O líder do Partido Socialista de Chaves criticou na terça-feira passada, dia 7, a forma como as Termas de Chaves têm sido geridas nos últimos anos e afirmou que o balneário termal não pode continuar a ser gerido pela “lógica do amiguismo e da pelotiquice”.

Nuno Vaz começou a conferência de imprensa dando nota à comunicação social de que o balneário termal da cidade flaviense se encontra novamente encerrado, estando desde o início do mês de janeiro a ser alvo de obras. Nuno Vaz disse desconhecer o motivo da intervenção, já que não há informação no site das Termas de Chaves a esse respeito.

“Alegadamente, o motivo para o encerramento do balneário termal é a necessidade de se proceder à substituição do seu pavimento”, disse o líder do PS local.
Uma situação que o socialista não compreende já que as Termas de Chaves foram alvo de requalificação entre novembro de 2013 e abril de 2015.

“Então as obras de requalificação do balneário termal, que custaram mais de 3,1 milhões de euros, não acautelaram esta situação?”, questionou Nuno Vaz, relembrando que o espaço termal já foi objeto de obras de remodelação por duas vezes, nos últimos 12 anos. A primeira em 2004, cuja empreitada foi de aproximadamente 1,4 milhões de euros, e a última em 2013 que obrigaram à suspensão da atividade por um período superior a 18 meses.

Para o líder do PS este é mais um caso que faz parte da extensa lista de “obras mal projetadas ou mal executadas” pelo executivo municipal.
Explicar as razões deste novo encerramento era, para Nuno Vaz, uma obrigação do presidente da Câmara de Chaves, António Cabeleira, que garantiu “publicamente, no dia 28 de março de 2015, que o Balneário Termal funcionaria durante todo o ano”.

Para o líder do Partido Socialista é igualmente estranho que na última entrevista dada pelo presidente do Conselho de Administração das Termas de Chaves e vereador municipal, Paulo Alves, os flavienses não tenham sido informados do encerramento do balneário termal assim como não lhes tenha sido explicado as razões pelas quais o Balneário Pedagógico de Vidago não presta quaisquer serviços terapêuticos com água termal desde julho. Recorde-se que este equipamento foi inaugurado no início de junho de 2016 e teve um investimento superior a três milhões de euros.

“As Termas de Chaves são demasiado importantes para a cidade e para o concelho, para a sua economia local, para que se possa aceitar o amadorismo e até a incompetência revelada pela atual gestão camarária. Não percebemos, nem aceitamos, o fundamento e alcance destas decisões, pois são contrárias aos interesses económicos e turísticos do concelho e dos flavienses”, sublinhou.
Na opinião do socialista, a Câmara de Chaves não consegue cumprir prazos, “acertar numa precisão ou gerir competentemente os seus serviços e as suas empresas”.

Outra das razões que levou o candidato do PS à Câmara de Chaves a realizar a conferência de imprensa foi a “perda progressiva de aquistas” que se tem verificado no balneário termal.
“As Termas de Chaves têm vindo a perder aquistas, na vertente de saúde/curativa, pois em 2008 e 2009 eram mais de 6 mil e, a fazer fé nos dados facultados na referida entrevista, no ano de 2016, o registo é de 3 mil. A quebra, no período de sete anos, é superior a 50%, o que é absolutamente preocupante, se pensarmos no que isso significa para a economia local, na redução ao nível dos alojamentos, da restauração, dos bares, enfim, do comércio tradicional, mas também ao nível dos postos de trabalho diretos”, sustentou.

Ainda sobre a gestão do balneário termal, Nuno Vaz destacou o decréscimo das receitas geradas pelo espaço para apontar a culpa ao responsável pelo equipamento. Em 2012, segundo o PS, a receita gerada foi superior a um milhão de euros, em 2015 esta desceu para os 845 mil euros e, no ano seguinte, em 2016, para os 835 mil euros.

O PS considera a situação “incompreensível” na medida em que “a evolução da frequência termal em Portugal é de crescimento”, segundo os dados publicados pela Direção Geral de Energia e Geologia, pois em 2014 o incremento foi de 16,7% e em 2015 de 4,2%.
“As Termas de Chaves não podem continuar a ser geridas na lógica do ‘amiguismo’ e da ‘pelotiquice’, mas antes exige profissionalismo, competência e mérito. As Termas de Chaves, pela qualidade das suas águas, pelo empenho e experiência dos seus trabalhadores, e pelo legado de conhecimento e saber deixado pelo Dr. Mário Gonçalves Carneiro, têm potencial para liderar o ranking nacional de Termas, desde que haja visão, estratégia e gestão competentes”.

A concluir, o candidato do Partido Socialista à Câmara de Chaves disse que é objetivo do partido voltar a “colocar as Termas de Chaves no lugar que merecem” e “fazer deste recurso único o verdadeiro motor central do desenvolvimento local”.

Cátia Portela

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