Os autarcas e responsáveis da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (CIMAT) apresentaram publicamente, na quinta-feira passada, dia 28 de junho, as estratégias que estão a ser pensadas para promover o desenvolvimento económico na região até 2030, esperando-se, agora, o contributo de todos para este desígnio.

Fernando Queiroga, Nuno Vaz e Ramiro Gonçalves

Nuno Vaz, presidente da Câmara de Chaves, foi o responsável por abrir a sessão que deu a conhecer, no auditório do Forte São Francisco Hotel, em Chaves, os “Elementos Chave para a Estratégia 2030” para o Alto Tâmega. O autarca flaviense salientou a importância da participação de todos na construção e valorização do território.

“A expectativa é que este seja o primeiro passo, um passo comprometido e decisivo, para que possamos olhar para o futuro com confiança e que abandonemos definitivamente aquilo que nos tem caraterizado que é a falta de capacidade de afirmação”, disse Nuno Vaz.
Para o responsável é necessário elevar a autoestima da população residente no Alto Tâmega para que “dentro e fora do território possamos ser afirmativos” e se consiga “promover os recursos naturais” da região. Só desta forma, continuou o autarca, se consegue criar um futuro cada vez mais auspicioso. “É esse o desafio que eu lanço. Portanto empenhem-se, comprometam-se, porque só assim, com todos e para todos, é que nós conseguimos construir um futuro nesta região”.

A “Reprogramação Norte 2020 e Perspetivas 2027”, os “Elementos Chave para a Estratégia Alto Tâmega 2030” e o “Concurso de Ideias do Alto Tâmega” foram as temáticas desenvolvidas ao longo da manhã e que mereceram a atenção de diversos empresários, dirigentes de associações e comunidade em geral.

A reprogramação do Programa 2020 é uma “oportunidade para corrigir” alguns erros

O primeiro painel contou com a moderação do presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, que iniciou o seu discurso com vários elogios à organização da iniciativa para logo depois lançar diversas críticas ao atual programa comunitário de apoio. Na opinião de Orlando Alves o programa constitui “uma desilusão” para os grupos económicos que fazem parte dos territórios de baixa densidade, como é o caso do Alto Tâmega.
“Não temos nada bem a dizer do programa que está neste momento em execução, que teve também a inconveniência de ter quase todos os investimentos concentrados nos anos de 2018 e 2019, com abertura tardia dos serviços, com pausas e esperas muito prolongadas”, disse o autarca da região do Barroso.

Relativamente às perspetivas para 2027, Orlando Alves fez questão de adiantar que, na sua ótica, “ficará quase tudo mais ou menos igual”, apesar da “esperança” e dos incentivos do Presidente da República para melhorar a economia do país.
Apesar das críticas, o presidente de Montalegre realçou as medidas para a descentralização anunciadas pelo Governo como um dos pontos positivos para o desenvolvimento do território do Alto Tâmega.
No encontro estiveram igualmente presentes os autarcas de Ribeira de Pena e de Vila Pouca de Aguiar, Augusto Medina da Sociedade Portuguesa de Inovação e Fernando Freire, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) que fez uma análise social e económica do território.

Segundo Fernando Freire, a reprogramação do Programa 2020 é uma “oportunidade para corrigir” alguns erros.
“Nesta reprogramação que estivemos primeiramente a negociar com o Governo conseguimos trazer para a região norte, e para as sub-regiões que a compõem, alguns elementos que trazem mais recursos e mais formas para chegar a alguns dos nossos objetivos prioritários”, adiantou o responsável da CCDR-N. A ideia final passa por voltar a Bruxelas para negociar o programa com os parceiros europeus.

De entre a informação apresentada pelo presidente da CCDR-N, há a ter em conta o seguinte: o Alto Tâmega ocupa o último lugar da tabela do Índice Sintético de Desenvolvimento Regional, indicador onde se insere a competitividade, a coesão e a qualidade ambiental, esta última com valores mais estimulantes; na região vivem 87 mil pessoas, menos seis mil habitantes do que nos Censos de 2011, das quais 52 mil estão aptas para trabalhar e menos de 8500 são jovens com idades até aos 14 anos; já a população idosa, situa-se nas 26 mil pessoas. Para atenuar estes números, o primeiro secretário da CIMAT, Ramiro Gonçalves, apresentou as estratégias para “quebrar” o “ciclo vicioso” instalado no Alto Tâmega, que tem falta de pessoas e um tecido empresarial frágil.

Orlando Alves e Fernando Freire, presidente da CCDR-N

Capacitar pessoas é um dos principais objetivos do projeto

No documento de seis páginas, escrito pelos autarcas do Alto Tâmega, foram identificadas as principais debilidades do Alto Tâmega e definidas estratégias que combatam essas situações: é preciso continuar “a fazer mais e melhor” para “atrair e reter pessoas”, olhar para a região como um todo, e não apenas para cada município, e sobretudo é preciso capacitar as pessoas.
Através da capacitação das pessoas “teremos melhores produtos, com maior inovação, por conseguinte teremos melhor economia, melhor marketing e mais pessoas teremos no território”, explicou o primeiro secretário da CIMAT.

Valorizar os ativos e saber direcionar os investimentos é outro ponto essencial para o sucesso do plano. Neste quadro foram identificados os principais clusters da região: o cluster agroalimentar e florestal, o cluster da água, da saúde e do bem-estar e o cluster extrativo.
Na apresentação, ficou ainda definido que seriam melhoradas a relação transfronteiriça, a rede de transportes públicos e a perspetiva urbana.

Todos podem contribuir

No final, o presidente da CIMAT e presidente da Câmara de Boticas afirmou aos jornalistas que as estratégias apresentadas foram definidas por seis autarcas que conhecem muito bem o território e, por conseguinte, as suas necessidades. No entanto não é um documento fechado, pelo que está aberto ao contributo de todas as pessoas da região.

“Com a definição de uma estratégia, vamos poder fazer as nossas reivindicações a quem de direito e queremos que as verbas que nos toquem sejam direcionadas para a estratégia que definimos. Não queremos que aconteça o que tem acontecido até aqui, em que tem sido despejado dinheiro e tem sido feito muito pouco, pois não vão ao encontro das necessidades reais da região”, sublinhou Fernando Queiroga, salientando que quando se resolverem os problemas do interior resolvem-se os problemas do litoral, que está sobrelotado.

“Concurso de Ideias do Alto Tâmega”

De referir ainda que na manhã de quinta-feira foi também apresentado o “Concurso de Ideias do Alto Tâmega” que pretende recolher as melhores ideias empreendedoras da região. Os interessados devem preencher o formulário de inscrição que se encontra na página da CIMAT na internet, até 7 de setembro.
A Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega é constituída pelos municípios de Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar.

Cátia Portela

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