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No passado fim de semana, entre os dias 26 e 29, Montalegre voltou a realizar mais uma edição daquela que é conhecida como a Rainha do Fumeiro. A XXVI Edição da Feira do Fumeiro de Montalegre voltou a atrair multidões à vila.

O pavilhão multiusos de Montalegre acolheu mais uma edição da Feira do Fumeiro na qual o produto principal é o fumeiro produzido única e exclusivamente por produtores do concelho montalegrense. Como já vem sendo hábito ao longo de todas as edições da Feira, durante os quatro dias do evento Montalegre recebeu centenas de milhares de pessoas oriundas de vários pontos do nosso país e, inclusive, da vizinha Espanha.

Quem também fez questão de estar presente na abertura desta Feira foi Eduardo Cabrita, ministro-adjunto. Este ano a sessão solene que dita a abertura oficial da Feira foi realizada no auditório do pavilhão multiusos. Orlando Alves, presidente da Câmara Municipal de Montalegre, abriu a sessão perante uma sala cheia. O autarca dirigiu-se a Eduardo Cabrita, agradecendo-lhe a sua presença, e, não poupando nos elogios aos produtores, assegurou ao ministro que lhe iria mostrar “o país real. Vai ter a oportunidade de sentir e ver aqui que há gente que labuta, gente empenhada na construção do chamado Portugal moderno”. Orlando Alves foi um dos grandes mentores da Feira do Fumeiro há 26 anos: “Começámos há 26 anos um pouco descrentes. Obviamente nunca pensando que as coisas um dia viriam a ter a expressão que hoje têm. E este é um evento que tem a vantagem de envolver toda a comunidade. Envolve os agentes locais, nomeadamente os empresários da restauração e da hotelaria que fazem um excelente trabalho e são nossos parceiros muito importantes nesta dinâmica de promoção e desenvolvimento do território. É gente que dinamiza a economia. É gente que trabalhou muito tempo durante muitos anos para institucionalizar a chamada marca Montalegre, que é uma marca com algum charme, atrativa, uma marca comercialmente forte. A nossa Feira é, no fundo, uma montra por excelência do chamado mundo rural”.

Para além de falarem sobre a Feira, tanto Orlando Alves como Eduardo Cabrita tocaram no assunto da crescente desertificação que tem vindo a assolar as regiões do interior de Portugal, à qual Montalegre não é exceção.

No final da sessão solene foi feita a habitual ronda pelos 94 stands distribuídos pelo pavilhão multiusos. Orlando Alves visitou todos os produtores do seu concelho presentes na Feira acompanhado por Eduardo Cabrita, pelos representantes dos vários concelhos do Alto Tâmega, por Boaventura Moura, presidente da Associação de Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã, e por outras entidades militares, religiosas e civis. No final da visita, foi oferecido um jantar aos presentes no qual o fumeiro, a feijoada, o pão e o bom vinho não faltaram.

Na sexta-feira a vila acordou pintada de branco devido à neve que caiu durante a madrugada. Com todas as estradas transitáveis, o nevão chamou ainda mais gente à região e, consequentemente, a uma das maiores feiras gastronómicas do nosso país.

No domingo à hora de almoço muitos produtores já tinham vendido quase tudo o que tinham no seu expositor, como foi o caso de Maria do Céu, produtora de fumeiro há 26 anos, altura que começou a Feira do Fumeiro de Montalegre, tendo marcado sempre presença no certame: “Correu muito bem a Feira. Tinha tudo cheio e agora já só tenho aqui meia dúzia de coisas. Vendi rojões, alheira, sangueira, chouriça de carne, salpicão e chouriça de abóbora. Leva muito tempo a fazer o fumeiro, dá muito trabalho, mas faço-o com muito gosto”. Maria do Céu é também uma das produtoras da região de Montalegre que participa na Feira do Porco de Boticas.

A boa fama da Feira do Fumeiro de Montalegre tem crescido por todo o país. Logo no início do ano, muitas pessoas fazem questão de marcar na sua agenda uma visita à Feira. Há quem o faça há já vários anos, em excursões organizadas com o fim de visitar a Rainha do Fumeiro, e há até quem venha a Portugal de propósito por esta altura. Anabela é emigrante em Paris e já não perde uma única feira: “Eu estou em Paris e todos os anos, quando posso, venho cá. Gosto muito de levar daqui o presunto, o chouriço, as alheiras. Levamos sempre o carro carregado. Adoro vir cá. Trago amigos e é sempre uma festa”.

Nem só de fumeiro se faz a festa

Este ano, uma das grandes novidades foi a criação da Fun Zone. O gimnodesportivo do pavilhão multiusos foi transformado em espaço de restauração e convívio, no qual os visitantes puderam degustar a boa comida que se faz em Montalegre e ainda dançar ao som da animação musical que foi uma constante ao longo dos quatro dias da Feira, com a atuação de grupos como a Banda “Oriundos da Noite”, os Gaiteiros da Raia (Espanha), o Grupo “Tradiminho”, um DJ com música variada, entre muitos outros. No exterior do pavilhão estiveram as “Tasquinhas”, nas quais o porco foi também o rei, e os restaurantes da vila não tiveram mãos a medir com tantos visitantes.

David Teixeira, vice-presidente da Câmara Municipal de Montalegre, fez um balanço muito positivo da Feira: “Foi uma forma fantástica de começar o ano. Tivemos uma Sexta 13 de casa cheia. Tivemos agora quatro dias. O Carnaval são três, mas a Feira de Montalegre são quatro. A todos deixa um sorriso na cara quando conseguimos atingir os objetivos. No ano passado tínhamos o recorde das 70 toneladas. Este ano conseguimos vender mais fumeiro, que é o grande objetivo desta Feira. Criámos um espaço novo, criámos festa em volta da Feira do Fumeiro. Mais 1500 m2 de área coberta com muitas associações locais trouxeram um colorido diferente. Valeu muito a pena”. David Teixeira explicou ainda que este ano o número de visitantes na Feira foi superior ao do ano passado, apesar de haver “duas feiras concorrentes: Ponte de Lima e Macedo de Cavaleiros. Estas feiras têm sempre um número de visitantes muito elevado. Mas Montalegre está na moda, quer na imprensa, quer nos sabores, e acho que valeu a pena e o público respondeu da melhor maneira ao desafio e ao cartaz que foi apresentado”.

Assim que terminou mais uma edição da Feira do Fumeiro, a autarquia começou já a pensar e a trabalhar a edição do próximo ano para que seja “igualmente um sucesso”.

Maura Teixeira

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