Maria Teresa Campos é a candidata à presidência da Câmara Municipal de Chaves pelo CDS-PP nas autárquicas que se vão realizar já em outubro. Em entrevista ao jornal A Voz de Chaves, cedida na passada segunda-feira, dia 26, esta flaviense explica a razão da sua candidatura e demonstra uma posição bem vincada contra o abandono das regiões do interior.

Jornal A Voz de Chaves: Qual o motivo que a levou a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Chaves?
Maria Teresa Campos: Candidato-me à Câmara porque, como já tive oportunidade de dizer, sou flaviense e acho que Chaves precisa de uma mudança. E sinto-me capaz de fazer essa mudança com a equipa que temos vindo a construir e vamos dar continuidade ao nosso trabalho já desenvolvido nas outras candidaturas. Fui convidada por toda a concelhia e é um voto de confiança de todos eles ao qual eu não pude dizer que não, tive sempre de dizer que sim e participar. Sou democrata cristã, sou militante do CDS desde sempre e sou fiel aos meus princípios. Acho que Chaves precisa mesmo de mudar. Chaves é um concelho que infelizmente está envelhecido, está a ficar deserto, precisa de gente nova, de iniciativas novas.

Caso seja eleita, o que vai fazer para que os jovens, por exemplo, não vão embora de Chaves?
Vou tentar captar investimento, porque é a primeira razão pela qual um jovem volta sempre, só se tiver emprego. E captando investimento novo para cá conseguimos sempre criar postos de trabalho, de preferência especializados, bem pagos, que sejam apelativos para os jovens, digamos assim. Depois tem toda a componente cultural, que também precisa ainda de um impulso. Está a melhorar, mas precisa ainda de um impulso. E eu acho que um jovem também se mexe muito por aí. Acho que precisamos de muita população jovem aqui em Chaves. Temos baixa natalidade, temos de criar condições para que as famílias queiram cá ficar.

Qual a sua opinião acerca do trabalho realizado pelo atual executivo ao longo destes quatro anos?
Eles não estão a fazer um trabalho totalmente mau. Eles estão é a fazer um trabalho desfasado no tempo. Podemos pegar, por exemplo, nos investimentos e nas grandes obras que têm feito até agora. Acho que são obras que são importantes, mas não são importantes para o bem-estar da população. Nós não precisávamos de um mercado abastecedor, precisávamos sim de uma rede de saneamento que cobrisse toda a área e não temos. Aliás, nós, comparativamente a pequenos municípios aqui à volta, somos dos municípios que têm uma menor percentagem de cobertura de saneamento. A questão da água não está bem resolvida ainda. O tratamento das águas residuais, as ETARs, também ainda não está a trabalhar em pleno, e deveria estar. Fizeram-se muitos investimentos que não estão a ser aproveitados, que é o caso do Forte de São Neutel, por exemplo, não é deste executivo, mas poderia ter sido aproveitado e não está a ser aproveitado. Fizeram-se obras em praças nas quais não havia necessidade nenhuma de mudar. Nós não precisávamos de mudar as Freiras, por exemplo, mas já tivemos que intervencioná-las duas vezes. A primeira não estava bem, agora não é ótima, mas também não é aquela que a população gostaria de ter. Estamos a fazer investimentos em museus que já precisam de intervenção antes de serem abertos, que é o caso do Museu das Termas Romanas que tem problemas de condensação e precisa de novas obras. E não só. O mercado abastecedor é demasiado grande para aquilo que nós precisamos, a plataforma logística não está a funcionar como deveria estar. Se nós na altura tivéssemos pegado nesse dinheiro e tivéssemos utilizado para criar estruturas de apoio social se calhar neste momento Chaves estaria mais desenvolvido. Têm feito outras ações importantes, como o caso do apoio às famílias numerosas, aos bombeiros. Têm feito um bom trabalho, mas ainda é preciso fazer mais.

Maria Teresa Campos, candidata à presidência da Câmara Municipal de Chaves pelo CDS-PP

Relativamente a esses investimentos que falou, caso seja eleita, o que está a pensar fazer para resolver o problema, digamos assim, do parque empresarial?
Do parque empresarial, lá está, teria de se chamar investidores que agora ajudassem a compensar financeiramente todo o gasto que foi feito ali. Por aquele espaço a render.

E como é que esses investidores iriam ver esta zona como sendo uma zona atrativa?
Estamos bem localizados. Podemos aproveitar a Eurocidade como um meio de desenvolvimento e transação intercomunitária. Estamos muito próximos da fronteira, estamos muito próximos do resto do Norte de Portugal. Foram feitas as autoestradas. Por que não trazer para aqui empresas inovadoras?

