A Feira do Folar de Valpaços já conta com 19 edições, levando até ao Pavilhão Multiusos os melhores produtos do concelho para deleite dos milhares de visitantes. O certame que tem um papel fundamental na preservação do património gastronómico valpacense arranca amanhã, sexta-feira, e A Voz de Chaves falou com o autarca Amílcar Almeida, que abordou a dinâmica que o concelho vive actualmente em vários sectores.

Amílcar Castro de Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Valpaços

A Voz de Chaves – Decorre neste fim-de-semana, mais uma edição da feira do Folar, este ano já com o Folar de Valpaços certificado. Vamos, por isso, ter um certame ainda mais especial?
Amílcar Almeida – A Feira do Folar é sempre muito especial, sobretudo, para quem nos visita, por poder encontrar uma autêntica montra de produtos de excelente qualidade, o melhor folar, bons vinhos, o melhor azeite do mundo, o mel, o bolo podre, o nosso fumeiro, os deliciosos frutos secos, além de desfrutar da genuína gastronomia desta região.

Contudo, a conquista do selo de Indicação Geográfica Protegida (IGP) atribuído ao Folar de Valpaços, no passado dia 14 de Fevereiro, deixa-nos muito orgulhosos e satisfeitos por todas as vantagens que nos vai trazer. É um prémio para o esforço de todos aqueles que estiveram envolvidos ao longo de todo o processo e ao qual demos um impulso desde o início do mandato. É um reconhecimento também da nossa estratégia de desenvolvimento económico através da promoção do sector primário.

A Marca Valpaços é hoje uma marca consagrada junto de profissionais e amantes da boa mesa que se faz representar nos mais diversos certames a nível nacional e internacional e a Feira do Folar é o certame de excelência que apresenta, anualmente, um programa rico em atividades que celebram e promovem o património gastronómico valpacense. Cada edição é especial, pois tentamos melhorar de ano para ano a nossa montra dos sabores locais.

A autarquia tem apostado na divulgação dos seus produtos, como sejam as feiras no concelho, ou a promoção por Portugal e no estrangeiro. Para o mês de Maio teremos aqui em Valpaços a Feira Nacional de Olivicultura. O que se espera desta feira?

Se de facto o nosso azeite é tido e considerado como o melhor do mundo, será imperiosa trazer a realização desta feira para Valpaços, não só no sentido de melhor afirmação deste produto no mercado, mas também no sentido de valorizar o trabalho de todos aqueles que trabalham os olivais e contribuem para a produção deste “ouro em estado liíquido”, que exige o saber e experiência dos agricultores valpacenses.

Além dos produtores particulares, a Cooperativa de Olivicultores de Valpaços tem cerca de 2600 sócios e o seu trabalho é de louvar porque são muitos hectares de terreno com características diferentes e sob a sua alçada conseguem levar avante um trabalho meritório. Numa empresa o trabalho é muito mais facilitado, e estou muito orgulhoso do trabalho realizado pela cooperativa, que tem vindo sempre a crescer.

Só em 2016 a COV recebeu cerca de três dezenas de prémios, todos eles de concursos de topo, ou seja somos conhecidos pela qualidade superior no mundo dos especialistas da área do azeite, desde a China à Argentina, passando pela Espanha, Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, não esquecendo os lugares cimeiros alcançados nos concursos nacionais.

Neste contexto é importante referir também que os presidentes de junta têm entendido a importância de promover aquilo em que de facto somos bons. Além de outras já realizadas, no mês de Maio será realizada, dia 14, a Feira do Cebolo, em Vassal, e dia 28 a Festa da Cereja, em Argeriz. De destacar ainda o 1º Simpósio Ibérico sobre Lagares Rupestres a 26, 27 e 28 de Maio.

Além da promoção dos produtos locais, a autarquia também tem investido em obras no concelho. Quais as que se destacam?

Os grandes investimentos de natureza municipal, actualmente em execução no concelho de Valpaços, implicam um investimento superior a 3,5 milhões de euros.
Num quadro de múltiplas dificuldades e obstáculos, mas fruto de um trabalho intenso, de vontade de mudança, de coragem e capacidade de decisão, colocou-se em marcha vários projectos que julgo essenciais ao crecimento, desenvolvimento de todo o concelho, sem esquecer as prioridades traçadas pelos presidentes de junta. Esta estratégia fez deste concelho o segundo com maior investimento público.

Só para enumerar alguns projectos em curso na cidade podemos falar da requalificação das vias principais da cidade com a inclusão da fibra ótica, das ciclovias, da Ecovia, do Centro Cultural, da Loja do Cidadão, entre outros.

Além das obras, as pessoas também têm uma preponderância fundamental, nomeadamente na área saúde. Neste sentido, conseguir que o Hospital de Valpaços reabra é uma boa novidade para os valpacenses…

Desde há muito tempo que se tem vindo a trabalhar no sentido de trazer aos Valpacenses um melhor acesso aos serviços de saúde. Um concelho envelhecido, as pensões míseras, as distâncias percorridas até aos cuidados de saúde e a falta de transportes públicos foram alguns dos problemas com que nos deparamos e que sempre nos preocupámos em resolver.

