Decorridos 100 dias da tomada de posse como presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, em entrevista, salienta o que de mais importante se fez neste período, tendo como prioridades para o futuro a promoção turística e o incremento da atratividade económica.A Voz de Chaves: Após 100 dias à frente da autarquia, qual a primeira ideia que lhe ocorre sobre ser presidente da Câmara de Chaves?
Nuno Vaz: Depois de um processo eleitoral muito intenso, com a tomada de posse, após as eleições em que os flavienses deram uma maioria expressiva ao PS, a primeira ideia que me ocorre é a enorme responsabilidade que é liderar uma grande cidade, um grande concelho com grande história e, também, com a pretensão de liderar uma região, que é a região do Alto Tâmega.

Após a tomada de posse, nestes primeiros 100 dias, quais foram as primeiras prioridades do executivo?
As prioridades estratégicas definidas neste primeiro período recaíram na planificação do Orçamento e das grandes opções do Plano Plurianual de Investimentos para 2018, bem como garantir a continuidade da prestação de serviços básicos à comunidade e salvaguardar que o conjunto de ideias que estavam identificadas no Pacto do Alto Tâmega e no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) fossem concretizadas, com a sua apresentação, através de candidaturas, até 31 de dezembro, como efetivamente aconteceu.
Esta tarefa ocupou grande parte do nosso tempo, mas não deixámos de cumprir uma das promessas que fizemos ao nível de relacionamento com os flavienses. Queremos que a Câmara Municipal de Chaves comece a ser a “Casa do Povo”, em que todo e qualquer cidadão, todo e qualquer flaviense, pode dirigir-se, procurando resposta para as suas questões.
Aliás, queremos mudar o paradigma da política local, no sentido de podermos, em conjunto com os cidadãos, partilhar algumas das decisões mais estratégicas para o destino desta cidade. Nesta perspetiva, entendemos que é fundamental que os cidadãos possam ser chamados a pronunciar-se, não só de 4 em 4 anos, relativamente a algumas questões e, por isso, fizemo-lo estes dois últimos meses e meio e retomámos algumas decisões no sentido de alterar alguns projetos porque pareciam divorciados do sentimento das populações.

Foi nesse sentido que não deu continuidade ao projeto que se estava a realizar no Jardim do Bacalhau?
Sim. Depois de ouvir as pessoas, ainda na campanha eleitoral, quisemos dar nota que efetivamente queremos estar próximos das pessoas e que elas possam contribuir para a tomada de decisões. De imediato, as obras do Jardim de Bacalhau foram suspensas e o novo projeto vai ser apresentado publicamente, ouvindo o que as pessoas têm a dizer.

Nessa linha vai também a promessa do referendo sobre a reabertura ao trânsito na Ponte Romana….
Certamente. Será um processo inédito. Será a primeira vez que esta forma de consulta se realizará em Chaves. Será um processo que não vai ser feito com pressa.

Elaborado e aprovado o Orçamento e as grandes opções do Plano Plurianual de Investimentos para 2018, foi possível acomodar iniciativas apresentadas aquando da campanha eleitoral?
O Orçamento e as grandes opções do Plano Plurianual de Investimentos para 2018 foram aprovados na Assembleia Municipal por larga maioria, embora o Partido Socialista não esteja em maioria na Assembleia Municipal.
Nós fizemos um compromisso autárquico e esse compromisso estende-se pelos próximos 4 anos. Devo dizer que a elaboração desse documento foi bastante exigente resultante da surpresa desagradável que foi perceber que no nosso primeiro exercício orçamental, sem que nenhuma ação do nosso programa eleitoral nele constasse, havia um desequilíbrio orçamental 7,6 milhões de euros. Tal significa que o planeamento financeiro elaborado pelo anterior executivo previu uma grande concentração de investimento em 2018/2019.
Ainda assim, com alguma ginástica orçamental, foi possível acomodar três ou quatro iniciativas que faziam parte do nosso manifesto eleitoral. Nomeadamente, a redução do IMI que pretendemos colocá-la no valor mínimo, no final deste mandato. Também um compromisso que nós assumimos de ter uma cidade mais limpa, mais alegre, mais interessante, pelo que iremos contratar para o ano de 2018, cinco jardineiros e cinco pessoas integradas na equipa de limpeza urbana, à semelhança do que vamos fazer no nosso reforço na capacidade na área da proteção civil.
Iremos fazer a sinalização horizontal das principais vias de comunicação municipal que são de facto uma carência, quer do ponto de vista rodoviário, quer sobre o ponto de vista daquilo que é a própria preocupação das pessoas.
Também inscrevemos no orçamento para 2018 uma ação que tem a ver com a requalificação de um troço que vai desde Soutelinho da Raia até ao limite do concelho que tem cerca de 1300 metros. De facto é um troço que liga Chaves a Montalegre e que precisa de uma intervenção urgente.