Ligado à Eurocidade, um dos projetos do atual executivo é a criação de uma Escola Superior de Hotelaria e Termalismo aqui em Chaves. Será uma boa forma de fixar pessoas?
Sim, claro que sim. Podíamos pegar noutras áreas, podíamos pegar na área de gestão, podíamos melhorar a área da saúde, criar outros cursos técnicos nesta área, técnicos superiores, digamos assim. Podíamos criar as chamadas incubadoras para os jovens que querem criar a sua própria empresa. Nós temos aqui um espaço, mas não está propriamente promovido, nem está a ser devidamente aproveitado. Eu acho que isso seria importante também. E poderia ser aproveitado para as empresas espanholas, para as portuguesas, e na Eurocidade há muito mais trabalho para fazer, não é só isso.

Relativamente ao Hospital de Chaves, este é um assunto que preocupa muito os flavienses. Ainda há pouco tempo surgiu a notícia de que iria deixar de haver viatura do INEM durante a noite, e depois essa situação acabou por não se verificar. O que é necessário fazer para que o Hospital de Chaves não perca mais valências, não perca mais pessoas?
A gestão do Hospital em si está a ser feita na base do dia a dia e não deveria ser assim. Nós deveríamos fazer pressão junto do Ministério da Saúde para que as coisas mudassem porque as Câmaras não podem alterar a gestão dos hospitais. Poderemos sempre tentar propor ao Ministério uma forma para que os funcionários do Hospital não tenham de se deslocar para trabalhar noutros centros hospitalares aqui perto, que é o caso de Vila Real. Há médicos que vão a Vila Real, há enfermeiros que vão a Vila Real, serviços administrativos que vão para Vila Real, e mesmo para as populações não é nada confortável. É preciso tentar trazer para cá aquilo que tínhamos antes. Não ser só uma unidade hospitalar, mas voltar a ser um hospital distrital. Temos de fazer essa pressão, e essa é também a vontade da Câmara atual, acho eu, pelo que pude entender.

Quais os grandes projetos que o CDS tem para o concelho?
Os projetos que queremos trazer para o concelho, e vou falar-lhe no geral, são projetos de um investimento sustentado, queremos trazer melhorias para a população residente, queremos, por exemplo, reabilitar a unidade móvel de saúde. Já houve em tempos e queremos voltar a pô-la a funcionar. Queremos criar uma carrinha “cidadania”, chamemos-lhe assim, de maneira a levar a Loja do Cidadão às populações rurais, por exemplo. São pequenos projetos, mas que se podem transformar em grandes projetos porque as populações rurais sentem-se bastante isoladas. E se nós pudermos levar-lhes algum conforto, seria importante. Queremos fazer uma gestão financeira correta. Não que não esteja a ser, mas temos de ter muito cuidado. Nós neste momento temos capacidade de endividamento, mas se pudermos por a render alguns dos projetos que temos aí em mãos, que é o caso do Museu Nadir Afonso, ao qual lhe falta promoção, promover turisticamente outros pontos de interesse aqui do concelho, e não só daqui da cidade. O concelho não é só Chaves, não é? Também temos Vidago, por exemplo. Nós já referimos num artigo nosso que as Termas de Vidago são um projeto que deveria ser reativado, deveria ser posto em marcha, deveria criar-se redes de associativismo a funcionarem em comum, levar o orçamento participativo a outras Juntas de Freguesia que não só Chaves. Ou seja, em vez de ser Chaves a propor eles também trazerem para nós as suas participações. Porque é importante também contar com os outros, não é só a cidade.

Qual é a sua opinião no que respeita à descentralização do poder?
A minha opinião é de que seria bastante positiva. Porque Portugal, infelizmente, está a desenvolver-se mais para Lisboa e não tanto para as outras regiões do país.

Também acha que o interior está a ser esquecido?
Sim, completamente. Nada daquilo que está a ser feito, nada. Eles prometem, prometem que vão trazer para aqui hospitais, empresas, transportes, etc. Mas primeiro que tragam é preciso que nós estejamos ali a bater à porta todos os dias e isso não deveria ser necessário. Acho que a descentralização do poder neste momento seria bastante positiva.

No início da entrevista falou dos seus princípios. Quais são eles?
Os princípios pelos quais nos regemos é o democrata cristão, obviamente pelo partido que somos, pela ética, pela responsabilidade social, pelas pessoas, pela transparência. Queremos fazer um trabalho com brio, queremos virar o nosso trabalho para as pessoas, fazer desenvolver a cidade, o concelho, as aldeias aqui à volta e sempre direcionado para as pessoas. O nosso princípio é humanista, neste caso.

Sente-se confiante para as eleições?
Se não me sentisse confiante não me iria candidatar.

Maura Teixeira

 

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