Foi o goleador máximo da equipa flaviense, na época de sucesso que agora termina, ao apontar 14 golos. O cabo-verdiano conta como correu a época, quais são as suas origens, sonhos e planos para o futuro.

 Kuca-(2)Como é chegar ao final da temporada com a subida de divisão e o campeonato conquistado?

Para mim e para todos os colegas foi um feito muito bom, conseguido com muita luta e garra dentro das possibilidades que tínhamos. O nosso objectivo no início da temporada foi sempre a subida de divisão.

Alguma vez duvidaram da subida?

Nunca. Se alguma vez tivesse duvidado tinha abandonado. Sempre acreditámos até ao fim, sabíamos que era mais difícil quando ficámos a sete pontos, mas todas as semanas sabíamos que tínhamos de trabalhar mais para chegar ao primeiro lugar.

O clube fez uma recuperação muito grande, até ao primeiro lugar…

Depois da derrota no terreno do Padroense, falámos entre todos os jogadores. Falamos que tínhamos de fazer mais do que tínhamos feito até então e mostrámos de imediato que podíamos dar mais e vencer os jogos todos.

No jogo com o Ribeirão o Chaves foi categoricamente superior. A equipa entrou confiante?

Sim, entramos confiantes e depois de todos os boatos que o Ribeirão lançou para os jornais, contra os jogadores e direção, ficámos com vontade de demonstrar que eramos melhores e foi isso que fizemos dentro de campo durante os 90 minutos e agora nem eles têm dúvidas de quem é a melhor equipa.

No lance do golo, quando te foi colocada a bola sentiste que ias fazer golo?

Claro que acreditei, estava vento e isso também ajudou, pois deixou-me chegar mais perto da bola. Sem vento não conseguiria chegar pois ainda estava longe, estiquei-me todo e consegui marcar.

“Senti-me bem nos jogos em Lisboa”

Em Lisboa a equipa esteve claramente superior que o Viseu e Farense, também sentiram isso?

Sim, demonstrámos logo no primeiro jogo que íamos com o objectivo de vencer. No segundo jogo, o Farense provavelmente achou que iríamos estar mais cansados, mas não foi isso que demonstrámos. Merecemos ganhar nos 90’, empatamos, pois o futebol é assim, mas felizmente conseguimos ser campeões.

Estiveste muito bem fisicamente no segundo jogo da Fase de Apuramento de Campeão, sentiste que ias quebrar?

Estava um pouco cansado, mas antes do jogo disse para mim mesmo que tinha de esquecer que tinha jogado no dia anterior, que era psicológico e que dentro do campo iria esquecer o cansaço. Com o início do jogo senti-me melhor e isso deu-me motivação para correr tanto durante os 90 minutos.

Foste o melhor marcador da equipa na temporada, com 14 golos, querias mais?

Faço sempre o meu trabalho, com o objectivo de ajudar a equipa. Se conseguir marcar muitos golos melhor, pois é bom para mim e para a equipa. Consegui marcar 14 golos, e acho que foi bom, que foi uma boa temporada. No ano passado consegui 15, mas os 14 desta temporada deram para conseguir o que não conseguimos o ano passado. Se calhar se tivesse marcado muito mais podíamos não ser campeões.

És o marcador de serviço das grandes penalidades, e não tremes quando a equipa precisa…

Fico muito concentrado quando pego na bola e vou a pensar que tenho de marcar e normalmente não falho.

Falhaste apenas duas grandes penalidades esta temporada, uma na pré-época e outra agora na fase de apuramento de campeão. É verdade?

É verdade, uma na pré-época e uma nos jogos que decidiram o campeão nacional. Aconteceu quando tinha de acontecer, pois todos os que marcam estão sujeitos a falhar e eu sou um deles.

“Com tempo conseguimos atingir o que pretendemos”

No ano passado estiveste metade da época no Mirandela, mas depois mudas-te para o Chaves, porquê?

Mudei porque houve interesse do Chaves, era melhor para mim e aceitei. Vim para uma equipa que lutava para subir de divisão e isso deu-me mais estímulo para mudar.

Conseguir ao segundo ano a subida de divisão é bom?

Foi uma aposta mesmo na mosca. Não conseguimos o ano passado, mas este ano subimos e fomos campeões. Isso demonstra que com tempo conseguimos atingir o que pretendemos.

