que desde o trajeto e toda a logística que está envolvida, vai de encontro aquilo que as pessoas procuram, uma diversidade do percurso, e com uma logística de apoio que vai de encontro às expetativas criadas.

Qual é o impacto que a prova tem na cidade?
Pedro Monteiro: Isso é importante falar, pois a Rota do Presunto é muito mais que uma prova desportiva. É um evento âncora no turismo da cidade. Estamos a falar numa prova que superou largamente as 350 pessoas, embora este ano o número não tenha sido maior devido a provas da modalidade em pontos próximos no país. Associado a isso são as pessoas envolvidas que também vêm à prova, pois não é só o atleta que vem, as famílias e colaboradores que vêm à cidade. Grande parte dos participantes é de fora da cidade. Tivemos gente de Fafe, Viana do Castelo, Guarda, e vieram cá passar o fim-de-semana, fizeram um convívio em torno da Rota do Presunto, e isso deixa-nos extremamente satisfeitos.

Como se traduz isso em números?
Pedro Monteiro: Para dar alguns números, gastamos 20 presuntos, 2 mil pastéis de Chaves, 20 barris de cerveja, 60 pães, 60 bôlas. Depois gastaram-se muitos quilos de fruta. Associado a isso, o feedback que nos chegou é que a hotelaria estava completamente cheia, com os hotéis a terem uma boa ocupação, os restaurantes também receberam inúmeros participantes. É muito mais do que uma prova desportiva.
Luís Monteiro: A Rota do Presunto não termina com o final da prova, pois nos dias seguintes é necessário limpar tudo, fazer novamente os percursos para voltar a retirar as marcações, e isso tem de ser feito pela organização.


Qual é o critério para escolher o percurso?
Luís Monteiro: Inicialmente decidimos as distâncias, que depois de escolhidas temos que honrar, principalmente no que diz respeito à Eurocidade. Tendo em vista isso, os percursos foram em direção à vizinha Espanha, à região de Verín. Tivemos três percursos, com três dificuldades e distâncias distintas, a mini-maratona, meia-maratona e maratona, com 25, 50 e 75 km, respetivamente. As distâncias de 50 e 75 km eram destinadas para federados e atletas de promoção mais bem preparados. Este ano foi do agrado dos participantes. Envolvemos a ecovia, mas não tanto como nos outros anos e privilegiamos um percurso mais técnico, com ‘singletracks’, passagens por localidades, e diferentes tipos de piso. As marcações foram feitas por uma equipa do BTT Clube de Chaves, num trabalho que demora bastantes horas. Tivemos duas zonas de abastecimento e assistência, duas zonas com ajuda mecânica, cinco pontos de água, e em todos os cruzamentos a GNR em estradas nacionais e pessoal da organização em estradas regionais. Correu bastante bem, pois disseram-nos que os percursos estavam bem marcados e escolhidos. Não houve ninguém que precisasse de assistência hospitalar, e isso é bom.

Há essa preocupação de conciliar competição, passeio, turismo e promoção dos produtos locais?
Pedro Monteiro: Sim, por isso é que envolve uma logística muito grande, pois queremos fazer bem em todos os campos. Desde a escolha do percurso, até aos abastecimentos, até à alimentação, pois somos a única prova que faz um buffet de receção e de boas vindas, uma tradição que se mantém, que nos diferencia das outras, potenciando os produtos de Chaves, como o pastel, o presunto e a bola.
Luís Monteiro: Ao mesmo tempo fazemos com que as pessoas pernoitem cá, que passem cá o fim-de-semana, em família, que passeiem e que conheçam a cidade. Recebemos vários pedidos de participantes para saberem onde ficarem, onde comerem e o que visitarem.

Envolveu uma organização muito grande?
Luís Monteiro: Este ano reunimos uma equipa mais sólida, o trabalho tornou-se muito mais agradável, mais dividido por toda a gente, pois as pessoas que estiveram envolvidas na organização estiveram muito mais empenhadas, tornou-se mais agradável e não foi tão cansativo em anos anteriores, onde era pouquíssima gente para tanto trabalho.
Pedro Monteiro: Tivemos mais de 50 pessoas no próprio dia no terreno, o que envolve já uma estrutura grande, e uma logística pesada, mas tivemos muita gente atrás para apoiar e conseguirmos organizar a prova.

Para onde querem continuar a evoluir a prova?
Pedro Monteiro: O nosso entendimento é que as pessoas venham à cidade de Chaves e que aproveitem, pois a própria Federação Portuguesa de Ciclismo reconhece que somos uma região privilegiada para organizar este tipo de provas, com o relevo natural existente. Vamos continuar a pensar em moldar a prova consoante surjam as oportunidades, para fazer o Campeonato Nacional, ou uma prova internacional, pois já fomos abordados pela própria União Internacional de Ciclismo para organizarmos algo. Vamos ter que ponderar, pois seria passar um patamar acima de condições e logística. Temos a vontade e determinação de continuarmos a fazer bem feito e que as pessoas gostem da prova em si. Quero agradecer a toda a gente que colaborou na prova, aos patrocinadores e às forças envolvidas que estiveram presentes, a PSP, a GNR, os Bombeiros Voluntários Flavienses, e à Câmara Municipal de Chaves, o grande suporte do evento, à Eurocidade Chaves-Verín e à Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, porque sem estes apoios institucionais não conseguiríamos realizar o evento.

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