Tem início hoje, dia 3, e termina no domingo, dia 5, a 12ª edição da “Sabores de Chaves – Feira do Fumeiro”. Em entrevista ao jornal A Voz de Chaves, António Cabeleira, presidente da Câmara Municipal de Chaves, explica como esta feira tem vindo a crescer e a tornar-se num dos maiores eventos da zona norte de Portugal.

A Voz de Chaves: É já neste fim de semana, entre os dias 3 e 5 fevereiro, que se realiza a 12ª edição da “Sabores de Chaves – Feira do Fumeiro”. Tal como o nome indica, o fumeiro é o principal produto a ser comercializado. De que forma é que a realização deste certame tem tido repercussão no número de produtores que existem atualmente no concelho?
António Cabeleira: É verdade. Vamos ter neste fim de semana mais uma edição da Feira dos Sabores de Chaves, neste caso, a feira de inverno, Feira do Fumeiro. Indo diretamente à sua pergunta, eu diria que a organização desta feira dos Sabores de Chaves tem sido decisiva para o aumento do número de produtores devidamente licenciados no nosso concelho. Se recuarmos à primeira edição, ou até um pouco antes da primeira edição, Chaves só quis organizar esta feira quando passou a ter cozinhas tradicionais devidamente licenciadas. E para isso contribuiu um projeto desenvolvido então pela Sra. vereadora Maria de Lurdes Campos, que é o projeto denominado Combate à Desertificação, e, com a ajuda da Câmara Municipal, começaram a organizar-se as primeiras cozinhas tradicionais, devidamente licenciadas. A Câmara nunca deixou de dar apoio e todos os anos tem vindo a aumentar o número de cozinhas tradicionais, devidamente licenciadas e, consequentemente, tem vindo a aumentar o número de expositores e produtores de fumeiro na nossa Feira. Esta organização foi realmente decisiva. As pessoas perceberam porque foram falando com aqueles que já produzem, e foram percebendo que vale a pena produzir fumeiro e vale a pena produzir com qualidade, como acontece em Chaves, porque temos um fumeiro bom, com qualidade, diferente do dos concelhos vizinhos, não é todo igual, há diferenças. Mesmo em Trás-os-Montes há diferenças significativas na forma até de fazer o salpicão. Uns fazem com sorça em vinha de alhos, outros não o fazem, fazem só em água. O nosso salpicão, como sabe, é feito com sorça em vinha de alhos, e de grande qualidade. Essas pequenas diferenças conferem ao fumeiro caraterísticas diferentes. E o nosso é realmente um bom fumeiro. Pelo menos o nosso grau de satisfação está em que os produtores saem da Feira do Fumeiro porque vendem tudo, e porque conseguem clientes para vender ao longo do ano. E isto é também um dos fatores que nos leva a promover a Feira. Não é só pelo que se vende na Feira, mas é pela promoção e pelos contatos que os expositores fazem para ir vendendo ao longo do ano.

Que outros produtos estarão à venda na Feira?
A Feira está dividida em basicamente dois setores: a feira dos produtos agroalimentares, onde o produto estrela, o produto rainha é o fumeiro, e depois o setor de artesanato. Nos produtos agroalimentares, apesar de o produto estrela ser o fumeiro, também temos, naturalmente, à venda pastéis de Chaves, folar, mel, vinho produzido em Chaves, licores, compotas. Esse conjunto de produtos que os produtores flavienses fazem, porque a exposição e venda de produtos agroalimentares está em exclusivo para os produtores de Chaves, admitindo-se um ou outro expositor da Eurocidade Chaves-Verín. No artesanato, aqui o espaço de exposição e venda já está alargado a produtores de artesanato de toda a região norte. E porquê de toda a região norte? Porque entendemos que o nosso público-alvo, as pessoas que virão a Chaves visitar a Feira do Fumeiro são, fundamentalmente, pessoas que vivem na região norte, e que vivem na Galiza. Daí que permitimos o alargamento aos expositores de artesanato a toda a região norte. E essa é a área que aumenta de forma significativa também. Esta Feira vai ser a maior Feira de sempre. Aliás, todos os anos a Feira tem vindo a aumentar com o número de expositores, em área de exposição e também com preocupação na parte da animação sociocultural da Feira, que também tem vindo a ser aprimorada e todos os anos tem sido um pouco melhor. A organização é exclusiva da Câmara Municipal, em colaboração, naturalmente, com a EHATB. A EHATB é, poderemos dizer, a organizadora e a Câmara é coorganizadora, mas o apoio técnico é dado pela Câmara Municipal. E cada ano acumula-se “saber fazer”, e naturalmente hoje para a 12ª edição sabemos fazer muito melhor do que sabíamos fazer na primeira edição.