Como vês o futebol em Portugal?

Tem campeonatos bons e tem equipas boas. A minha meta é chegar ao principal campeonato português, para depois dar nas vistas e procurar chegar a um campeonato melhor, como o de Inglaterra ou Espanha.

Vieste para Portugal com esse objectivo?

Quando cheguei a Portugal foi com o objectivo de chegar à I Liga, caso contrário ficava em cabo-verde a jogar para me divertir. O meu sonho é jogar e chegar cada vez mais longe. Ainda sou novo e um dia posso chegar lá.

O teu futuro passa pelo Chaves?

Sou jogador do Chaves e não me chegou nenhuma proposta em concreto para sair. Tenho contrato com o Chaves, estou feliz aqui e não me importo de ficar.

Mas houveram muitos clubes a observar-te esta época…

Isso demonstra o valor do meu trabalho ao longo da época e fico contente por isso. Mas sou jogador do Chaves e vou continuar aqui.

“O meu sonho sempre foi representar o meu país e vou trabalhar para que isso volte a ser uma realidade”

Que futuro antevês para a próxima temporada do Chaves, um clube estável e em renascimento…

A direcção, os adpetos, todos os que apoiam a equipa querem vencer e sendo assim acredito que o Chaves vá lutar para subir de divisão outra vez. Esse pode ser o objectivo do clube e tem tudo para conseguir isso. Acredito que tenha condições para voltar à I Liga. É um clube com tudo em dia, os jogadores não sentem dificuldades cá.

És internacional cabo-verdiano. Estar na Segunda Liga coloca-te mais perto da selecção?

Acho que sim, pois o selecionador sempre disse que é complicado chamar jogador es da II Divisão. Agora na Segunda Liga, se lá estiver, terei mais probabilidades de ser chamado. O meu sonho sempre foi representar o meu país e vou trabalhar para que isso volte a ser uma realidade.

É uma boa seleção? Gostas de representar o teu país?

Gosto. É a minha terra, gosto muito e os meus colegas que a representam sentem a mesma coisa.

Há uma grande comunidade cabo-verdiana em Portugal, com muitos a jogarem futebol…

Portugal é um bom sitio para mostrar o nosso valor. Fomos bem recebidos em Portugal e a qualidade dos cabo-verdianos a jogar aqui criou uma montra para os que podem ainda vir. Isso é bom para quem cá está e para quem poderá chegar um dia.

As tuas férias são em Cabo-verde, já havia muita vontade de rever a família?

Sim, é o momento mais importante para mim e para a minha família que está cá, ver os pais e estar com os amigos mais próximos. Depois de uma época cheia de trabalho e sacrifício não há nada melhor do que passar umas férias em Cabo-verde.

Quando as saudades apertam como matas as saudades?

O mundo evoluiu muito e temos internet, skype e as redes sociais, é mais fácil estar contactável e a falar. Sente-se menos saudades. Quando cheguei cá há três anos, sem a minha mulher e o meu filho, foi mais doloroso. Agora já é mais fácil.

Em Lisboa sentiste um grande apoio…

São os meus amigos de infância, estudávamos juntos em Cabo-Verde e gostam muito de mim, como gosto deles. Já me tinham dito que iam apoiar-me e fiquei contente por eles terem lá estado. Isso demonstra amizade entre todos. Em Lisboa não me irá faltar apoio, pois tenho muito amigos por lá.

Qual é que é a tua posição preferida?

Eu sou um extremo esquerdo, a minha posição preferida, mas posso jogar também como um segundo avançado, atrás do ponta-de-lança.

Foi a posição que mais jogaste, e causaste muitos problemas aos defesas adversários…

Também é complicado para mim porque levo muita porrada [risos]. Quem tem fintas está sujeito a levar porrada e jogo numa posição onde tenho de partir para cima dos defesas.

Qual é o teu desejo para a próxima temporada?

O meu desejo é onde estiver conseguir o objectivo do clube e conseguir o meu objectivo pessoal, pois ainda não sei qual é, apenas quando começar a temporada.

Cumpriste o teu objectivo pessoal?

Sim, pois disse a mim mesmo que iria tentar ser campeão e consegui isso. Consegui também ser o melhor marcador da equipa. Não estava na minha expectativa, mas consegui cumprir isso também, mesmo sem estar sempre na minha cabeça.

Diogo Caldas

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