André Chiote passou os últimos cinco anos a recordar momentos da sua infância ao fotografar pormenores da casa da avó, uma antiga habitação no centro histórico de Chaves onde costumava passar as férias escolares. As imagens do arquitecto flaviense podem ser vistas numa exposição em Barcelona até 11 de Maio.

O arquitecto flaviense André Chiote inaugurou na passada sexta-feira uma exposição no espaço “Casa Portuguesa”, em Barcelona, composta por 20 fotografias inspiradas nas memórias da sua infância e das férias passadas em casa da sua avó. “A casa da minha avó era e é no centro histórico de Chaves igual a tantas outras, completamente anónima, apenas especial para quem lá viveu”, referiu À Voz de Chaves o arquitecto flaviense.

Livros, discos de música da época, electrodomésticos antigos, bebidas típicas como a amêndoa amarga, o baú, fotografias de família a preto e branco, santinhos e recantos de uma casa antiga típica de Chaves são algumas imagens que podem ser vistas na exposição em Barcelona, que vai estar patente ao público até dia 11 de Maio. “Estas fotografias foram tiradas em várias ocasiões nos últimos cinco anos, em algumas visitas que fiz à minha avó. É assim que eu recordo sempre a casa da minha avó: como um somatório de pequenos recantos”, admite André Chiote.

Nascido em Chaves em 1978, André Chiote vive desde os cinco anos na Póvoa de Varzim. Com uma licenciatura em arquitectura pela Universidade do Porto, o artista pinta, desenha e fotografa, tendo já arrecadado, em 1996, o Prémio de Pintura Augusto Gomes, em Matosinhos, e participado em mais de 20 exposições individuais e colectivas em Portugal, França e Espanha. E que recordações marcantes guarda da casa da avó, hoje desabitada? “Como sítio de férias representa tudo: a família junta, os Natais com o frio e os cheiros das comidas, os serões e as tardes à braseira, o Verão tórrido e as matinés de sestas, as brincadeiras em vários recantos da casa e as memórias das pessoas que aprendi a gostar”, confessa.

Ligação do artista a Chaves tem vindo a perder-se, mas “teria muito gosto” em trazer a exposição à terra natal

A empresa que abriu “A Casa Portuguesa” em Barcelona, em 2006, além de um espaço para actividades culturais que divulguem a cultura nacional nessa cidade espanhola, aposta na importação de produtos portugueses. Ao pesquisar sobre este espaço, André Chiote considerou que as fotos da casa da avó “se enquadravam perfeitamente no conceito do projecto” e contactou os responsáveis. E assim se deixa uma marca transmontana em Espanha? Na verdade, para André Chiote, a casa da avó “não representa a cultura, nem as tradições de Chaves. Só o poderá ser no sentido em que ela é o espelho da vida da minha avó que nasceu e sempre viveu em Chaves e, nesse sentido, é o resultado da cultura e tradição do sítio de onde nasceu e viveu. Para mim é muito especial mostrar a casa da minha avó, através das fotografias que eu fiz em qualquer sítio, porque são parte de mim, são as minhas memórias de uma coisa que me diz muito, porque faz parte do meu universo de afectos que queria partilhar com outras pessoas”, considera o artista.

A mostra já foi exposta no Clube Literário do Porto e na Póvoa de Varzim, mas em Chaves, André Chiote nunca mostrou os seus trabalhos. “Não conheço praticamente ninguém e desconheço em grande parte quais os sítios em que isso poderia acontecer”, justifica. Hoje, “infelizmente a minha ligação a Chaves tem-se vindo a perder nos últimos anos, mais ainda no último, com falecimento da minha avó. A casa agora está vazia”. Contudo, garante que “teria muito gosto” em trazer esta exposição à terra natal. “Fazia todo o sentido”, remata o artista.

Sandra Pereira

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