Tal como nos anos anteriores, também este ano teve lugar em Alturas do Barroso a comemoração do São Sebastião com a típica feijoada à transmontana que mais uma vez fez a delícia dos milhares de visitantes que por lá passaram.

IMG_3108Reza a lenda que a festa de São Sebastião em Alturas do Barroso teve origem numa promessa feita há muitos anos atrás, quando os animais da aldeia foram atacados por uma peste que espalhou a morte entre eles. Desesperados, os habitantes da aldeia recorreram a S. Sebastião para que os livrassem de tamanho mal, prometendo que anualmente, celebrariam o dia 20 de Janeiro em sua honra, se as suas preces fossem ouvidas. Realizado o milagre, assim se cumpre a tradição, ano após ano.

A festa é organizada por 4 mordomos que compõem a Comissão de Festas, num sistema de rotatividade pelas casas da aldeia. Manuel Pereira Gomes, antigo emigrante em França voltou para a aldeia há cerca de seis anos e desde então ajuda na festa de S. Sebastião, ano após ano, sempre com um sorriso e preocupado em servir os milhares de visitantes que ao longo do dia vão passando por Alturas. Este ano não pertence à Comissão de Festas, contudo isso não o impede de oferecer a sua ajuda em conjunto com “20, 25 pessoas voluntárias que durante três dias preparam tudo, desde pôr as carnes de molho até á confecção final da feijoada”.

Antigamente era só pão, vinho e as pessoas da aldeia, hoje em dia cerca de 300 kg de feijão, 150 kg de arroz e mais de 500 kg de carne de porco e vitela são os ingredientes chave para elaborar uma bem composta e saborosa feijoada, não esquecendo o “tempero” sábio de Angelina Marques Calheno que aos seus 78 anos e há tantos anos que já se lhe perderam na memória “comanda” aqueles 12 potes de ferro como ninguém.

Antes da realização da festa, os mordomos andam pela aldeia a recolher a contribuição que cada uma das casas queira oferecer, desde o fumeiro à carne de porco (pé e orelha) e dinheiro com o qual se compram os vários alimentos como arroz, feijão, pão e vinho. Os preparativos começam dias antes, preparam-se as loiças, o espaço, a lenha e a comida.

No dia 20, ainda de madrugada, na ampla sala do edifício da sede da Junta de Freguesia, numa lareira construída para o efeito, começa a confeccionar-se a refeição comunitária que consiste na feijoada, arroz, pão e vinho.

De manhã, realiza-se a missa em honra de S. Sebastião, no final da qual se faz uma procissão, com o andor de S. Sebastião a desfilar pelas principais ruas da aldeia até ao local da festa sempre a entoarem-se cânticos e orações pedindo a protecção do Santo ou agradecendo as dádivas concedidas.

Chegados ao local da festa, o padre procede à bênção da comida, em especial do pão que mais tarde vai ser distribuído pelos fiéis “que o comem ou o dão aos animais para ficarem livres de doenças”. O andor com o Santo é colocado numa mesa à entrada da sala, onde, como patrono, preside à refeição. Quem nesse dia passou por Alturas do Barroso podia encontrar o presidente da Junta de Freguesia, Paulo Jorge Pereira, que junto de outros mordomos pedia o contributo das pessoas, que em fila aguardavam a sua vez de entrar. Cá fora, frente ao salão, visitantes minhotos contagiavam os transmontanos com as suas danças e músicas alegres.

Esta é uma festa que atrai milhares de pessoas a Alturas do Barroso, terra abençoada com paisagens agrestes paradisíacas com uma beleza inigualável e com um povo mais inigualável ainda que conhece como ninguém a arte de bem receber. Quem vai a Alturas no dia 20 de Janeiro, é testemunha de uma união e amor tão belo como raro.

 

Andreia Gonçalves

 

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