O auditório municipal de Montalegre viveu uma noite memorável com a celebração dos 42 anos da “revolução dos cravos”. Houve música, poesia, teatro e a presença do Nobel da Paz de 1996, D. Ximenes Belo.

Centenas de pessoas não quiseram faltar à comemoração dos 42 anos da liberdade em Portugal. A noite contou com vários momentos culturais e a presença do Nobel da Paz, 1996, abrilhantou ainda mais as celebrações.

«Esta noite foi mais uma vitória da liberdade. Tivemos aqui o prémio Nobel da Paz e alguns daqueles que lutaram e estiveram presos em Timor. Temos a cultura que nos trouxe estas memórias. Foi um espetáculo brilhante com a “prata da casa” que nos apresentou uma mensagem muito importante: a revolução não acabou! Enquanto houver alguém a sofrer, oprimido e com fome a revolução tem que continuar», destacou o vice-presidente da Câmara de Montalegre.

D. Ximenes Belo agradeceu o convite do município de Montalegre e sublinhou a importância da data assinalada.

«Fui convidado para participar no Colóquio da Lusofonia e no meu livro falo de um sacerdote açoriano que viveu 54 anos em Timor. Nesta data, espero que os jovens e as gerações futuras aprendam bem o que foi o 25 de Abril e aprendam o verdadeiro dom da liberdade. Essa liberdade é um dom de Deus e consiste em respeitar os outros, viver em tolerância e em democracia», sublinhou, relembrando, ao mesmo tempo, o significado que teve a descolonização em Timor.

«Em Timor a descolonização não decorreu a 100%, mas o povo português soube corrigir a história. Podemos dizer que uma das consequências do 25 de Abril foi a formação de sete países de língua oficial portuguesa. Cada povo tem direito à autodeterminação, à sua independência e identidade mas comungamos todos da mesma história, da mesma cultura, tradição e língua. São valores superiores aos valores políticos que nos separam. Foi uma das grandes conquistas do 25 de Abril. Que possamos corrigir os erros e trabalhar mais para que em Portugal, que já tem a riqueza da liberdade, não abusem dela e elevem o nível. Há ainda dois milhões de portugueses na pobreza. Enquanto existirem portugueses nesta condição não existe o verdadeiro 25 de Abril», concluiu D. Ximenes Belo.

Para Fátima Fernandes, vereadora da educação, a atuação dos vários jovens “encheu o coração” das pessoas presentes que apesar de amadores contracenaram, em palco, de forma muito profissional demonstrando o verdadeiro significado do 25 de Abril: «democracia, fraternidade, solidariedade e amizade. É isto que precisamos todos os dias».

Redação/CM Montalegre

 

 

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