Flaviense voltou a triunfar na Milão – São Remo. Garante voltar para bater record da prova. Tem o calendário preenchido para os próximos meses.

João Oliveira, à esquerda, a receber o troféu

O ultramaratonista João Oliveira conquistou pela terceira vez nos últimos três anos a prova Milão – São Remo, prova italiana que une em corrida as duas localidades, de 285 quilómetros e 1.800 metros de desnível positivo, com um tempo de 33 horas e 28 minutos, numa média de 8,5 quilómetros por hora.

Com dificuldades em voltar para casa, pois a organização ‘trocou-lhe’ as voltas este ano, João Oliveira arranjou um tempo para falar com A Voz de Chaves logo que entrou em Portugal.
“Habitualmente a prova começa sexta-feira e os prémios são entregues domingo, mas este ano começou sábado e por isso apenas encerrou segunda. Já tinha os voos programados para segunda mas como a organização pediu para ficar, tive de trocar o que motivou o atraso no regresso”, contou o flaviense.

Mas o mais importante é a conquista pelo terceiro ano consecutivo da famosa prova de ultramaratona. E, como sempre, João Oliveira não está totalmente satisfeito com a sua prestação. Aliás, garante que já está a pensar em voltar para o ano, porque não atingiu o objetivo a que se propôs, de fazer os 285 km em 28h30. Isto vindo de quem acabou de vencer uma ultramaratona.

“Desta vez custou-me bastante. Estava muito calor, vomitei três vezes pelo menos. Apesar disso, o ritmo que coloquei estava correto, estava a cumprir a média a que me propus, mas com o mau estar e enjoos, o que me fez perder energia que serviria para gastar, e com o carro de apoio a perder-se de mim, fui quebrando, mas consegui vencer”, confessou.

O dorsal dizia ‘Oliveira’ e as pessoas gritavam ‘João’

A conquista ano após ano da prova italiana, e o facto do record da prova pertencer ao transmontano, leva a que a sua fama chegue a todo o lado.
João Oliveira ficou muito surpreendido com o apoio que recebeu ao longo de toda a corrida, pois apesar de o seu dorsal apenas dizer ‘Oliveira’ e ‘POR’, com a bandeira portuguesa, nas ruas italianas o que se gritava era ‘João’.

“Devem ter feito uma grande publicidade, pois gritavam o meu nome que não aparecia no dorsal e eu só pensava ‘mas como sabem que sou João’. As pessoas estavam à minha espera, dia e noite, acompanhavam-me a correr, foi espetacular”, realçou o atleta de Chaves.

Preparação recheada de sucesso

Com o objetivo de baixar o seu record, de 29h09, João Oliveira preparou-se com afinco para a corrida Milão – San Remo, com a curiosidade de conseguir sempre resultados de destaque.
Em finais de março participou na Ultra trail do Marão, fazendo 9º lugar da geral e 3º no seu escalão. Depois, em Lousada, na maratona em pista, o flaviense fez o 2º lugar e primeiro no seu escalão, ao estabelecer como objetivo concluir a prova em 3 horas certas, conseguindo-o.

“Ia apenas para treinar mas acabou por correr sempre bem. Na prova é que não foi assim, mas vou trabalhar para baixar o record no ano seguinte”, garantiu.
Ainda assim, João Oliveira bateu a concorrência, que este ano era muito forte. “Não sabíamos quem ia vencer. Estiveram muitos atletas com bons currículos, muito fortes, e estava até o primeiro vencedor da prova, mas não sei bem porque não me desafiou e nem sequer participou, apesar de estar inscrito”, realçou.

Foco Campeonato Mundial das 24 horas

Há ainda muito mais para ganhar. João Oliveira tem a agenda recheada de provas, a maioria delas para defender os títulos que ganhou, mas a que mais deseja estar é no Campeonato Mundial das 24 horas, que se irá disputar na Irlanda, dia 1 de julho.

Antes, dentro de 15 dias, o flaviense participa na Ultramaratona de Portalegre, de 100 km, que venceu no ano passado e espera fazer pelo menos top-3, mas com menos 15 dias de recuperação que em 2016.
Em final de Julho, João Oliveira vai estar presente na PT 281, entre Belmonte e Proença a Nova, onde venceu em 2015.
Pelo meio o transmontano espera estrear-se no Campeonato Mundial das 24 horas. Segundo explicou João Oliveira a ida tem de ser feita em equipas, e a Federação Portuguesa de Atletismo está a tratar da candidatura, após a seleção de atletas feita pela Federação Portuguesa de Trial.

“A acontecer será a premiria vez que a federação irá levar atletas ao mundial. Esta prova conta também para o Europeu, o que é bom. Seria muito positivo para o nosso pais e para nós atletas”, destacou.
A lista conta, além do flaviense, com Carlos Sá, Aníbal Godinho e ainda com a opção de também ir Luís Gil: “O Carlos Sá é bom, eu não sou muito mau, e o Anibal e o Gil são também bons, o que pode representar num bom lugar, quer individualmente quer coletivamente”.

Diogo Caldas

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