Perto de meia centena de flavienses participaram no sábado passado, dia 21, no “Convívio de Partilhas” promovido pela Associação Partilhas e Cuidados a propósito do “Outubro Rosa”.

O “Outubro Rosa” é uma campanha de sensibilização universal que visa alertar as pessoas, sobretudo as mulheres, para a prevenção do cancro da mama.
Para Dulce Meirinho, embaixadora da Partilhas e Cuidados, é preciso continuar a “desmistificar” esta temática e levar a que mais pessoas ganhem consciência de que é essencial fazer um diagnóstico precoce da doença.
“As pessoas acham que se não falarem, a doença não lhes aparece, é como se fosse uma coisa tabu. Muitas delas não querem sequer ouvir ou estar informadas. Mas as coisas não acontecem assim”, referiu a responsável, que organiza o evento há três anos.

Por isso mesmo é que “continuamos a insistir e a persistir na prevenção do cancro da mama”, acrescentou.
Apesar disso, Dulce Meirinho garante que de ano para ano a adesão dos flavienses tem vindo a aumentar, o que, na sua opinião, justifica todo o trabalho desenvolvido por si e pelas voluntárias da associação.
A iniciativa “Convívio de Partilhas” decorreu no auditório do Forte de S. Francisco Hotel e contou com quase meia centena de participantes que ouviram muito atentamente os conselhos das enfermeiras Palmira Salgado e Amélia Monteiro e da médica interna no Centro Hospital de Trás-os-Montes e Alto Douro Inês Grilo.
Conhecer o próprio corpo, estar atenta aos sintomas do mesmo e realizar um rastreio de dois em dois anos foram alguns dos avisos.

“Além de estarem atentas aos sinais do seu corpo é importante que não ignorem os sintomas caso surja algo de diferente”, frisou Inês Grilo.
O que acontece muitas vezes, contou, é que “as pessoas por medo ou por vergonha não vão ao médico” e também “não participam nos programas de rastreio”, mesmo quando recebem uma carta em casa.
A idade é um dos principais fatores de risco da doença, assim como é importante levar um estilo de vida saudável. Outros dos fatores é o historial pessoal e o familiar, a existência de uma menarca muito precoce ou uma menopausa tardia e a toma de contracetivos via oral ou da toma de hormonas durante a menopausa.
O cancro da mama é uma doença que afeta sobretudo mulheres entre os 45 e os 69 anos. Estima-se que surjam cerca de seis mil novos casos por ano, número que tem vindo a aumentar, uma vez que em 2012/2013 o número de casos rondava os 4500.

“Houve um grande aumento de novos casos por ano mas pensa-se que pode ter acontecido pelo diagnóstico mais precoce”, sustentou a responsável.
Dentro deste grupo, morrem em média 1500 pessoas com cancro da mama. No caso dos homens considera-se que cerca de 1% seja também afetado com esta doença.
A iniciativa terminou com a partilha de experiências de algumas mulheres que tiveram cancro da mama ou que ainda hoje passam por esse flagelo.

Segundo a embaixadora da Partilhas e Cuidados há cada vez mais doentes a pedirem-lhe ajuda para perceberem, sobretudo, quais os direitos do doente oncológico e que apoios podem pedir e também para receberem algum conforto.
“As pessoas precisam de ter alguém com que se identifiquem, que falem abertamente e que saibam a mesma linguagem, e elas veem em mim isso, que também já passei pelo mesmo, e acabam por ganhar mais força para enfrentar este obstáculo”, sublinhou.
Presente na cidade de Chaves há quase dois anos, a Partilhas e Cuidados está situada na antiga escola de enfermagem, por trás do hospital, para receber todos os doentes oncológicos.

Cátia Portela

 

 

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