O CHTMAD vai encerrar temporariamente 48 camas nos Hospitais de Chaves, Lamego e Vila Real, devido à alteração do horário de trabalho para as 35 horas. Os autarcas dos municípios afetados já reagiram e garantem estar atentos para que a “qualidade dos cuidados de saúde prestados aos utentes” continue a ser assegurada.

O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) anunciou na sexta-feira passada, dia 6, em comunicado, “o encerramento temporário de 48 camas, em diferentes especialidades, nas Unidades Hospitalares de Vila Real, Lamego e Chaves”, no seguimento da mudança de horário de trabalho dos funcionários de saúde para as 35 horas.
A unidade de saúde adiantou que no Hospital de Chaves serão encerradas 12 camas, no serviço de medicina, o Hospital de Lamego irá perder seis camas, nas áreas de cirurgia e medicina, e o Hospital de Vila Real ficará com menos 30 camas nos serviços de medicina, cirurgia e mulher/criança.
Contudo, segundo o Conselho de Administração do CHTMAD o encerramento das camas será “provisório”, uma vez que “a Tutela já autorizou a contratação de mais 59 profissionais das várias classes profissionais, esperando que estas novas contratações possam ajudar a reduzir o impacto destas 35 horas”.
O CHTMAD garantiu ainda que o Centro Oncológico, a Urgência e os Cuidados Intermédios/Intensivos não serão atingidos por esta redução de número de camas, mantendo-se com a atividade assistencial em pleno.

Autarcas reagem ao encerramento de camas no CHTMAD

Os presidentes das câmaras municipais de Chaves, Lamego e Vila Real face às notícias publicadas reagiram, em comunicado, à decisão do CHTMAD.
Os autarcas referem que desenvolveram junto do Ministérios da Saúde “as diligências necessárias no sentido de serem garantidos os recursos humanos adequados ao normal funcionamento do CHTMAD, de modo, assegurar a continuação da qualidade dos cuidados de saúde prestados aos utentes”.
Na sequência desse contacto, os dirigentes adiantaram que “o Ministério da Saúde assegurou que irá ser efetuado um acompanhamento de proximidade à concretização do plano definido para aplicação do período das 35h, através das estruturas centrais, regionais e locais, tendo em conta as especificidades do CHTMAD, nomeadamente as decorrentes da limitação do número de recursos humanos, garantindo que esta instituição será objeto de uma discriminação positiva”.
Os mesmos responsáveis avançaram que nos próximos dias irão continuar a acompanhar o funcionamento das unidades hospitalares “sem prejuízo de serem adotadas outro tipo de medidas que garantam a qualidade dos serviços prestados, a gestão racional dos recursos e a satisfação das necessidades das populações”.

Deputada do PSD, Manuela Tender, questiona ministro da Saúde

A deputada do PSD, Manuela Tender, eleita pelo círculo de Vila Real, enviou à Assembleia da República um documento onde contesta o encerramento de camas nas unidades hospitalares de Trás-os-Montes e Alto Douro, numa “região marcada pela carência grave de recursos na área da saúde”.
No documento a deputada colocou sete questões que demonstram a sua posição: Conhece o Governo e aprova a intenção de se encerrarem camas nas unidades hospitalares do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro?; Dadas as sucessivas denúncias de falta de profissionais (médicos de diversas especialidades, enfermeiros, assistentes operacionais e técnicos) neste Centro Hospitalar, que medidas já adotou para resolver esta grave carência que afeta a capacidade de resposta e a atividade assistencial colocando em causa a igualdade do direito à proteção na saúde por parte dos cidadãos desta região?; Ponderou o Governo, o Conselho de Administração e a ARS-Norte os riscos e os impactos negativos desta medida num Centro Hospitalar que precisava de ver alargada e não reduzida a sua capacidade instalada?; Assume o Governo a sua incapacidade para implementar uma medida de redução do período laboral sem o necessário acompanhamento de admissão de novos trabalhadores de forma a não colocar em causa os serviços e as respostas?; Já conhece a tutela o número de profissionais necessários neste Centro Hospitalar para fazer face à redução do período laboral para as 35 horas? Quantos profissionais serão colocados? E quando? Já foram autorizadas as contratações?; Pondera a Tutela colmatar provisoriamente as necessidades de recursos humanos sem obrigar ao encerramento de camas com o impacto negativos e os riscos associados?; Assume o Governo o compromisso de garantir a atividade assistencial neste Centro Hospitalar evitando o encerramento de camas e a redução da capacidade instalada?

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