Em jogo condicionado com duas expulsões para os beirões, os flavienses não aproveitaram para somar a terceira vitória consecutiva. Do outro lado, a equipa do Tondela voltou a pontuar, com um ponto que sabe a ouro face às circunstâncias da partida. 

Tinha razão Luís Castro em temer o adversário da 8.ª jornada a jogar fora, pois o Tondela conseguiu repartir o jogo num momento inicial, contrariando a natureza dos flavienses em ter a bola. Mas a partida tinha muitos percalços para condicionar estratégias e formas de jogar.
Com 10 minutos de total equilíbrio, até nas oportunidades estas foram bem divididas, e sempre que uma equipa atacava, a outra respondia. De realce, a oportunidade desperdiçada pelos flavienses logo aos dois minutos, num livre de Bressan que Jefferson sozinho em plena área não conseguiu cabecear para golo, vendo Cláudio Ramos brilhar.
A jogada mais bonita da primeira parte surgiu aos 9′, quando o Chaves já reclamava o domínio para si. Tiba lançou Paulinho na direita, que combinou com Perdigão, este devolveu e o lateral colocou a bola para William que na área desviou ao lado.
Era o prenúncio do que estava para surgir. O Tondela dava boa conta do recado mas errava num pormenor: o número de faltas cometidas.
Aos 12 minutos Davidson ganhou um livre pela esquerda e Bressan tratou de oferecer o golo a William, que em jogada estudada apareceu ao primeiro poste e num toque subtil fez o golo.

O que o videoárbitro dá, o vídeoárbitro tira
Tudo parecia correr bem para a equipa transmontana. De tal forma que aos 18 minutos Júnior Pius auto-excluiu-se do jogo, ao fazer uma entrada imprudente sobre William. O árbitro Bruno Paixão teve de recorrer ao videoárbitro, mas a expulsão deu justiça. Pepa era obrigado a refazer a equipa e Claude passou para central.
Já em cima da meia hora, Jefferson falhou um corte de uma bola longa e viu Ricardo corrigir, tendo de dar canto perante o remate de Tomané. Na bola parada, a bola sobra para o segundo poste, onde Ricardo Costa atira de cabeça, Tomané desvia e Hélder Tavares faz golo. Foi necessário recorrer novamente ao videoárbitro para haver certeza quanto à posição do homem que marcou, mas Bruno Paixão, validou, e bem o tento do empate.
Impróprio para cardíacos, embora as longas pausas do videoárbitro permitissem descansar o coração de todos os presentes, voltaram os transmontanos ‘à carga’ à procura de nova vantagem.
Novo tiro no pé, do Tondela
Não perdendo tempo, e insatisfeito com o empate, o técnico dos transmontanos mexeu ao intervalo, refrescando o ataque com Matheus Pereira e Tiago Galvão, saindo Perdigão e Jefferson, este um médio defensivo.
Tiago Galvão podia ter sido o herói logo aos 51 minutos, quando atirou de cabeça para enorme defesa de Cláudio Ramos, não concluindo o passe já na área de William, após cruzamento de Paulinho.
Sem recorrer ao videoárbitro desta vez, Bruno Paixão foi obrigado a ir outra vez ao bolso do cartão vermelho, quando Joãozinho teve uma entrada ‘a matar’ sobre Matheus Pereira, a segunda em poucos minutos, e aos 55 minutos o Tondela ficou a jogar com nove elementos. Desta vez, a adaptação teve de vir do banco e Pepa lançou Pité e os visitantes ficaram a jogar com três centrais.
Se já com mais uma unidade a equipa flaviense dominava, com mais dois homens, apenas com rasgos individuais o Tondela conseguia respirar. Mas, ainda assim, as oportunidades flagrantes, tal como na primeira parte, demoravam a aparecer.
Aos 57 minutos Paulinho voltou a fazer uma assistência, agora para William, mas o avançado não foi feliz desta vez. Aos 68, Jorginho foi bem isolado na direita por Tiba, mas o cruzamento não apanhou ninguém ao segundo poste.
Com seis minutos de compensação pela frente, os últimos suspiros dos ataques do Chaves mostraram a falta de inspiração, num momento decisivo do encontro. Primeiro, Bressan, de livre direto conquistado por Galvão, viu Cláudio Ramos mostrar segurança. Depois, Davidson isolou-se em plena grande área mas não conseguiu o toque final.
Não é justo, de todo, dizer que o Desportivo de Chaves não tentou vencer o jogo, mas é importante realçar que faltou mais calma e estratégia para a equipa da casa chegar ao tento decisivo, quando tinha mais dois homens que o adversário desde os 55 minutos.

Diogo Caldas

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