O escritor brasileiro Antônio Torres passou pela cidade de Chaves para apresentar o livro “O Cachorro e o Lobo” e para dar a conhecer ao público flaviense um pouco do seu percurso profissional. O convite partiu do Clube dos Amigos do Livro de Chaves da Universidade Sénior.Aproveitando a visita do escritor ao nosso país a propósito do Festival Literário Douro, que decorreu entre os dias 4 e 6 deste mês em Sabrosa, o Clube dos Amigos do Livro convidou na quinta-feira passada, dia 4, Antônio Torres para estar presente na Universidade Sénior de Rotary de Chaves para falar em primeira mão sobre as suas principais obras.

Antônio Torres é um dos maiores escritores brasileiros, com vários livros publicados em diferentes continentes. Foi várias vezes premiado, sendo, inclusive, condecorado pelo governo francês, em 1998, como “Chavalier des Arts et des Lettres”. Apesar das suas conquistas, o que realmente prevalece é a sua simplicidade, não só na escrita dos seus romances mas também na sua forma de estar.

De entre os vários livros que escreveu, em Chaves apresentou “O Cachorro e o Lobo”, editado pela Teodolito. Este romance é o segundo livro de uma trilogia que começou a ser composta em 1976 com “Essa Terra” e que terminou com “Pelo Fundo da Agulha”, em 2006. A par destas obras, o autor já lançou em Portugal “Meu Querido Canibal” e “O Nobre Sequestrador”.

Para além de apresentar a sua obra, Antônio Torres falou igualmente sobre as adversidades que a literatura enfrenta nos dias de hoje. Na opinião do autor, a literatura tem vindo cada vez mais a perder leitores porque existe uma “concorrência avassaladora” da cultura de massas que fazem com que o leitor médio, na sua maioria, se perca por outro tipo de leituras de entretenimento.

“É como se hoje, em algum canto do mundo, estivesse uma central de inteligência pensando no minuto seguinte o que é que o mundo todo tem de ler”, explicou.

A literatura faz parte, segundo o autor, de uma tradição que vai passando de século para século e que em Portugal se tem conseguido manter, ainda que, à semelhança do Brasil, hajam muitas “pressões mercadológicas”.

Na hora de escrever, Antônio Torres diz que os seus leitores continuam a ser uma das suas principais referências.

“Escrever para mim só não passa pela minha cabeça, eu acho que o autor não existe sem o leitor e o que dá sentido à vida do livro é o leitor. Não é que eu esteja preocupado em agradar os leitores, mas sempre que tenho uma oportunidade de ir ao encontro deles eu não me furto a isso”, sublinha o escritor.

Entretanto, está a escrever um novo romance. O autor confessa que está há cinco anos a escrevê-lo e que é já considerado por si “o livro mais lento do mundo”. Falta de tempo mas sobretudo “autoexigências” são as principais responsáveis “pela demora em chegar ao fim do livro”, que apesar disso espera ver concluído no próximo ano.

De referir ainda que o encontro na cidade de Chaves contou com a presença do escritor flaviense Ernesto Salgado Areias e do editor Carlos da Veiga Ferreira, da Teodolito, e que durante o mesmo, foram lidos dois excertos do livro “O Cachorro e o Lobo”.

Cátia Portela

Share.

Deixe Comentário