Na semana passada, Chaves voltou a ser primeira página da imprensa escrita nacional com a notícia da retirada do serviço de INEM durante o horário noturno.

No dia 28 de abril os flavienses acordaram em sobressalto com a notícia de que a partir do dia 1 de maio o concelho de Chaves seria um dos oito concelhos portugueses que iriam deixar de ter ambulâncias do INEM entre as 0h e as 8h, e que esta situação se iria prolongar pelo menos até ao final do ano. A justificação para a adoção desta medida prendia-se com a falta de técnicos, nomeadamente durante a fase crítica de incêndios que se aproxima. O socorro noturno ficaria então a cargo dos bombeiros.

No entanto, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) emitiu ainda nesse mesmo dia um comunicado no qual afirmou que “não se verificará o encerramento de qualquer meio de emergência do Instituto”. No mesmo comunicado, pode ler-se ainda que “o INEM possibilitará em 2017 que 24 novas ambulâncias entrem ao serviço, bem como a substituição de 41 Ambulâncias, num total de 65 novos meios. O investimento estimado, a realizar pelo INEM durante 2017, é de 3,5 milhões de euros”.

Nuno Vaz, candidato pelo Partido Socialista (PS) à Câmara Municipal de Chaves: “Esta ambulância iria deixar de operar no período das 24h às 8h. De facto, esse era um motivo de preocupação para nós porque entendemos que a saúde é um bem essencial para todas as comunidades, assim como as questões de segurança e de resposta em tempo útil a questões de emergência, de acidentes, e a problemas de rápido socorro que existem, como os acidentes de enfarte do miocárdio e os AVCs, cada vez mais prevalentes na nossa comunidade. E, portanto, nós temos de ter soluções rápidas que permitam transportar as pessoas contexto hospitalar. E encerrar este período noturno significa criar na comunidade alguma insegurança e alguma intranquilidade. O que está a ser dito é que não há nenhuma decisão quanto ao encerramento. Os horários de funcionamento destas ambulâncias vão continuar a fazer-se da mesma forma que se faziam até aqui. E a nossa predisposição é estarmos vigilantes, atentos, no sentido que não haja nenhuma alteração, e que o nível de segurança e de prontidão de resposta que existe hoje no concelho possa ser mantido, senão mesmo melhorado. Porventura, haverá também nesta matéria, como noutras na saúde, ainda espaço para poder, com os mesmos recursos, melhorar a resposta e ser mais competente naquilo que é a ação deste serviço.

Na saúde, como noutros domínios, mas particularmente na saúde, os flavienses estão de alguma forma receosos porque temos assistido a decisões anteriores que efetivamente acabaram por não ser tão favoráveis e que não responderam adequadamente àquilo que eram os nossos anseios. O que nós dizemos é que nós, PS de Chaves, eu, Nuno Vaz, enquanto candidato à Câmara, estaremos na linha da frente na contestação e também na dinamização, na afirmação, na proposta, no sentido de que efetivamente possamos mostrar que é importante num concelho que tem cerca de 40 mil pessoas e num espaço de 600 quilómetros quadrados termos a capacidade de ter respostas que possam estar disponíveis para aquilo que são, e como nós sabemos cada vez mais frequentes, situações de acidentes de viação, enfartes do miocárdio, AVC, e outro tipo de situações de doença urgente”.

António Cabeleira, presidente da Câmara Municipal de Chaves: “Em comunicado, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) disse que aquela possibilidade só estava em discussão com o sindicato dos trabalhadores, que não era uma realidade. E tendo chegado a acordo com o sindicato dos trabalhadores dos técnicos de emergência médica houve reversão da situação. Portanto, vamos continuar a ter em Chaves as duas ambulâncias do INEM: a direta do Instituto Nacional de Emergência Médica que está sediada no Centro de Saúde nº 2, e a outra dos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública, o que quer dizer que vamos continuar seguros, vamos continuar com tranquilidade. Mas devemos estar sempre atentos e vigilantes porque realmente esta notícia não é inédita. O Governo devia ouvir as autarquias onde incidem as medidas que vão ser alteradas. Infelizmente isso não acontece. Nós acabámos por ser alertados pela imprensa.

Felizmente a situação reverteu-se. Vamos ter o INEM a operar através da ambulância sediada no Centro de Saúde 24h por dia, e vamos continuar a ter também a dos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública 24h por dia o que nos dá aqui alguma garantia. E às vezes nem as duas são suficientes porque muitas das vezes também é mobilizada a ambulância, embora não sendo no INEM, dos Bombeiros Voluntários de Vidago que também participam no socorro. Para além das outras dos Bombeiros Flavienses. Para já o que está a segurado é que esta situação foi afastada. Contudo, neste processo fui ouvindo muita gente e há quem me diga que em junho poderá voltar a haver algum risco por falta de recursos humanos. Mas até junho o INEM terá naturalmente tempo para recrutar mais recursos humanos para podermos ter condições de operacionalidade durante as 24h por dia, como temos hoje. Contestarei a medida que signifique diminuir a capacidade de intervenção da ambulância que o INEM tem sediada no Centro de Saúde nº 2, aquela que o INEM gere diretamente. Temos de contestar porque não faz nenhum sentido”.

Maura Teixeira

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