Quantos stands vão estar em exposição na Feira?
São 89 expositores.

Será novamente realizada no pavilhão municipal, correto?
Sim. O setor agroalimentar está no pavilhão municipal e o artesanato está numa tenda que foi colocada ao lado do pavilhão e que faz a transição entre o pavilhão e o mercado municipal. E também há exposição e venda de artesanato nas salas do mercado municipal que já estão preparadas para o efeito. Aliás, já no ano passado estiveram ocupadas.

Qual o investimento que a autarquia fez para este evento?
O investimento não é assim muito significativo. Como sabe, a organização é da EHATB, portanto, toda a despesa é feita pela EHATB. A Câmara como coorganizadora não tem grande significado, mas está dentro do orçamento dos anos anteriores. Não há aqui um aumento de despesa com a organização desta Feira. Mas vale a pena. Vale a pena pela quantidade de visitantes que temos. Sobretudo, pelo grau de satisfação que tem vindo a aumentar ano após ano dos nossos produtores e expositores. É para eles que a Feira é organizada. Este ano, como sabe, há uma outra novidade. Em simultâneo com a Feira há um fim de semana gastronómico, e temos um conjunto significativo – mais de 50 restaurantes – que aderiram a este fim de semana gastronómico. Quem nos vier visitar neste fim de semana, quer para os flavienses, quer para os que vêm de fora, naturalmente, os restaurantes têm uma ementa com três ou quatro pratos todos iguais, e a um preço também semelhante, para permitir que as pessoas se distribuam também pelos restaurantes da cidade. E é uma outra forma de enriquecer este fim de semana, que passa a ser um fim de semana de Feira, mas também um evento gastronómico.

Os restaurantes estão todos localizados aqui na cidade?
Sim, os restaurantes são todos na cidade.

Qual é o volume de negócios espectável para a Feira?
É sempre um bocado difícil dizer um número correto, até porque nós não controlamos as caixas dos vendedores. Mas isto passa à vontade dos 200 mil ou 300 mil euros. Sei individualmente porque me contam. Há um ou outro expositor com quem conversamos mais vezes e que nos dá o feedback do resultado que teve na feira. Se estipularmos depois para os outros em função desse conseguimos chegar a números dessa natureza.

Esta é uma Feira que tem vindo a crescer de edição para edição. Atrai muitas pessoas de outros pontos do país e também de Espanha. Chaves tem capacidade para albergar toda esta gente que vem cá, e muitas aproveitam para passar o fim de semana?
Aí sim, aí lideramos. No setor da hotelaria, Chaves lidera esta vasta região de Trás-os-Montes, nos distritos de Vila Real, Bragança e o Douro sul, na zona de Lamego. Nós temos o maior número de camas de toda a região. E a estatística diz isso mesmo. Nós em termos de número de dormidas por ano lideramos esta região toda. Sabemos que para isso implica o facto de Chaves ser capital termal. Temos as Termas de Chaves, e agora as Termas de Vigado, e ajudam a esse grande número de dormidas. Mas não é só. É também o centro histórico da cidade, o vasto património do nosso território, as paisagens, a excelente gastronomia de Chaves, mesmo as outras particularidades que outros concelhos não têm, como dois campos de golfe, o campo do Vidago Palace Hotel, mais o campo do Clube de Golfe de Vidago, o Casino, tudo isto, naturalmente, faz com que Chaves seja liderante no turismo em Trás-os-Montes e Alto Douro.

