O concelho de Boticas poderá ter a maior reserva de lítio na Europa Ocidental, de acordo com a empresa mineira Savannah Resources.

Chama-se espodumena, o minério encontrado na Mina do Barroso, e é uma das principais fontes do lítio. Segundo a empresa britânica, em Boticas existem pelo menos 14 milhões de toneladas deste minério. A descoberta foi anunciada na quarta-feira, dia 2, em comunicado pela empresa de exploração.

“Acreditamos que a Mina do Barroso tem a maior reserva de espodumena da Europa Ocidental”, lê-se na nota.

Os 14 milhões de toneladas de minério com 1,1% de óxido de lítio, essencial para fabricar baterias de carros elétricos, por exemplo, representam mais do dobro da quantidade estimada inicialmente pela Savannah, que começou a procurar reservas de lítio em Portugal em maio do ano passado.

“Acreditamos que a Mina do Barroso tem o potencial para ser uma peça-chave na cadeia de valor emergente do lítio na Europa, e que poderá ajudar no processo de transação das fabricantes automóveis europeias para a produção de veículos elétricos”, disse David Arceher, Ceo da Savannah, em comunicado.

O aumento do preço dos compostos de lítio nos últimos anos despertou uma corrida às minas em Portugal. O governo recebeu pelo menos 40 pedidos de licenças de exploração. Nas nove regiões do país que concentram o minério, existem pelo menos 60 mil toneladas métricas, que colocam o país no top 10 mundial das reservas de lítio. O minério já é explorado em Portugal há décadas, mas o seu uso tem sido quase exclusivo na indústria cerâmica. Um cenário que pode mudar em breve.

O responsável adianta ainda que o foco da empresa nos próximos meses será estudar a viabilidade económica da exploração de lítio na Mina do Barroso. Isso passa por modificar as condições do contrato atual, que prevê a exploração de sete milhões de toneladas de lítio, quartzo e feldspato em sete regiões distintas. Além de aumentar a quantidade de minério a explorar, a Savannah quer garantir o direito a “construir uma fábrica para processar compostos de lítio”.

A empresa remete para o início do próximo ano uma decisão final sobre o desenvolvimento da mina. Os direitos de prospeção dos britânicos na região prolongam-se até 2036, sendo extensíveis por mais 20 anos.

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