Nos próximos tempos, o que entende ser mais prioritário?
A curto prazo nós temos de ter a capacidade de poder, conjuntamente com os outros municípios do Alto Tâmega, montar uma estratégia de promoção turística.
Não nos podemos esquecer que, quando nós falamos de promoção turística (e isto tem sido repetido no discurso político no nosso concelho, nos outros concelhos, a nível nacional, pois toda a gente fala em promoção turística), temos que perceber que para se fazer promoção turística tem de haver produtos e serviços turísticos e entendemos que o concelho de Chaves, mas também a região do Alto Tâmega, tem condições excecionais para que efetivamente sejam concretizados esses produtos turísticos.
Verdadeiramente, cada município do Alto Tâmega terá um, dois, três produtos no máximo que terá que promover de forma colaborativa, articulada e integrada com os restantes municípios.
No nosso caso, facilmente se chega à conclusão que temos de insistir e valorizar aquilo que é o nosso produto estrela: a água, particularmente o recurso termal, ligado naturalmente à questão cultural e ao património histórico.

O facto de os tratamentos termais poderem ter a comparticipação do SNS é uma mais-valia para as Termas de Chaves?
É mais uma oportunidade! Entendemos que os cuidados termais, aliados à saúde, podem naturalmente ter uma nova oportunidade através da comparticipação do Ministério da Saúde.
Apesar da comparticipação, ainda desconhecida, que pode não ser relevante, no entanto há um sinal importante que o Estado deu que é entender que a água termal tem propriedades curativas, que é um medicamento natural. Tem um potencial, um fator de saúde, com propriedades preventivas e curativas.
A retoma de uma decisão que valoriza os tratamentos termais surge inserida num leque de respostas no domínio da saúde. É um sinal muito importante.

Abordava o património histórico. Relativamente ao Museu das Termas Romanas, quais são as perspetivas para a sua conclusão?
A nossa expectativa é que esta nova intervenção possa ter início no próximo mês, para que se resolvam as questões de condensação, mas também a conservação das estruturas arqueológicas e a sua musealização. O Município terá que assumir o valor de 1,1 milhões de euros, com financiamento comunitário. Os flavienses e os turistas em geral vão poder, como muito anseiam, fruir desta verdadeira jóia, legado pelos romanos.

Além da promoção turística, também o desenvolvimento económico e social é importante. Neste sentido, que perspetivas tem para o Parque Empresarial?
Quando se fala no Parque Empresarial (Parque de Atividades, Plataforma Logística, Mercado Abastecedor da Região de Chaves), tem de ser trabalhado numa perspetiva diferente, mais competente e numa lógica profissional. Estamos a trabalhar no sentido de poder vendê-lo. Na nossa perspetiva, tem potencial e podemos atrair investidores. Não se pode continuar a fazer como se fez no passado: criar uma associação, como a Flavifomento, para fazer de conta que gere um Parque de Atividades.
Estamos a construir uma solução que vai permitir vender o Parque, junto de interlocutores e potenciais interessados, e este ano de 2018 vai ser importante para a definição dessa estratégia.

Relativamente à dimensão e desenvolvimento social, qual é a perspetiva da autarquia?
A questão da dimensão social é muito importante, porque tem a ver com a dignidade humana. A questão prioritária para o nosso concelho, e também para a região, tem a ver com o investimento e a empregabilidade. Podemos fazer requalificação, podemos introduzir novos instrumentos, na cultura, no social, na educação, requalificação de vias, mas se não conseguirmos efetivamente captar investimento, criar empregabilidade, criar as condições para que as pessoas se fixem e que possam aqui construir o seu futuro, com certeza que nós teremos naturalmente um território mais exíguo e com menos perspetivas de esperança no futuro.
De uma forma mais concreta, relativamente à área social, temos duas candidaturas para a requalificação do Parque Habitacional Social, de forma a proporcionar melhores condições de habitabilidade e conforto a quem lá reside e, por ventura, aumentar a oferta neste domínio.
Sabemos que neste concelho existem várias IPSS’s, de relevância social, nomeadamente a Santa Casa da Misericórdia, a Cruz Vermelha, a Flor do Tâmega, entre outras, mas o que faz falta é uma leitura conjunta destas entidades, que permita a criação de uma rede que possa garantir que os mais desprotegidos tenham respostas adequadas.
O repto que foi lançado já a estas instituições é construir um plano de emergência social, que efetivamente garanta que os cidadãos colocados nessa situação obtenham respostas mais eficientes e otimizar melhor os recursos. Essa colaboração que pode ser assegurada através de várias respostas articuladas, no sentido de garantir uma resposta eficiente.
Já demos um sinal. O valor financeiro proposto no orçamento de 2018, para apoio às famílias desfavorecidas, sofreu um incremento de 300%. É um sinal de que queremos ter um olhar diferente e integrado para os problemas sociais. Uma resposta isolada dos serviços municipais certamente será inadequada.

Decorre neste fim de semana a Feira Sabores de Chaves. Uma iniciativa que pretende manter. Alguma novidade em relação a este ano?
Quando nós falamos nesta estratégia conjunta do Alto Tâmega, nós temos de olhar para os outros territórios e temos de ter uma perspetiva de colaboração. Não queremos concorrer como uma Feira de Fumeiro com Boticas, Montalegre ou Vinhais, essa não é a nossa perspetiva.
O que queremos é ter uma oportunidade e ter um espaço para que os cidadãos, turistas e quem nos visita possam degustar o que de melhor temos. Sob este “chapéu” Sabores de Chaves temos um conjunto de produtos genuínos da região e não só o fumeiro, característico desta época.

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