No sábado estará presente a RTP com o programa “Aqui Portugal”. Esta é também uma forma de levar mais longe o concelho flaviense…
Sim. A vinda de um canal de televisão, e neste caso a RTP porque nos parece que a esse nível é o canal que faz o melhor trabalho, tem dois objetivos: por um lado anima, durante a tarde, mas, mais do que isso e mais importante que isso é a promoção que é feita do território. A RTP não se limita a fazer um programa de entretenimento no sábado à tarde. Eles já vieram fazer entrevistas durante a semana para depois durante o programa passarem essas mesmas entrevistas. E, com isso, nós estamos a promover o território, a cidade e o concelho, estamos a promover os nossos produtos, a nossa gastronomia, a nossa hotelaria, ou seja, o território no seu todo, e entretemos. E o facto de o programa ser sábado à tarde também ainda permite que pessoas às quais nem lhes tinha ocorrido vir a Chaves mas que vão ver o programa no sábado à tarde ainda venham no domingo visitar a Feira e comprar produtos.

Fugindo um bocadinho ao assunto da Feira. Foi aprovada a candidatura ao programa Norte 2020 para remodelação do bloco operatório do Hospital de Chaves. Qual o seu sentimento em relação a isso?
Eu sabia que a candidatura ia ser aprovada. Porque em 2015 foi assinado o pacto do Alto Tâmega, e nesse pacto algumas das ações estavam já mapeadas. Aquilo que o Governo anterior entendeu para este quadro comunitário como diferente que é identificar à priori quais os equipamentos que vão ser intervencionados nas diferentes áreas. Isto foi feito ao nível da educação, foi feito ao nível da ação social, foi feito ao nível da saúde. E foi uma luta, e aí eu sinto até uma pontinha de orgulho na medida em que eu estive nessa luta, porque fui designado pelos meus colegas como representante da comunidade intermunicipal nas reuniões que decorreram com a ARS Norte, com as administrações hospitalares e com os outros presidentes das outras comunidades intermunicipais, para as reuniões de discussão do mapeamento da saúde. E, não foi fácil, como é fácil compreender. O orçamento previsto no Norte 2020 para a saúde é um orçamento muito reduzido e o Hospital de Chaves teve aqui uma fatia significativa. Portanto, ficou logo mapeado e aprovado que 900 e tal mil euros de FEDER seriam para remodelar o bloco operatório. Entretanto, já na vigência deste governo e deste concelho de administração abriram as candidaturas, formularam a candidatura, claro, e muito bem, nem outra coisa seria de esperar, e a mesma foi aprovada porque está de acordo com aquilo que está no mapeamento. Portanto, a decisão de remodelar o bloco operatório de Chaves já estava assinada no pacto do Alto Tâmega desde agosto de 2015. Aqui, se há mérito este tem de ser repartido entre o Governo anterior, e o atual governo. Um porque colocou no mapeamento da saúde a remodelação do bloco operatório de Chaves, e o outro porque formulou a candidatura para concretizar então o investimento previsto nesse mapeamento. O importante é que o Hospital de Chaves seja requalificado e que na sequência da remodelação do bloco operatório, como sempre esteve subjacente a esta requalificação, a este mapeamento, haja a diferenciação do Hospital de Chaves na especialidade de ortopedia. Com isto o que se pretende é que depois muitas das cirurgias programadas para todo o centro hospital, e até quem sabe para uma região mais vasta, aqui para Trás-os-Montes e Alto Douro, o Hospital de Chaves se especialize em algumas cirurgias do foro da ortopedia. Correções aos joelhos, à anca, cotovelos, clavículas, coisas desse género, que o Hospital de Chaves se especialize nesse tipo de cirurgias, e que todas as cirurgias programadas para esse tipo de cirurgia sejam feitas no Hospital de Chaves. Era isso que estava subjacente. É essa a nossa expetativa. O primeiro passo vai então concretizar-se, que é a remodelação do bloco operatório. Esperemos que o segundo passo seja então em diferenciar, com a colocação de mais médicos ortopedistas em Chaves, que façam formação nas áreas que acabei de referir, sobretudo na correção dos membros, para que Chaves aí saia diferenciado e seja até amanhã, quem sabe, uma referência nacional. Alguém que queira fazer uma cirurgia especial a um joelho possa vir até de outros pontos do país a Chaves, porque Chaves já tem tradição a ter bons especialistas na área da ortopedia.