Em 2014 conseguimos alargar o horário de atendimento no centro de saúde, incluindo sábados, domingos e feriados e prolongamento até às 22h00 nos dias úteis.
Em 2016, a Câmara Municipal de Valpaços em protocolo com a Administração Regional de Saúde do Norte e a Santa Casa da Misericórdia de Valpaços, reúne as condições necessárias para que se possa reabrir o Hospital de Valpaços o que engrandecerá a variados níveis a qualidade de vida dos valpacenses, dinamizará postos de trabalho e certamente também trará outro ânimo à cidade e ao concelho. É com certeza uma das melhores novidades deste mandato. Os valpacenses merecem.

O apoio social é também uma vocação da autarquia. Neste sentido tem sido uma preocupação fundamental o apoio aos mais carenciados?

Desde que tomamos posse, assumimos que nunca reduziríamos a nossa acção ao nível social e educativo. É um compromisso que mantemos e cumpriremos. Delineamos estratégias, reorientamos os recursos, estabelecemos sinergias e, dessa forma, tornamos mais eficiente e atualizada a nossa ação.
As pessoas cada vez mais recorrem ao Município para pedir apoio e nós, autarquia, estamos atentos às situações mais complexas, garantindo que conseguimos dar apoio aos mais carenciados porque realmente representam uma preocupação para nós.

Na Habitação, dispomos do Bairro de Habitação Social, do Programa de Apoio ao Arrendamento, da atribuição de apoios pontuais para pagamento de rendas, de casas do Município atribuídas a famílias carenciadas, da requalificação de habitações, tarifa social da água, etc.
Também na área da medicação concedemos apoios pontuais a pessoas com carência económica e com doença comprovada. Na Terceira Idade facultamos ainda programas de proximidade e de combate ao isolamento como são o caso do Projeto Afectos e do Projeto PII.

Intervimos, ainda, com as Famílias Monoparentais, através do Projeto Libelinha e de apoios pontuais. Existe, também, o Projecto Valpaços Sorridente, no âmbito da saúde oral, que abrange as várias faixas da população.
No ano transacto, avançámos com o Kit de Apoio à Maternidade, com a colaboração das farmácias locais, atribuído a todas as grávidas, uma iniciativa que muito nos apraz, até porque em 2016 foram registados quase uma centena de nascimentos no concelho, um número bastante satisfatório e positivo comparando com os anos anteriores.

Importa também destacar o apoio prestado através das bolsas de estudo, os passes escolares e material escolar aos alunos do concelho de Valpaços.
Orgulhamo-nos de concretizar iniciativas que contribuam para o crescimento e desenvolvimento sustentável no concelho.

A ação de um autarca pode ser avaliada pela situação financeira em que se encontra a autarquia. Neste momento, como estão as contas da Câmara ao nível das dívidas e capacidade de investimento?

Fomos considerados no fim do ano o 2º Município do distrito de Vila Real com maior investimento, designadamente com mais obras adjudicadas. Aliás, segundo o anuário financeiro de 2015, Valpaços é o segundo município com maior equilíbrio orçamental e dos 308 municípios Valpaços está em 25.º. É uma questão de controlo e de rigor financeiro, sabendo definir prioridades.

De 2015 para 2016 reduzimos à divida cerca de 1 milhão e 300 mil euros, sem recorrer a qualquer empréstimo. Findamos o ano de 2016 sem dívidas, sem contudo deixar de investir, como está aos olhos de todos.
Naturalmente sinto-me satisfeito por poder passar esta mensagem e essa confiança aos munícipes. A sustentabilidade económica é fundamental e uma preocupação nossa a de pagar atempadamente aos fornecedores e empreiteiros. Este é o princípio que qualquer autarquia deve seguir, se todos nós atuarmos responsavelmente e honrando os nossos compromissos, certamente estamos a construir um futuro melhor.

Quase a terminar o seu primeiro mandato à frente da Câmara de Valpaços, poderemos concluir que está a ser um mandato muito positivo?

Essa questão deverá ser colocada aos Valpacenses. O que eu posso dizer é que dei o meu melhor, pus-me ao serviço da população com total disponibilidade.

Este executivo pautou sempre, e sem hesitação, a sua estratégia nos e para os valpacenses. A consciência do trabalho concluído, das propostas concretizadas e ainda das muitas obras que estão a decorrer permitem-me sentir orgulho no trabalho realizado, mas não me incentivam a abrandar. Nunca me dou por satisfeito. Sou demasiado exigente para comigo. Não sei cruzar os braços nem nunca me dou por vencido. Quero sempre mais e melhor para Valpaços e iremos continuar a colocar toda a energia no desenvolvimento do Concelho, para que seja um território com futuro, graças ao aproveitamento das suas enormes potencialidades.
É com gosto que os sirvo, é com gosto que vivo e sinto esta terra.
Os Valpacenses podem contar connosco.

Share.

Deixe Comentário