No passado dia 19 de janeiro, o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Eurocidade Chaves-Verín esteve presente na FITUR – Feria Internacional do Turismo 2017. O balanço não poderia ter sido melhor…
O balanço da Feira é positivo. Isto ainda é novidade para muita gente. O facto de num único stand, numa feira internacional, estarem a promover-se dois países dizendo que vindo à Eurocidade vêm a dois países. Um só destino, mas dois países. É isso que nós pretendemos. É esta a nossa diferenciação em relação a outros destinos. É que realmente quem vier a Chaves ou a Verín naturalmente vem aos dois lados e estão a promover-se dois territórios num único espaço que é a Eurocidade Chaves-Verín. E é a Eurocidade da água, porque não há mais nenhum território a nível da Península Ibérica, e até europeu, que num território tão curto como é o nosso, num território pequeno que é o de Chaves e Verín, tenha uma quantidade e diversidade de águas minerais e de grande qualidade como temos nós no território de Chaves e no território de Verín. Desde Vidago a Verín, temos aqui um manancial de águas minerais diferentes, todas diferentes, mas todas de grande qualidade. Daí sermos a Eurocidade da água, vale a pena vir. Chaves, já como capital termal, tem três balneários: temos as Termas de Chaves, o Balneário Pedagógico de Vidago e o Spa do Vidago Palace Hotel. Ambicionamos ter ainda mais. Espero que isso se consiga concretizar nos próximos quatro, cinco anos um balneário para aproveitar as águas de Vilarelho da Raia, e, quem sabe até, um balneário para aproveitar também as águas de Campilho para que também se associe não só ao engarrafamento da água a possibilidade do aproveitamento também termal das águas de Campilho. E então, sim, se hoje com três somos capital termal, com cinco seriamos naturalmente ainda muito mais capital termal. E desejamos que o mesmo aconteça no lado norte, no bairro de Verín. Que seja feito também o aproveitamento termal das águas minerais de Verín. Aí se conseguirem pelo menos um ou dois balneários termais este conjunto de balneários termais na Eurocidade fará de nós um destino ímpar termal e as pessoas podem fazer um tratamento numas termas e diversificar o tratamento noutras termas. E não haja dúvida de que o aproveitamento desta riqueza das nossas águas minerais faz todo o sentido e irá atrair muito mais gente.

Voltando ao assunto principal desta entrevista, quer aproveitar para fazer um convite aos nossos leitores para que venham visitar a Feira do Fumeiro de Chaves?
A todos os leitores do Jornal A Voz de Chaves fica o convite para que neste fim de semana, dias 3, 4 e 5, visitem Chaves para comprar o melhor fumeiro do país, ou, pelo menos, um fumeiro altamente diferenciado. Aproveitem também para conhecer melhor Chaves, os que vêm de fora. Chaves é uma cidade histórica, com muita tradição, uma cidade com um vasto património.
Uma cidade de origem romana, com um património romano bem visível com a ponte Romana. O balneário termal terapêutico romano ainda não está disponível para ser visitado mas estará em breve. Chaves tem uma excelente gastronomia, quem vier dará por bem empregue o seu tempo.
Temos um fim de semana gastronómico com um conjunto muito significativo de restaurantes a aderir ao fim de semana gastronómico. Chaves também vai ter um evento desportivo, que é o jogo entre o Grupo Desportivo de Chaves e o Boavista Futebol Clube, amanhã, sábado, às 16h. É mais um motivo, sobretudo para os adeptos e simpatizantes do Boavista, virem visitar Chaves. Mas para todos os que de uma maneira geral gostam de futebol, sejam ou não adeptos do Grupo Desportivo de Chaves ou do Boavista.
Poderão vir assistir a um excelente espetáculo desportivo, comprar fumeiro, deliciar-se nos nossos restaurantes, poder usufruir da nossa excelente hotelaria, divertir-se numa noite do Casino depois no sábado à noite, ou praticar um bocadinho de desporto nos dois campos de golfe de Vidago.
Em suma, venham a Chaves, visitem Chaves, que vão dar o tempo por muito bem empregue. E ficarão com vontade, não tenho a menor dúvida, de voltar durante o ano, noutras oportunidades, ou, se não for durante o ano, pelo menos no próximo ano novamente na Feira do Fumeiro. Visitem Chaves.

Maura Teixeira

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